Entre Esperar e Ir; triste Vou por Esperar demais.
Não sei dizer se cansei ou se finalmente senti. Não sei se desisto ou se só paro de me enganar. Só sei que esperar virou uma espécie de tortura silenciosa — dessas que não gritam, mas vão tirando pedaços. Eu acordo e penso: talvez hoje. E durmo com o mesmo pensamento, só que mais fraco, mais cansado, quase pedindo pra morrer. Não é sobre você. Ou talvez seja demais sobre você. É sobre esse espaço entre nós que nunca se preenche, esse quase que nunca termina de ser. Eu fico. Fico como quem aguarda uma sentença que não chega, como quem segura a respiração esperando um sinal que talvez nunca venha. E no meio disso tudo eu me perco. Porque uma parte de mim ainda acredita — idiota, teimosa, viva — que você vai virar e dizer: fica. E a outra já está indo embora, em silêncio, sem fazer barulho, sem olhar pra trás, porque sabe que ninguém chamou. E eu fico preso entre essas duas versões de mim, uma que espera e outra que desiste. Nenhuma vence. E o pior não é a dúvida. É o tempo. O tempo que passa enquanto eu não sou escolhido. O tempo que passa enquanto eu ainda escolho você. E talvez seja isso que mais dói: Não é te perder. É me ver ficando num lugar onde eu já não existo inteiro. — Lukaian Delfino NS.
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