20/08
Não era tristeza. Demorei para entender. Eu chorava e procurava uma perda, um nome, um adeus, qualquer explicação digna para justificar a água nos olhos. Mas não havia ninguém. Era eu. Eu diante de mim mesmo, como quem finalmente encontra um estranho conhecido sentado no escuro. E tive pena. Pena do homem que aprendeu a continuar antes de aprender a descansar. Do homem que ofereceu colo quando também queria um. Que chamou de força o hábito de não pedir ajuda. Tive pena das vezes em que transformei ausência em espera, espera em esperança, esperança em culpa e culpa em silêncio. Pena das coisas que perdi e, principalmente, das coisas que quase tive. Das versões de mim que morreram sem funeral, dos futuros que imaginei e nunca chegaram a nascer. Chorei por aquele homem que amou como quem aposta tudo mesmo sabendo que poderia perder. Chorei pelo homem que confundiu pertencimento com ser escolhido. Que passou tanto tempo querendo ser casa para alguém sem perceber que também morava em ruínas. E talvez seja isso que minhas lágrimas sabem e eu ainda não sabia dizer: não estou chorando porque minha vida acabou. Estou chorando porque finalmente percebi o quanto de mim eu abandonei enquanto tentava não abandonar ninguém. Por alguns minutos, eu não fui forte. Não fui racional. Não fui o homem que resolve. Não fui aquele que aconselha, que protege, que permanece. Fui apenas eu. E tive pena de mim. Não como quem pede piedade, mas como quem olha para um sobrevivente e, pela primeira vez, não pergunta: “Por que você ainda não superou?” Apenas se senta ao lado e diz: “Eu sei. Você passou por muita coisa.” Depois seca os olhos. Levanta. E continua. Porque talvez a verdadeira cura da autopiedade não seja parar de ter pena de si. Talvez seja chegar ao ponto em que você consegue olhar para si mesmo com algum... afeto o suficiente para não precisar mais sentir pena. —Lukaian Delfino NS.
Mizuno Skiadrum
belíssimo! parabéns