A solidão das frutas
Fruta roxa, vermelha e gris Nasce por todos os breus, moradia dos grilos e beijos insolúveis Laranjeira fragmentada Posta sob a mesa que nos oferece vida E ar puro morte distante, mas estrelas cadentes. Banana nascida junto ao pôr do sol Que também traz minha fé e a vontade das maçãs tornarem-se poderosas. O abacate encara a mim Com toda sua insensatez esverdeada e textura montanhosa A planta marfim Terminando seu ciclo na acerola, vermelha como a tinta inócua do meu pé Flauta oca na casca da graviola Disparando poesia nas irregularidades de sua forma A quem isso se comunica? Se não com o absurdo do meu espírito Vago como és E cego como estavas. Galáxia apaziguada sob a ausência das perspectivas. Sabor ácido da laranja diluída És meu fascínio diário É meu espelho a me transformar, com base na água dos sais E no vestido dos cais azulejados Corre sobre o armário a palidez dos cataventos Dispara o meu gatilho sob os braços de vênus Ó, fruta de minha inquietude Fruta que descuide E os sinais então fecham Minhas mãos perdem o controle E acordo de meus leves pesadelos
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