Entre o Sim, Não e o Silêncio.
Espero. E na espera, sou menos do que fui e mais do que gostaria de ser. Há um espaço entre o envio e a resposta onde a alma se alonga, como se quisesse caber no pensamento do outro. E eu, que nada sei, invento. Invento um “sim” que me aquece como sol de inverno — fraco, mas suficiente para não morrer de frio. E invento um “não” que me prepara para o deserto, onde já estive antes, onde aprendi a caminhar sem sombra. Mas o pior não é o sim nem o não. É este intervalo indeciso onde tudo pode ser e, por isso mesmo, tudo dói. Amo — ou penso amar — aquilo que ainda não me pertence, como quem se apaixona por uma casa vista apenas da calçada. Conheço as janelas, imagino os cômodos, decoro até o som dos passos que nunca dei lá dentro. E ainda assim digo: amo. Que palavra imprudente para algo que talvez nem exista. Talvez eu ame o que projeto, talvez eu ame o que falta, talvez eu ame o espaço que ela ocupa em mim Para além de tudo que ela já representa. E, no entanto, dói. Dói como se fosse real, como se o coração não soubesse distinguir presença de hipótese. Se for “sim”, direi que sempre soube. Se for “não”, direi que já esperava. Mas agora, neste exato ponto entre os dois, não sei nada — e sinto tudo. E é isso que me cansa: ser inteiro numa resposta que ainda não veio, que não vem. —Lukaian Delfino NS .
Nilza Poetisa
Eu li e reli tua poesia. Essa projeção da nossa alma confusa traz pro papel sentimentos indefinidos Mas muito intensos e que nos põe a refletir. E se... Como entendo esse E se... Ficou lindo, lindo a construção do poema Lu. Tenha uma ótima Páscoa 🤍
Lukaian Delfino NS
Obg! Só não é mais bonito porque tô vivendo ele, rs Boa Páscoa!!