Foto de Bel

Bel

@BelLeva · desde 2020

Página no Instagram com trechos de livros e curiosidades: https://www.instagram.com/p/CAqZKYIDrcj/?igshid=9kr1ya8yp9j8

104 poemas 61 seguidores 52 seguindo

Seguir

Soneto do desamor

Há um charme qualquer No desamor, Haja o que houver, É sempre uma dor. Tu me olhas, Mas não me vês inteira, Não percebe quando me tocas, E sempre a mesma besteira... Tu sabes, eu sei... Mas nada muda, E eu me sinto mal. E agora já comecei, A cair neste sinal, Desta dor aguda.

Continuar lendo

Paradoxo

Tanto esforço aplicado Para cultivar um amor, Até o peito apertado Aquecer como um cobertor. Esse amor quentinho... Que nasce das palavras de carinho, Das pequenas coisas lembradas, Do dia a dia... O amor que te faz andar distancias, Sorrir sem motivo, Oferecer lembranças, Agradecer por estar vivo... Esse amor... Que devanece, Que se esquece, Nos pequenos atos, Sem perceber... Como uma flor amarela, Ou de qualquer cor, Que demora a florescer, E logo o vento vai levsndo, As pétalas frágeis... Esse amor doído, Que sempre rompe do lado mais fraco. De repente, essa luta vã Chega ao limite, A batalha vencida, Desafios superados... Uma pena, O amor não é um jogo, Mas alguém pode se machucar, De dentro pra fora, E acabar sentada num banco qualquer, De coração partido. Escrevendo poemas sem sentido, Fumando cigarros desesperados, Com medo do silêncio, Com medo do fantasma quase palpável Da indiferênça. Porque sabemos, O amor não deveria doer, Mas sempre dói. Alguém me diga, Por que? Por que ficar? Por que esperar até que machuque? Se já começou a doer.

Continuar lendo

Traidora

Certa vez eu implorei Para ter amor E como isso me quebrou em tantos e tantos pedaços... Ao menor sinal de desamor, Todas as feridas se abrem. Dependente. Emocionalmente instável. Sensível à contrariedade. É o que a terapeuta diz. Procurar por experiências, Novas, saudáveis... E na primeira oportunidade, Mergulhei em mares profundos, Obscuros... Vai ser diferente, Eu digo, Toda vez que as feridas se abrem... Mas não vai. Porque eu mesma não mudei. Ainda sou a mesma. A mesma menina carente, Que internaliza a dor, Sujeita a rejeição... Ainda sou intensa demais, Abraçando cactos, Embora seja um balão... Mas sabe... Só dessa vez, Eu gostaria que não doesse, Eu realmente gostaria de ser amada. Como mereço... Só dessa vez, Eu não queria ir embora. Só dessa vez, Eu não quero ser a traidora, De mim mesma, Porque a dor arrasadora, Arranca pedaços, É grotesca. O silêncio, a indiferença, Prenúncio da dor.

Continuar lendo
Amor

Alvo

Poemas, desenhos, livros Sorrisos, perfumes e abraços Eu sou uma pessoa intensa Meu amor é tudo que posso dar De peito aberto, explodo Sem condições de limitar... Eu amo... In (felizmente) Seu coração quebrado, Sua alma dolorida Que ela deixou sofrida, E eu não posso consertar. A mulher dos cabelos escuros, Mais alta e mais bonita, O seu tipo perfeito, Que eu nunca serei. Dor. Eu tenho o cheiro de carência, A dor de uma ilusão, E tu me olhas, E enxerga um alvo fácil? A certeza de controle? Alguém quebrado demais Para não ir embora? É o que sou? Ou como me vês? Manipulável... Sinto-me flutuar Com linhas invisíveis Movimentando o meu ser... Fantoche. Uma menina carente Num céu estrelado E ainda que eu tente Agora tudo está estragado.

Continuar lendo

Insistente

Podes me escrever, Falar dos tempos passados, De como teus beijos me enfraqueciam Embora seja empenho vão, Como as flores que esmoreciam No teu jardim sem cuidados. Meu amor foi murchando, Sem luz, Sem a umidade Ou o conforto do teu querer. E nada. Agora é o que resta para nós. O nada. E as gotas de chuvas Um dia vão provar Que eu te amei. Ou amei uma ideia de ti. O leitor inteligente, De voz grave e cabelos longos, Eu te amava. Pretérito imperfeito, condicional... Amava porque me encolheste Como os trovões encolhem Os barulhos da chuva E agora, insistes, E eu não vou, Não moverei os músculos Das fibras cardíacas Para amar o perdido Que deixou encardido O meu coração.

