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Lukaian Delfino NS

@LuhDelfino · desde 2018

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Poema

20/08

Não era tristeza. Demorei para entender. Eu chorava e procurava uma perda, um nome, um adeus, qualquer explicação digna para justificar a água nos olhos. Mas não havia ninguém. Era eu. Eu diante de mim mesmo, como quem finalmente encontra um estranho conhecido sentado no escuro. E tive pena. Pena do homem que aprendeu a continuar antes de aprender a descansar. Do homem que ofereceu colo quando também queria um. Que chamou de força o hábito de não pedir ajuda. Tive pena das vezes em que transformei ausência em espera, espera em esperança, esperança em culpa e culpa em silêncio. Pena das coisas que perdi e, principalmente, das coisas que quase tive. Das versões de mim que morreram sem funeral, dos futuros que imaginei e nunca chegaram a nascer. Chorei por aquele homem que amou como quem aposta tudo mesmo sabendo que poderia perder. Chorei pelo homem que confundiu pertencimento com ser escolhido. Que passou tanto tempo querendo ser casa para alguém sem perceber que também morava em ruínas. E talvez seja isso que minhas lágrimas sabem e eu ainda não sabia dizer: não estou chorando porque minha vida acabou. Estou chorando porque finalmente percebi o quanto de mim eu abandonei enquanto tentava não abandonar ninguém. Por alguns minutos, eu não fui forte. Não fui racional. Não fui o homem que resolve. Não fui aquele que aconselha, que protege, que permanece. Fui apenas eu. E tive pena de mim. Não como quem pede piedade, mas como quem olha para um sobrevivente e, pela primeira vez, não pergunta: “Por que você ainda não superou?” Apenas se senta ao lado e diz: “Eu sei. Você passou por muita coisa.” Depois seca os olhos. Levanta. E continua. Porque talvez a verdadeira cura da autopiedade não seja parar de ter pena de si. Talvez seja chegar ao ponto em que você consegue olhar para si mesmo com algum... afeto o suficiente para não precisar mais sentir pena. —Lukaian Delfino NS.

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Poema

Item de luxo

O amor é um item de luxo neste mundo maldito. — e eu passei a vida oferecendo o meu de graça. Há quem tenha dinheiro para comprá-lo, há quem tenha sorte para encontrá-lo, e há quem passe a vida inteira aprendendo a viver sem ele. Eu não queria muito. Só alguém diante de quem eu não precisasse ser forte. Alguém que não tratasse meu afeto como excesso, minha presença como obrigação, minha entrega como algo descartável. Talvez eu tenha nascido num tempo em que amar demais é ser pobre de si mesmo. E ainda assim, continuo querendo. Como quem entra numa loja vazia sabendo que não pode pagar, mas permanece olhando a vitrine porque, por algum motivo, ainda acredita que um dia o amor estará em promoção; Ou se eu der sorte, de graça. — Lukaian Delfino NS.

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Poema

Veredito

Às vezes me tratam com tamanha indiferença que começo a desconfiar do espelho. Não da imagem. De mim. Pergunto, em silêncio, se há alguma falha invisível que todos enxergam e só eu desconheço. Porque ninguém duvida da própria bondade quando é escolhido. A dúvida nasce quando o afeto passa ao lado como quem não reconhece um rosto. Então faço o que todo homem cansado faz: transformo o silêncio dos outros num julgamento contra mim. Talvez eu não seja bom. Talvez exista em mim alguma insuficiência que o amor percebe antes mesmo de chegar. E, no entanto, há uma estranha injustiça nisso. Passei a vida perguntando o que havia de errado comigo, enquanto o mundo apenas seguia seu caminho. Talvez a indiferença nunca tenha sido um veredito. Talvez tenha sido apenas a forma como o destino distribui as ausências. Mas confesso: há noites em que essa diferença já não me convence. E volto a perguntar, não ao mundo, mas a mim mesmo: se eu fosse realmente uma boa pessoa... teria sido tão fácil passar por mim? — Lukaian Delfino NS.

