Entre chuvas e trovões
Relâmpagos e sentimentos
Que faço eu se sou um laivo desta cachoeira
Uma gotícula na cidade velha
Um sentimento que logo se acabará
Este sou eu
Areia na ampulheta a decair e esvaziar para o andar de baixo
Criando um mundo na ponta da caneta
Confortável e confuso
Nao sei se sou difuso
Apenas te confundo
Com minhas verdades ilusórias postas nessa alma sem fundo
Os pensamentos fazem competiçao com a chuva
Para ver quem chega primeiro em meu caderno
As lágrimas acolhem o jardim sereno
A poesia toma conta das dores que sufocam o meu terreno
E sao palavras, que produzem o meu doce castelo
Edificantes
Tais quais as imagens ressucitadas em meu coracao
Durante as tempestades
E as vaidades almejadas
A chuva dispara ventos
Nao serei mais nada, só vejo a chuva e o trovão em colisão no firmamento.
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Graças a Deus chegou o meu momento
Guardo então as memórias
Em uma caixa de vento
Só sobrou meu cômodo azul
A porta torta
Uma sombra e a penumbra das minhas respostas
O abajur para nortear os meus passos
Ele fica superior aos meus cabelos
Iluminando, em um amarelo monótono, os meus dedos destemidos que navegam nessas folhas
Esta é a minha noite, desenhada em traços.
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Uma alma que foi embora para os céus
Mas que nessa noite bifurcou o meu coração
Em um lado eu te encontrava
Feliz, motivada e ativa
No outro estava preenchida pelas flores apagadas em torno de si
Teu corpo se perdia por entre minhas lágrimas
Era ao céu que eu pedia para que teu sorriso voltasse!
Na madrugada pós feriado
Eu penso em te ligar
Contar a vez que errei
Assim escutaria tua voz decifrando o meu estrondo em mera história a ser falada
Você era o doce das ventanias
A canção que eu precisava!
A poesia na doença, resposta que eu necessitava.
Quero levar teu nome para sempre em meu âmago
Pois é nele em que penso para salvar minha alma despedaçada
Ó pureza!
Tu és a morte estrelada!
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Boa noite poetas e poetisas, o que tão achando dos meus textos? Deixe aqui abaixo sua crítica literaria.
Fruta roxa, vermelha e gris
Nasce por todos os breus, moradia dos grilos e beijos insolúveis
Laranjeira fragmentada
Posta sob a mesa que nos oferece vida
E ar puro morte distante, mas estrelas cadentes.
Banana nascida junto ao pôr do sol
Que também traz minha fé
e a vontade das maçãs tornarem-se poderosas.
O abacate encara a mim
Com toda sua insensatez esverdeada e textura montanhosa
A planta marfim
Terminando seu ciclo na acerola, vermelha como a tinta inócua do meu pé
Flauta oca na casca da graviola
Disparando poesia nas irregularidades de sua forma
A quem isso se comunica?
Se não com o absurdo do meu espírito
Vago como és
E cego como estavas.
Galáxia apaziguada sob a ausência das perspectivas.
Sabor ácido da laranja diluída
És meu fascínio diário
É meu espelho a me transformar, com base na água dos sais
E no vestido dos cais azulejados
Corre sobre o armário a palidez dos cataventos
Dispara o meu gatilho sob os braços de vênus
Ó, fruta de minha inquietude
Fruta que descuide
E os sinais então fecham
Minhas mãos perdem o controle
E acordo de meus leves pesadelos
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A dor que ameaça o ego
Avassala o corpo
Mas aquieta o cérebro
A dor que paira nas pernas
E cala a tua boca para que tudo não pareça nada
Por dentro: universo destituído de estrelas
Cadência morna, alma velada no sossego das vozes.
Sinto a dor que afeta minhas vísceras
Aflige as vértebras
Facho cortante nas fíbulas
Desejo que fosse uma mera fábula
Com fadas e asas
Quem sabe eu não a transforme em siĺaba?
Gritar seria da minha vontade
Do leste ao oeste
Cometer uma atrocidade.
