Corpo celeste glorioso e atômico
Irmão sideral de longíguas etéreas
Guardo contigo, as mesmas matérias
Que dispões em teu vulto anatômico
Falas teúrgico, e eu, o adâmico
Restando a mim tão apenas o verso
Contudo a ti, foste dado o universo
E todo o mistério do mundo astronômico
Quis o princípio que aqui te fazias
Tornar-te o poeta de estrelas vazias
A vastidão cosmológica ao fim te encerra
Ah irmão meu não te esqueças do laço
És tu a partícula que morre no espaço
Sou eu a partícula que morre na terra!
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É o sol vermelho que me apavora
Quando a tarde possui o rio taciturno
As águas evocam o cântico noturno
E este réquiem solitário me devora
Eu vejo você, na tímida aurora
Na trêmula brisa que enferma me afaga
No apático céu, quando cinza se apaga
No rio, que subitamente chora
Mas eu desejo que você ame
Eu desejo que você perdoe
Eu desejo que fujas deste desterro...
E neste rio de distorcida natureza
Espero que reencontres a beleza
Onde eu só vi desespero (...)
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Doeu! como um golpe rasgando o coração
Dado lentamente sob o âmago do peito
Ali, quando a morte, com seu dedo direito
Triste! Me apontava teu caixão
E quis fechar os meus olhos ao fim
Para a mágoa que me rasgou em pedaços
Que nem a dor de todos os lazáros
Me falaram que doía assim
E o momento do teu enterro foi excruciante!
Quando a morte, com seus dedos de gigante
Levou-te sob as lágrimas brutais
Dói! De todas as formas, dói tanto
E agora, o que vai agravar esse meu pranto
E que não te verei nunca mais!
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Oh! Auroras negras de tormento
Que tinges meu passado em tons estranhos
Um dia, a ti velei meus sonhos
Num amarguíssimo sofrimento
Senti o frio arrependimento
Tocando a mão dos desiludidos
Quantos sorrisos não foram sentidos?
O que perdi naquele momento?
Como quem não pertence a nenhum lugar
Não me restou nada para lembrar
Da alvorada de semblante apático
Hoje, como um fantasma de alma ferida
Vou pintando a arte da minha vida
Num estilo torpe monocromático
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Sim, eu estou sozinho esta noite
Segurando uma foto com teu rosto
Apertando-a contra o meu peito
Na aspiração de te sentir
Sinto a falta do teu calor em meus braços
Quando os pesadelos te levavam até mim
Mas quando eu pensei que isso era para sempre
Você já pensava em partir
Na mesa agora impera o vazio anoréxico
Enquanto eu disputo um prato com a solidão
Escolho talheres e os coloco em tua cadeira
Para que a tua ausência me devore
Saiba que essa lamentação pertence a você
Nada mais me preenche sem a tua presença
O calor dessa última vela sob o teu túmulo
É tudo que tenho para acreditar quando a noite chega (...)
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Aonde vamos nesta estrada escura?
Enquanto as luzes da cidade se afastam
Duas mãos que não se tocam
Caminhando no asfalto frio
No asfalto frio
Ei
Eu estou do outro lado da estrada
No lugar que você me deixou
O amanhã está distante
Para iluminar o meu caminho
E eu preciso ouvir o som dos trovões
Sobre minha cabeça
Para seguir em frente mais uma vez
Eu sou a ilusão esquecida na rua
Uma sombra de verão
Consumida na chuva
Ei
Eu desapareci entre as árvores
Que costumavam estar aqui
A noite está carregada
Para escurecer o meu caminho
E eu preciso ouvir o som dos trovões
Sobre minha cabeça
Para seguir em frente mais uma vez
Aonde nos fomos nesta estrada escura?
Enquanto a cidade morria devagar
Duas almas que nunca se tocam
Eu fiquei sob o asfalto na chuva
E você correu para longe do Sol
Para longe do sol
Leandro Machado
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Rasgou o ventre e assim achou
A fresca vida que sentir devia
Tomou dos sonhos que a si nutria
E andou... andou....andou....
E tantos heróis ele idolatrou
Viu a mão de Teseu demolir Minotauro
Viu a nobre Atalanta destruir o Centauro
Mais quando Hamlet se apavorou (...)
De repente a seda idealista que o cobria
Tornou-se áspera, imunda e tão fria
Que seu lamento foi então profundo
Hoje, entre um e outro escarro
Ele acende na boca um novo cigarro
E nao se reconhece neste mundo
Leandro Machado
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Vai pobre Lázaro, segue tua sina
Segue trovando o teu desespero
É teu este verso é teu este enterro
E a noite longa e cruel te abomina
Espalha o envagelho da tua ruína
O que não te mata te torna mas forte
Até que a sombra te vista na morte
Que o peito cansado lhe torna inquilina
Vai e esta sina ingrata acomete
O fantasma que um dia assombrou Hamlet
Vive agora a espreita de si...
Podem os versos da lira esquecerem
E Todos os poetas malditos morrerem
Mas eu, não esquecerei de ti!
Leandro Machado
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Pobre cadáver da criação
Espectro mórbido da alma humana
Estas condenado em teu nirvana
A vagar a infinita dimensão
Monstro de sombria maldição
Que ao dia chora na agonia por conforto
E a noite deita no jazigo de um morto
Para sonhar com o medo e escuridão
E quando o breu derrota a luz desesperada
Tu surge assim, o Nosferatu da madrugada
Aprisionado à mais terrivel sorte
Tua tragédia é um teatro de tortura
E em ti eu vejo minha própria sepultura
Acimentada pelos selos da morte
Leandro Machado
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Em uma era horrivelmente fria
Por onde a luz se projetava abandonada
Na insustentável consciência do nada
Se projetava minha própria agonia
Como um oráculo, a existência eu via
Da criação dos espaços mais profundos
À formação subatômica dos mundos
Pelos olhares da cosmogonia
E na minha natureza sub-humana
Eu fui Mitra, Zeus, Rá e Bhrama
E o mistério dos princípios materias
- Agora, homem, anômala substância
- Quem és tu, para reclamar importância
- Entre todas as coisas universais?
Leandro Krauser
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