Falas de amante
E se eu me entregasse sem um porque Ou só me integrasse a você. Num gesto sólido, Como um pedido; Sem ter um motivo, ou só por querer. Nem mesmo um pedido Um desejo mútuo Entretanto pareça perdido Ao acaso, confuso Me unir à sua sombra Celebrar você. Um instante, um momento À passagem do tempo, um adendo: O infinito que tange você. Que rege o vazio de seus olhos Os comunistas os diriam: "nossos" E os ossos ressuscitariam pra ver. As ondas de seus humores Se quebrando na areia das dores Dando forma a você E no canto que atrai o homem O transcendental olhar de fome Que não se sacia, a não ser com você Eu te roubaria, em plena luz do meio dia Subiria aos altares da vida Recitaria milhares de poesias Unicamente pra ser presente E fazer parte de você.
Guilherme Daniel
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