Foto de Gabriel R

Gabriel R

@Gabriel_Rf · desde 2021

34 poemas 15 seguidores 13 seguindo

Seguir

Sons e canções

Entre chuvas e trovões Relâmpagos e sentimentos Que faço eu se sou um laivo desta cachoeira Uma gotícula na cidade velha Um sentimento que logo se acabará Este sou eu Areia na ampulheta a decair e esvaziar para o andar de baixo Criando um mundo na ponta da caneta Confortável e confuso Nao sei se sou difuso Apenas te confundo Com minhas verdades ilusórias postas nessa alma sem fundo Os pensamentos fazem competiçao com a chuva Para ver quem chega primeiro em meu caderno As lágrimas acolhem o jardim sereno A poesia toma conta das dores que sufocam o meu terreno E sao palavras, que produzem o meu doce castelo Edificantes Tais quais as imagens ressucitadas em meu coracao Durante as tempestades E as vaidades almejadas A chuva dispara ventos Nao serei mais nada, só vejo a chuva e o trovão em colisão no firmamento.

Continuar lendo

O farol da noite

Graças a Deus chegou o meu momento Guardo então as memórias Em uma caixa de vento Só sobrou meu cômodo azul A porta torta Uma sombra e a penumbra das minhas respostas O abajur para nortear os meus passos Ele fica superior aos meus cabelos Iluminando, em um amarelo monótono, os meus dedos destemidos que navegam nessas folhas Esta é a minha noite, desenhada em traços.

Continuar lendo
Morte

Morte estrelada

Uma alma que foi embora para os céus Mas que nessa noite bifurcou o meu coração Em um lado eu te encontrava Feliz, motivada e ativa No outro estava preenchida pelas flores apagadas em torno de si Teu corpo se perdia por entre minhas lágrimas Era ao céu que eu pedia para que teu sorriso voltasse! Na madrugada pós feriado Eu penso em te ligar Contar a vez que errei Assim escutaria tua voz decifrando o meu estrondo em mera história a ser falada Você era o doce das ventanias A canção que eu precisava! A poesia na doença, resposta que eu necessitava. Quero levar teu nome para sempre em meu âmago Pois é nele em que penso para salvar minha alma despedaçada Ó pureza! Tu és a morte estrelada!

Continuar lendo

Feedback

Boa noite poetas e poetisas, o que tão achando dos meus textos? Deixe aqui abaixo sua crítica literaria.

Arte

A solidão das frutas

Fruta roxa, vermelha e gris Nasce por todos os breus, moradia dos grilos e beijos insolúveis Laranjeira fragmentada Posta sob a mesa que nos oferece vida E ar puro morte distante, mas estrelas cadentes. Banana nascida junto ao pôr do sol Que também traz minha fé e a vontade das maçãs tornarem-se poderosas. O abacate encara a mim Com toda sua insensatez esverdeada e textura montanhosa A planta marfim Terminando seu ciclo na acerola, vermelha como a tinta inócua do meu pé Flauta oca na casca da graviola Disparando poesia nas irregularidades de sua forma A quem isso se comunica? Se não com o absurdo do meu espírito Vago como és E cego como estavas. Galáxia apaziguada sob a ausência das perspectivas. Sabor ácido da laranja diluída És meu fascínio diário É meu espelho a me transformar, com base na água dos sais E no vestido dos cais azulejados Corre sobre o armário a palidez dos cataventos Dispara o meu gatilho sob os braços de vênus Ó, fruta de minha inquietude Fruta que descuide E os sinais então fecham Minhas mãos perdem o controle E acordo de meus leves pesadelos

Continuar lendo

Na calada da boca

A dor que ameaça o ego Avassala o corpo Mas aquieta o cérebro A dor que paira nas pernas E cala a tua boca para que tudo não pareça nada Por dentro: universo destituído de estrelas Cadência morna, alma velada no sossego das vozes. Sinto a dor que afeta minhas vísceras Aflige as vértebras Facho cortante nas fíbulas Desejo que fosse uma mera fábula Com fadas e asas Quem sabe eu não a transforme em siĺaba? Gritar seria da minha vontade Do leste ao oeste Cometer uma atrocidade.

