BACCO @Hyde_j

Confissoes

Não escreverei mais poemas até que não sobre nada de quem sou, e fragmente minha alma e me torne tão somente um cão que somente é cão. Dito isso: observe atentamente o suicídio lento de um verme, que em meio a podridão, existe. Tão real quanto essa existência, que nos cerca, é sua indiferença, vadia, completamente alheia A cada minuto, de cada dia, esse peso essa pressão, tudo, Tudo envenena, drena minha alma, me mata. Recentemente, quase que como uma fraqueza, Senti minha alma, em meu corpo, debilitada Quebrada, uma parte perdida, depois mais rala, Menos concentrada, menos eu. Poucas experiências, como um velório de um pai, Um dia inesperado, tem o poder necessário para partir uma alma, e a minha foi partida. Dês de então, a cada dia a alma vaza, Se torna menos, pereço. E tornam-se inúteis os versos, os planos, a mente. E o que me resta é crer em mim; coisa que jamais farei. Já não acredito em mais nada, que tudo também sucumba. Pois agora a natureza, que existe, será o tudo. E que me queime o rosto, o sol E sua chuva molhe meu peito. Tão somente o vento remexerá meus cabelos, E o que tiver de vir, que venha, E o que não vier, que não venha, E que a comédia divina da existência se foda Eu renego seu paraíso, Abdico seu maldito inferno. Queimarei vossa casa, Construirei meu castelo das cinzas e assim morrerei. Por cima de seu mundo, fundarei meu mundo, Encima de suas regras, gravarei minhas regras, Acima de seus planos, definirei meus planos. E assim me consagro meu Deus. Sorrirei a seguir meus planos Ao calço de meus desejos. E assim será pelos séculos dos séculos, Amém

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