Foto de BACCO

BACCO

@Hyde_j · desde 2019

O destino nos aguarda. Chegaremos lá como pobres coitados? Ou nos apresentaremos como reis e rainhas? nossas escolhas ditarão isso. IG-jo4o_p3dr

310 poemas 85 seguidores 80 seguindo

Seguir

Ressaca

Um sonho ou um respiro seria Morar tão tão distante Onde nada me prenda, nem mesmo eu Onde eu não tenha imagem, forma ou cor E adjetivos não me consagram isso ou aquilo Tão distante de mim quanto tudo que eu não conheça Que não me lembre esse amargo do passado e eu possa adoçar boas lembranças, livre Talvez reinventado possa ser otimizado Nada mais produtivo que começar do zero Onde meus sacrifícios valham a pena E eu me orgulhe de mim mesmo Não hajam cobranças além das minhas Não suporte responsabilidades além das minhas E eu possa sentir o aconchegante frio do meu abraço Tão, tão distante de tudo Que não sobre nada além de um eu que pra mim é tudo E que para os outros não seja nada.

Continuar lendo

O Crepusculo da Insanidade

A fera vagueia dentre ruínas e cinzas, sai à noite, caça sozinha. Diga, quem detém tamanha força, tamanho poder, de plasmar sua terrível simetria? Os momentos se encontram sozinhos, e minhas mãos não os sentem tanto quanto eu gostaria. Desprendem o antigo eu do novo eu, que se encontram sozinhos, e a sensação de vazio é o vácuo entre meus seres. Eu o sinto no ar à minha volta, no cheiro, acredito, no íntimo, inexistente. Sinto saudade, cortante como a navalha do tempo, suave como o correr dos dias, o soprar do vento, harmonia entre melodias. Apenas aquilo me sugere algo nostálgico: uma lembrança recente que se parece com a memória de infância há muito esquecida, ou algo esquecido que se refez recentemente. Também a obra de minha vida, meus olhares ao longínquo agora, onde nem mesmo sei o que olhar; meu vagar entre as estrelas de olhos alheios, ou o whisky ardente do meu pensamento. A voz latente, que suavemente vibra meus tímpanos, se assemelha à minha mãe, chorando. Tremo ao ouvir o pranto. Também choro. Também sou. Breve, espero. Salve-nos, pai, venha a nós. Nos tire da miséria dos dias e da vida em que nos abandonaste.

Continuar lendo

???

Rosa, acredite... Em você não há importância alguma, Nem para mim, nem para você, nem para ninguém. De forma geral você é literalmente mais uma; Mais uma pessoa Mais uma estudante Mais uma mulher... Mais uma entre bilhões, Uma que nasceu dentre incontáveis que nascerão. Alguém Que É Ninguém E assim como ninguém, Não é muito mais que nada. Então, Rosa, aproveite essa sua vida Afinal, somos pó E pó continuaremos.

Continuar lendo

Presente de grego

Presente de grego ~João Pedro~ Rasguei o peito em segredo, Enquanto refletia hoje cedo. Sem querer, me fiz indefeso, Contando as notas nos dedos, Querendo, quem sabe, margem Para ser mais que o enredo, Nem talvez protagonista, Talvez mais que um simples Pedro. — João, não negue nada a si mesmo, Afinal, é seu caminho. O destino é seu brinquedo. Não se contagie com a sorte Ou com o sonho alheio. Tijolo por tijolo, Pavimente o caminho todo E faça do seu fim O mais nobre e mais lindo enterro. Em meio aos mares, Bares sombrios me assombram; Visões de pilares podres Comprometendo a fundação. Em meio à guerra da vida, Gregas mandam um presente: Um gesto de amor troiano, Entregando-me um coração. — João, seja mais do que eu sou. Talvez valha a pena cultivar O que restou. Talvez o broto cresça, Talvez apareça uma flor, E talvez haja sentido Em ainda existir amor.

Continuar lendo

Requiem

Validei tanto a madrugada em meus Sonhos de mistério e desejo Tornei tão mágica suas sombras Seu silêncio e sua memória Que me esqueci de olhar para fora A magnificencia dos raios brancos No topo do mundo me banham Trazem vida espantando o frio da solidão Alimentam os pastos e as matas Coram a pele pálida da reclusão Destroem os vampiros almaticos que se alimentam da energia vital Iluminam sem ser iluminados Enquanto se sobrepõe a tudo Guiando sua carruagem ardente De leste a oeste, todos os dias Fazendo todos os seres saírem Girando esse carrossel errático Guiando novas oportunidades Enquanto traz mais um dia E depois, outra madrugada