Continuar lendo

Por inteiro

Se fossemos tão sós  a solidao em pó  que sol seriamos nós? mas se fossemos íntegros, sem pedaços a resolver  em que limbo estariamos?  mas se cantassemos vós  sobre as pedras que há em nós, que mais alma gritaria? e se corressemos nós  para longe de vós aonde pararíamos? Mas longe de ti, há apenas as trevas e as marcas do escuro do meu quarto  E tu, que és tu, sendo tu Incendeia o meu coração inexplicavelmente  Mas tu também, que nao conheço, ainda há de me oferecer algo no infimo do teu ser.

Continuar lendo

A matéria e o movimento

Nesse mundo eu nada sou O que me estranha é que em nenhum momento posso deixar de ser Me cobram profissão, respostas para o meu futuro na ponta da caneta Esta, que escreve no formulário a ser preenchido nesse momento E o que me assasina é sempre o desejo incompreendido pelas palavras que me fascina Não consigo digerir o texto de modo a preencher as vísceras do meu estomâgo Beijo lentamente as palavras que fissuram um espaço No beco da minha alma Daí resulta nessa amálgama sentimental que por horas eternas me apetece Moro por tempo indeterminado no universo de desentendimento que as letras se provocam Quando estão postas umas sobre as outras Emanando horror, paz, guerra, colapso e gozo Vida e confusão Tristeza pelo tempo que ficou aprisionado na porta Assim é a linguagem Sem som, mas tu escuta a voz que escrevo Grito abafado nessa tinta escura que te mancha as mãos Feito de sangue de enfermo Sem imagem, mas tu contempla a visão que te evoca Aos sentidos dispersos Porém imersos nesta claustrofóbica folha que te prende até o fim da linha E tu traz contigo a velha casa que morou O filho que adotou A cerca que pulou para conhecer o mundo a fora Todos os teus anseios metafísicos Toda a tua dor que ninguém se importa, mas que jura que nestas páginas teu coração vai se encontrar Assim como faz agora Assim é como fez sempre neste ciclo malicioso da vida Poesia é perder-se na matéria em movimento e procurar resto de si na estação do trem Assim, faz-se moradia naquilo que te evocou mais vida.

Continuar lendo

Um país em busca de si

Criar um novo rosto para Deus Abrir mão do papel que insiste em perseguir Mas resistir também à ilusão da não vaidade Os que morrem mais cedo são os jovens Não chegaram até a esquina Então os assistimos daqui, uma corrida para aonde nem sabe a morte Vendo que suas decisões podiam terem sido outras Mas já foi tarde de mais, eu sou um país que nem sabe mais para onde ir E é dificil aquele medo da bala não refletir Por um acaso somos finitos, mas de repente (e futilmente) aceleramos o pé na estrada Sem receio do que viria, a consequência: população encarcerada Meu corpo não está mais tensionado ao teu Nosso beijo deverá que ter hora marcada Me deixe na porta é o que te peço A minha alma jamais esteve em mãos erradas E nessas ruas onde o mal é uma criança Disfarçadamente sou uma sombra que insiste em ficar atrás dos corpos mais dóceis Na esperança de encontrar alguém que não precisa me seguir apenas para levar o que tenho É em teu coraçao que vou morar Essa é a resposta da tua questão que agora me faz Nessa solidão de bem que há já encontrei o meu lugar Sem armas ou furacões Nem o diabo você criou, a liberdade aqui é tudo o que existw Teu seio é o meu país que nunca mais vou encontrar Escondam os espinhos Verão que sem eles o mundo faz mais sentido Não é necessario você morrer, só basta vê que ver o sol já é um motivo para viver.

Continuar lendo
Política

Discursos confundíveis

O som incompreensível da política E os mesmos dados a serem lançados Posições outrora já vistas Uma tática de guerra e o povo já cansado Muito mais que personalidades Mitos, símbolos e necessidades urgem Daí surgem as seduções para os que crêem É Deus o amor ou um meio? As armas são as aliadas Os corpos são estradas que cada vez mais desaparecem Sem nenhum olhar, apodrecem. Assim é que morrem, idólatras.

Continuar lendo