BACCO @Hyde_j

O Crepusculo da Insanidade

A fera vagueia dentre ruínas e cinzas, sai à noite, caça sozinha. Diga, quem detém tamanha força, tamanho poder, de plasmar sua terrível simetria? Os momentos se encontram sozinhos, e minhas mãos não os sentem tanto quanto eu gostaria. Desprendem o antigo eu do novo eu, que se encontram sozinhos, e a sensação de vazio é o vácuo entre meus seres. Eu o sinto no ar à minha volta, no cheiro, acredito, no íntimo, inexistente. Sinto saudade, cortante como a navalha do tempo, suave como o correr dos dias, o soprar do vento, harmonia entre melodias. Apenas aquilo me sugere algo nostálgico: uma lembrança recente que se parece com a memória de infância há muito esquecida, ou algo esquecido que se refez recentemente. Também a obra de minha vida, meus olhares ao longínquo agora, onde nem mesmo sei o que olhar; meu vagar entre as estrelas de olhos alheios, ou o whisky ardente do meu pensamento. A voz latente, que suavemente vibra meus tímpanos, se assemelha à minha mãe, chorando. Tremo ao ouvir o pranto. Também choro. Também sou. Breve, espero. Salve-nos, pai, venha a nós. Nos tire da miséria dos dias e da vida em que nos abandonaste.

Comentários · 1

  1. Nilza Poetisa

    Que poema lindo Tocante e profundo Bravíssimo Hyde 👏👏👏🤍