Continuar lendo

Eu guardei todas as memórias

Eu tenho um jeito estranho Memorizo as coisas mais tolas Traço caminhos desenhados Com tinta infinita neste plano... Tropeço pelas escolhas Derramo lágrimas pelos telhados De casas construídas na memória. Meus versos intimistas, Meu zelo pela tristeza Tudo vai e volta... Não esrou livre das amarras depressivas Nem isenta das correntes ansiosas. Apesar de esquecida, Meu amor, Eu guardo toda memória. Cada palavra escrita ou falada Cada pequeno gesto e olhar, Eu lembro. E vai demorar um tempo enorme Para que eu te esqueça de todo. Dizes com palavras amarguradas Que a vida não é um conto de fadas E é verdade, sabemos. Não existe eternidade. Nem amor que não acabe, Mas eu vou esperar aqui Para que digas as palavras, Corte este laço, Que eu não vou desfazer. É tempo curto Meu coração desesperado Correndo na tua direção, Com assombro de perder. Eu tenho abandonado o curso Do rio sem maresia Para nadar contra a maré E procurar uma forma única De dizer que te amo. E já se vão versos, Desenhos e Livros. Já se levam os beijos, Toques e suspiros. E nem uma dessas linguas É capaz de dizer, O quanto te tenho amado. Se ao menos pudesses ver Se um segundo sentisse como eu Saberias que em face do maior sofrer Meu medo é perder De repente, calado, o teu amor. Então, perdoa meu comportamento Desconcertante Voraz, Elétrico. Desculpa-me ser decepcionante. Como pessoa real Fora das letras, Fora dos meus traços. Meu jeito é desleixado, É fato. Mas eu me lembro. E guardo todas as memórias.

Continuar lendo

Prisão

Existe uma prisão Pairando sobre mim, Nela há correntes invisíveis, Que só eu vejo no fim... Mil correntes em procissão Todas frias, insensíveis... A cada passo sincero de amor A prisão insiste em lembrar Que está viva, Que é funda a minha dor Que vai me roubar o ar E hoje eu vou morrer. Minha prisão é solitária, E nela eu não quero mais ninguém Afasto qualquer alma voluntária Que se candidate a refém... Esta prisão terrível, É uma condenação... Nela tu não cabes, querido Cabe só meu coração.

Continuar lendo

Tu fazes chover

A tua presença indecisa Hoje já não me afeta. Nem esse teu silêncio terrível. Sempre que apareces, chove Em referência ao teu jeito esnobe Como uma pedra gigante De gelo intransponível que faz chover dentro de mim, Como podes ser tão ruim? Será uma maldade intrínseca? Será uma falta de compromisso Ou só um patético omisso? Eu não o odeio, Embora também não sinto mais Todo aquele sentimento Que arrastava com passo lento Ano após ano Verso atrás de verso, Dor. Tu trazes a neve em pleno verão Teus olhos negativos São como os efeitos de choque térmico No bolo que está no fogão... Murcha... Na minha poesia de amor Tu só cabes onde há tristeza. Entre os alimentos, Tu supostamente és a cebola... Agora sim, eu entendo Tinhas mesmo razão, E eu te faço uma promessa: Nenhum dos meus versos Será triste outra vez Por tua causa Nem pelas tuas camisas pálidas Que combinam exatamente Com a cor da tua alma.

Continuar lendo

Micromundo Ilusóris

Meus sentimentos, embora confusos, são verdadeiros. O amor não é para mim, porque a minha forma de amar é a entrega total, uma chama gigantesca que devora tudo e me destrói. Tu apareceste e confundiste a realidade. Assim, criei um micromundo para caber nós dois, como um universo paralelo, uma pequena galáxia onde vamos habitar sem sofrimento, sem dor. A galáxia Ilusóris. Neste cosmo inventado, tu me amas perdidamente e me olha como se eu fosse linda. Parados, um diante do outro, eu te vejo sorrir e meu peito infla, enche de ardor, eu quero me fundir a ti, quero te prender em mim e não soltar nunca mais. O teu cheiro é a atmosfera inebriante que mantem a minha ilusão viva. É possível que tu não me ames, que eu não seja mais do que uma das tantas garotas que já passaram pela sua cama. Esse pensamento é recorrente, é doloroso. Embora seja uma possibilidade, no meu universo platônico, tu só escreves para mim, teus beijos só meus, e todo amor do mundo, só se faz entre nós dois. Um dia eu sei que um asteróide chamado Realidade vai matar minha ilusão, como aos dinossauros, e paleontólogos descobrirão neste solo infértil, os fósseis do meu amor unilateral.

Continuar lendo

Bloqueio finalizado com sucesso

Eu não imaginava Que poderia tentar de novo Há muito não conseiderava Este desejar tão bobo... Contrariando o bom senso E todo esse medo imenso... Tu me tomaste de surpresa Plantando sementes Neste solo tão infértil... Surpreendendo a natureza Elas germinaram. Meus olhos se fecharam, E cada célula do meu corpo sentiu Quando suas mãos deslizaram, Pelo meu torso... E seus lábios macios, Cruzaram minha boca, E todas as reações flutuando Nessa química carnal... Umidade. Tu falas de amor, Mas me fodeste com força, E cada pedaço do meu corpo dolorido Lembra-me o teu toque. Roubaste o meu senso, Minhas rimas e toda métrica No memento que encontrate O caminho dentro de mim, Esse caminho quente e úmido Essa rota de vozes arrastadas Esse gosto doce de desejo Que eu não quero olvidar. Estou em pleno vício De querer-te sobre mim.

Continuar lendo