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Leandro

@Krauser · desde 2019

Um corpo, duas sombras....

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A Queda do Átomo

Corpo celeste glorioso e atômico Irmão sideral de longíguas etéreas Guardo contigo, as mesmas matérias Que dispões em teu vulto anatômico Falas teúrgico, e eu, o adâmico Restando a mim tão apenas o verso Contudo a ti, foste dado o universo E todo o mistério do mundo astronômico Quis o princípio que aqui te fazias Tornar-te o poeta de estrelas vazias A vastidão cosmológica ao fim te encerra Ah irmão meu não te esqueças do laço És tu a partícula que morre no espaço Sou eu a partícula que morre na terra!

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O Rio

É o sol vermelho que me apavora Quando a tarde possui o rio taciturno As águas evocam o cântico noturno E este réquiem solitário me devora Eu vejo você, na tímida aurora Na trêmula brisa que enferma me afaga No apático céu, quando cinza se apaga No rio, que subitamente chora Mas eu desejo que você ame Eu desejo que você perdoe Eu desejo que fujas deste desterro... E neste rio de distorcida natureza Espero que reencontres a beleza Onde eu só vi desespero (...)

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Nunca Mais

Doeu! como um golpe rasgando o coração Dado lentamente sob o âmago do peito Ali, quando a morte, com seu dedo direito Triste! Me apontava teu caixão E quis fechar os meus olhos ao fim Para a mágoa que me rasgou em pedaços Que nem a dor de todos os lazáros Me falaram que doía assim E o momento do teu enterro foi excruciante! Quando a morte, com seus dedos de gigante Levou-te sob as lágrimas brutais Dói! De todas as formas, dói tanto E agora, o que vai agravar esse meu pranto E que não te verei nunca mais!

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Infame

Oh! Auroras negras de tormento Que tinges meu passado em tons estranhos Um dia, a ti velei meus sonhos Num amarguíssimo sofrimento Senti o frio arrependimento Tocando a mão dos desiludidos Quantos sorrisos não foram sentidos? O que perdi naquele momento? Como quem não pertence a nenhum lugar Não me restou nada para lembrar Da alvorada de semblante apático Hoje, como um fantasma de alma ferida Vou pintando a arte da minha vida Num estilo torpe monocromático

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A Última Vela

Sim, eu estou sozinho esta noite Segurando uma foto com teu rosto Apertando-a contra o meu peito Na aspiração de te sentir Sinto a falta do teu calor em meus braços Quando os pesadelos te levavam até mim Mas quando eu pensei que isso era para sempre Você já pensava em partir Na mesa agora impera o vazio anoréxico Enquanto eu disputo um prato com a solidão Escolho talheres e os coloco em tua cadeira Para que a tua ausência me devore Saiba que essa lamentação pertence a você Nada mais me preenche sem a tua presença O calor dessa última vela sob o teu túmulo É tudo que tenho para acreditar quando a noite chega (...)

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A Sombra de Verão

Aonde vamos nesta estrada escura? Enquanto as luzes da cidade se afastam Duas mãos que não se tocam Caminhando no asfalto frio No asfalto frio Ei Eu estou do outro lado da estrada No lugar que você me deixou O amanhã está distante Para iluminar o meu caminho E eu preciso ouvir o som dos trovões Sobre minha cabeça Para seguir em frente mais uma vez Eu sou a ilusão esquecida na rua Uma sombra de verão Consumida na chuva Ei Eu desapareci entre as árvores Que costumavam estar aqui A noite está carregada Para escurecer o meu caminho E eu preciso ouvir o som dos trovões Sobre minha cabeça Para seguir em frente mais uma vez Aonde nos fomos nesta estrada escura? Enquanto a cidade morria devagar Duas almas que nunca se tocam Eu fiquei sob o asfalto na chuva E você correu para longe do Sol Para longe do sol Leandro Machado

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O Idealista

Rasgou o ventre e assim achou A fresca vida que sentir devia Tomou dos sonhos que a si nutria E andou... andou....andou.... E tantos heróis ele idolatrou Viu a mão de Teseu demolir Minotauro Viu a nobre Atalanta destruir o Centauro Mais quando Hamlet se apavorou (...) De repente a seda idealista que o cobria Tornou-se áspera, imunda e tão fria Que seu lamento foi então profundo Hoje, entre um e outro escarro Ele acende na boca um novo cigarro E nao se reconhece neste mundo Leandro Machado

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O Evangelho de Lázaro

Vai pobre Lázaro, segue tua sina Segue trovando o teu desespero É teu este verso é teu este enterro E a noite longa e cruel te abomina Espalha o envagelho da tua ruína O que não te mata te torna mas forte Até que a sombra te vista na morte Que o peito cansado lhe torna inquilina Vai e esta sina ingrata acomete O fantasma que um dia assombrou Hamlet Vive agora a espreita de si... Podem os versos da lira esquecerem E Todos os poetas malditos morrerem Mas eu, não esquecerei de ti! Leandro Machado

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A um Fantasma

Pobre cadáver da criação Espectro mórbido da alma humana Estas condenado em teu nirvana A vagar a infinita dimensão Monstro de sombria maldição Que ao dia chora na agonia por conforto E a noite deita no jazigo de um morto Para sonhar com o medo e escuridão E quando o breu derrota a luz desesperada Tu surge assim, o Nosferatu da madrugada Aprisionado à mais terrivel sorte Tua tragédia é um teatro de tortura E em ti eu vejo minha própria sepultura Acimentada pelos selos da morte Leandro Machado

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O Deus Átomo

Em uma era horrivelmente fria Por onde a luz se projetava abandonada Na insustentável consciência do nada Se projetava minha própria agonia Como um oráculo, a existência eu via Da criação dos espaços mais profundos À formação subatômica dos mundos Pelos olhares da cosmogonia E na minha natureza sub-humana Eu fui Mitra, Zeus, Rá e Bhrama E o mistério dos princípios materias - Agora, homem, anômala substância - Quem és tu, para reclamar importância - Entre todas as coisas universais? Leandro Krauser

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