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Amor

Para sempre e mais um pouco

Você é dessas que não cabem em uma só palavra. Forte demais pra ser calma, doce demais pra ser só tempestade. Tem dias em que você é incêndio — e eu quase me queimo tentando entender. E outros… você é cuidado, desses que chegam sem aviso e bagunçam tudo que eu pensei que sabia. Você é de enlouquecer. Impulsiva como quem vive no agora, mas cautelosa como quem teme o depois. E eu, no meio disso, sem saber se avanço ou se aprendo a te perder antes de ter. Para sempre… e mais um pouco... Que frase absurda. Mas é assim que você ficou em mim — exagero, intensidade, um “mais” que não acaba. Um pouco sinto sua falta. Um pouco? Mentira. Sinto como quem tenta diminuir o tamanho de algo que já tomou tudo. Então venha. Venha, I… Não como resposta, não como promessa, mas como presença. Venha antes que esse momento escorra pelos dedos e vire só mais um “quase” na minha história.— sua história; nossa história —. Mas se não vier… eu fico. Fico aqui, tentando aprender a existir sem depender do teu retorno. Me convencendo, aos poucos, que nem todo amor precisa ser vivido para ser real. Se anime, Lu. Chore um pouco. Ou chore tudo de uma vez. — Lukaian Delfino NS.

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Amor

Um brinde

Meus dias sóbrios essa semama já cabem nos dedos — e às vezes sobram dedos. O resto eu dissolvo em qualquer coisa que queime menos que o que sinto. Não é sobre beber. É sobre calar. Porque quando fico sóbrio, fico inteiro — e inteiro, eu não aguento. Estou cansado. Mas não é um cansaço de corpo. É de existir pensando. Exausto de lembrar. de imaginar, de quase. Não tê-la me tirou do eixo como se eu fosse feito de uma coisa que só funciona em dois. E agora eu ando torto, incompleto, meio fora de mim. E ela… segue. Sai, ri, vive, talvez nem lembre da dimensão que ocupa em mim. Está com outro. E essa frase tem um gosto metálico, como se cada letra cortasse um pouco. Eu tento entender. Chamo de carma, de consequência, de algum erro antigo que voltou para cobrar. Talvez eu mereça. Talvez isso seja ajuste de contas de um passado que eu nem sei mais nomear. Ou talvez eu só esteja procurando sentido pra uma dor que não tem explicação. E isso dói mais. Porque se não tem causa, não tem conserto. E eu fico com essa sensação estranha de ter perdido alguém enquanto ainda tentava me reconstruir. Como se eu estivesse me curando e, no meio do processo, alguém passasse por mim e levasse embora o pouco que ainda funcionava. Mas o mais cruel… o mais silencioso… é saber que dessa vez eu perdi algo que não era meu. Eu perdi uma possibilidade. E isso não se enterra. Não se fecha. Não se resolve. Fica aberto — como uma porta que nunca foi atravessada mas que insiste em não se fechar. E eu aqui, contando dias sóbrios como quem conta passos pra sair de um lugar que nem sabe mais se quer sair. — Lukaian Delfino NS.

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Amor

Entre Esperar e Ir; triste Vou por Esperar demais.

Não sei dizer se cansei ou se finalmente senti. Não sei se desisto ou se só paro de me enganar. Só sei que esperar virou uma espécie de tortura silenciosa — dessas que não gritam, mas vão tirando pedaços. Eu acordo e penso: talvez hoje. E durmo com o mesmo pensamento, só que mais fraco, mais cansado, quase pedindo pra morrer. Não é sobre você. Ou talvez seja demais sobre você. É sobre esse espaço entre nós que nunca se preenche, esse quase que nunca termina de ser. Eu fico. Fico como quem aguarda uma sentença que não chega, como quem segura a respiração esperando um sinal que talvez nunca venha. E no meio disso tudo eu me perco. Porque uma parte de mim ainda acredita — idiota, teimosa, viva — que você vai virar e dizer: fica. E a outra já está indo embora, em silêncio, sem fazer barulho, sem olhar pra trás, porque sabe que ninguém chamou. E eu fico preso entre essas duas versões de mim, uma que espera e outra que desiste. Nenhuma vence. E o pior não é a dúvida. É o tempo. O tempo que passa enquanto eu não sou escolhido. O tempo que passa enquanto eu ainda escolho você. E talvez seja isso que mais dói: Não é te perder. É me ver ficando num lugar onde eu já não existo inteiro. — Lukaian Delfino NS.

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Amor

Entre o Sim, Não e o Silêncio.