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Se fossemos tão sós
a solidao em pó
que sol seriamos nós?
mas se fossemos íntegros, sem pedaços a resolver
em que limbo estariamos?
mas se cantassemos vós
sobre as pedras que há em nós, que mais alma gritaria?
e se corressemos nós
para longe de vós
aonde pararíamos?
Mas longe de ti, há apenas as trevas e as marcas do escuro do meu quarto
E tu, que és tu, sendo tu
Incendeia o meu coração inexplicavelmente
Mas tu também, que nao conheço, ainda há de me oferecer algo no infimo do teu ser.
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Nesse mundo eu nada sou
O que me estranha é que em nenhum momento posso deixar de ser
Me cobram profissão, respostas para o meu futuro na ponta da caneta
Esta, que escreve no formulário a ser preenchido nesse momento
E o que me assasina é sempre o desejo incompreendido pelas palavras que me fascina
Não consigo digerir o texto de modo a preencher as vísceras do meu estomâgo
Beijo lentamente as palavras que fissuram um espaço
No beco da minha alma
Daí resulta nessa amálgama sentimental que por horas eternas me apetece
Moro por tempo indeterminado no universo de desentendimento que as letras se provocam
Quando estão postas umas sobre as outras
Emanando horror, paz, guerra, colapso e gozo
Vida e confusão
Tristeza pelo tempo que ficou aprisionado na porta
Assim é a linguagem
Sem som, mas tu escuta a voz que escrevo
Grito abafado nessa tinta escura que te mancha as mãos
Feito de sangue de enfermo
Sem imagem, mas tu contempla a visão que te evoca
Aos sentidos dispersos
Porém imersos nesta claustrofóbica folha que te prende até o fim da linha
E tu traz contigo a velha casa que morou
O filho que adotou
A cerca que pulou para conhecer o mundo a fora
Todos os teus anseios metafísicos
Toda a tua dor que ninguém se importa, mas que jura que nestas páginas teu coração vai se encontrar
Assim como faz agora
Assim é como fez sempre neste ciclo malicioso da vida
Poesia é perder-se na matéria em movimento e procurar resto de si na estação do trem
Assim, faz-se moradia naquilo que te evocou mais vida.
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Criar um novo rosto para Deus
Abrir mão do papel que insiste em perseguir
Mas resistir também à ilusão da não vaidade
Os que morrem mais cedo são os jovens
Não chegaram até a esquina
Então os assistimos daqui, uma corrida para aonde nem sabe a morte
Vendo que suas decisões podiam terem sido outras
Mas já foi tarde de mais, eu sou um país que nem sabe mais para onde ir
E é dificil aquele medo da bala não refletir
Por um acaso somos finitos, mas de repente (e futilmente) aceleramos o pé na estrada
Sem receio do que viria, a consequência: população encarcerada
Meu corpo não está mais tensionado ao teu
Nosso beijo deverá que ter hora marcada
Me deixe na porta é o que te peço
A minha alma jamais esteve em mãos erradas
E nessas ruas onde o mal é uma criança
Disfarçadamente sou uma sombra que insiste em ficar atrás dos corpos mais dóceis
Na esperança de encontrar alguém que não precisa me seguir
apenas para levar o que tenho
É em teu coraçao que vou morar
Essa é a resposta da tua questão que agora me faz
Nessa solidão de bem que há já encontrei o meu lugar
Sem armas ou furacões
Nem o diabo você criou, a liberdade aqui é tudo o que existw
Teu seio é o meu país que nunca mais vou encontrar
Escondam os espinhos
Verão que sem eles o mundo faz mais sentido
Não é necessario você morrer, só basta vê que ver o sol já é um motivo para viver.
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O som incompreensível da política
E os mesmos dados a serem lançados
Posições outrora já vistas
Uma tática de guerra e o povo já cansado
Muito mais que personalidades
Mitos, símbolos e necessidades urgem
Daí surgem as seduções para os que crêem
É Deus o amor ou um meio?
As armas são as aliadas
Os corpos são estradas que cada vez mais desaparecem
Sem nenhum olhar, apodrecem.
Assim é que morrem, idólatras.
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