Continuar lendo

Sonho

Ela vinha vindo, caindo Como um cometa de gelo e fogo Seus cabelos longos, cintilantes Dourados em meio às nuvens noturnas Reforçava a disputa acirrada Ou ela ou a lua Todo o amor do mundo Plasmado em sua figura Me lavava, levava, e transformava E ela caia ao céu, nua, pura De repente, ao sangue entregue Me olhava com uma serenidade angustiante Enquanto eu cantava, e cantava Ela no alto, me fitando, crucificada Seu sangue ardia e brilhava E eu cantava: Maria prometida Ela sorria Ela morria Ela Maria Em ciclos me matava

Continuar lendo

Falas de amante

E se eu me entregasse sem um porque Ou só me integrasse a você. Num gesto sólido, Como um pedido; Sem ter um motivo, ou só por querer. Nem mesmo um pedido Um desejo mútuo Entretanto pareça perdido Ao acaso, confuso Me unir à sua sombra Celebrar você. Um instante, um momento À passagem do tempo, um adendo: O infinito que tange você. Que rege o vazio de seus olhos Os comunistas os diriam: "nossos" E os ossos ressuscitariam pra ver. As ondas de seus humores Se quebrando na areia das dores Dando forma a você E no canto que atrai o homem O transcendental olhar de fome Que não se sacia, a não ser com você Eu te roubaria, em plena luz do meio dia Subiria aos altares da vida Recitaria milhares de poesias Unicamente pra ser presente E fazer parte de você.

Continuar lendo

Nasceu

Após o súbito ato rebelde O que me sobra é o cansaço E após a última injúria dita Me resta as consequências desses atos E, novamente, na base da montanha Olho a pedra e a subida E me imagino feliz, aqui em baixo, Talvez lá em cima. E aprendo que fazer é o único modo de ser E ser é o único modo de viver O João que faz finalmente nasceu Mas nasceu cansado Inquieto com esse mundo Cheio de nós para desatar Vazio de conversas que o regeneram Fora da presença dos iguais Se perguntando sobre pessoas No deserto interno de seu ser Onde há gente nesse mundo? Gente que não tem medo de assumir o que é Gente que não tem medo de abandonar o que é em razão de construir um ser melhor em si Gente sem preconceito e aberto a ouvir Gente que se dispõe a falar sobre mais que os temas corriqueiros Que querem mais que drogas, sexo e dinheiro Que procuram algo verdadeiramente verdadeiro mesmo sem saber o que Me sinto só em meio as multidões Instagramicas

Continuar lendo

O balde

Nunca busquei em mim o que queria Sempre considerei tudo alheio a mim Como um balde, vazio Buscando se encher de algo Buscando saber Quem mais se orgulham de conter o que? Quem faz faltar, no mais, verdade? Quem carrega aquilo que julga bom E onde está a certeza? O balde, vazio, não era vazio E não sabia; Nenhum balde é vazio. Cabe a ele observar-se E relacionar seu conteúdo à realidade Cabe a ele julgar que te faz cheio o que te esvazia E o que te seca E o que te mata Se até o balde é abstrato, Que me diz seu conteúdo?

Continuar lendo

Confissoes

Não escreverei mais poemas até que não sobre nada de quem sou, e fragmente minha alma e me torne tão somente um cão que somente é cão. Dito isso: observe atentamente o suicídio lento de um verme, que em meio a podridão, existe. Tão real quanto essa existência, que nos cerca, é sua indiferença, vadia, completamente alheia A cada minuto, de cada dia, esse peso essa pressão, tudo, Tudo envenena, drena minha alma, me mata. Recentemente, quase que como uma fraqueza, Senti minha alma, em meu corpo, debilitada Quebrada, uma parte perdida, depois mais rala, Menos concentrada, menos eu. Poucas experiências, como um velório de um pai, Um dia inesperado, tem o poder necessário para partir uma alma, e a minha foi partida. Dês de então, a cada dia a alma vaza, Se torna menos, pereço. E tornam-se inúteis os versos, os planos, a mente. E o que me resta é crer em mim; coisa que jamais farei. Já não acredito em mais nada, que tudo também sucumba. Pois agora a natureza, que existe, será o tudo. E que me queime o rosto, o sol E sua chuva molhe meu peito. Tão somente o vento remexerá meus cabelos, E o que tiver de vir, que venha, E o que não vier, que não venha, E que a comédia divina da existência se foda Eu renego seu paraíso, Abdico seu maldito inferno. Queimarei vossa casa, Construirei meu castelo das cinzas e assim morrerei. Por cima de seu mundo, fundarei meu mundo, Encima de suas regras, gravarei minhas regras, Acima de seus planos, definirei meus planos. E assim me consagro meu Deus. Sorrirei a seguir meus planos Ao calço de meus desejos. E assim será pelos séculos dos séculos, Amém

Continuar lendo