Espero. E na espera, sou menos do que fui e mais do que gostaria de ser. Há um espaço entre o envio e a resposta onde a alma se alonga, como se quisesse caber no pensamento do outro. E eu, que nada sei, invento. Invento um “sim” que me aquece como sol de inverno — fraco, mas suficiente para não morrer de frio. E invento um “não” que me prepara para o deserto, onde já estive antes, onde aprendi a caminhar sem sombra. Mas o pior não é o sim nem o não. É este intervalo indeciso onde tudo pode ser e, por isso mesmo, tudo dói. Amo — ou penso amar — aquilo que ainda não me pertence, como quem se apaixona por uma casa vista apenas da calçada. Conheço as janelas, imagino os cômodos, decoro até o som dos passos que nunca dei lá dentro. E ainda assim digo: amo. Que palavra imprudente para algo que talvez nem exista. Talvez eu ame o que projeto, talvez eu ame o que falta, talvez eu ame o espaço que ela ocupa em mim Para além de tudo que ela já representa. E, no entanto, dói. Dói como se fosse real, como se o coração não soubesse distinguir presença de hipótese. Se for “sim”, direi que sempre soube. Se for “não”, direi que já esperava. Mas agora, neste exato ponto entre os dois, não sei nada — e sinto tudo. E é isso que me cansa: ser inteiro numa resposta que ainda não veio, que não vem. —Lukaian Delfino NS .

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Poema

Entre a Espera e Você

Há dois dias o mundo cabe dentro de uma tela que não se acende. Entre silêncios e calafrios, a sua voz enlouquece minha mente. Fico imaginando se em algum lugar do seu dia meu nome ainda atravessa seu pensamento como quem passa por uma rua antiga. Entre o que foi dito e o que nunca chegou a ser, entre a esperança discreta que talvez você não queira entender, é difícil imaginar o que pode ou não pode acontecer. Eu, carente e sonhador, E você… tão silenciosa que até o mistério parece dizer menos que o seu silêncio. E assim permaneço: entre a espera e o que talvez nunca venha. Em meio ao resguardo do seu silêncio, vou me reconstruindo… Juntando pedaços de calma onde antes havia pressa, aprendendo a esperar sem me perder. E guardo, em silêncio, uma esperança pequena mas teimosa — de que um dia o caminho do seu coração ainda encontre o meu. E entenda que todo esse silêncio era apenas o tempo aprendendo a nos aproximar. — Lukaian Delfino NS. Coautoria —Robson Santana. .

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Amor

No tempo dela, Ele me tortura.

Ao dormir, sinto o Tempo sentado na minha cama. Uma mão na minha cabeça, a outra no meu coração. Não consigo acordar para mandá-lo embora. Ele me tortura porque é o único momento em que o Tempo volta; Volta para ela. E ela não volta para mim. O tempo é a entidade que eu mais temo. Ele fica como um fantasma me rodeando, muitas vezes torturando. Em vez de curar, aumenta a dor de uma ferida que ele mesmo deveria curar. E ainda assim, diante da única pessoa que eu nomeio, o Tempo falha. Ele não ensina, não leva, não consola, não apaga. Ele apenas me devolve ao exato instante em que amar virou espera. Diante de quem eu nomeio, o Tempo perde a voz e a autoridade. Não consegue avançar, não consegue apagar, não consegue cumprir o que sempre prometeu. O Tempo não se desculpa. Ele continua. Com todos os outros, ele passa. Com ela, ele permanece — errado, suspenso, me condenando a viver no mesmo segundo repetido em que ela mesmo estando apaixonada por mim, Me deixa, me deixa e me deixa. — Lukaian Delfino NS.

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Amor

I, ainda

Achei que você ficaria quando o tempo virasse hábito. Às vezes penso que talvez eu esteja errado. Mas sigo acordando com você espalhada em todo o meu dia. Já não sei se isso dói como saudade ou como a dor estranha de quem chegou tão perto que perdeu o direito de chamar de perda. Você foi embora por bem? Ou foi embora porque não sabia ficar? Você vai voltar? Ou essa pergunta é só o jeito que a esperança aprendeu a doer? Chorar é a maneira que meu corpo encontra de aliviar a dor e perseverar mais um dia. E o tempo… Bom… tenho receio do tempo — não por mim, mas por você. De ele apagar tudo o que um dia eu fui ou poderia ter sido em você. E isso também passa sem pedir licença. —Lukaian Delfino NS.

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