Há um charme qualquer
No desamor,
Haja o que houver,
É sempre uma dor.
Tu me olhas,
Mas não me vês inteira,
Não percebe quando me tocas,
E sempre a mesma besteira...
Tu sabes, eu sei...
Mas nada muda,
E eu me sinto mal.
E agora já comecei,
A cair neste sinal,
Desta dor aguda.
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Tanto esforço aplicado
Para cultivar um amor,
Até o peito apertado
Aquecer como um cobertor.
Esse amor quentinho...
Que nasce das palavras de carinho,
Das pequenas coisas lembradas,
Do dia a dia...
O amor que te faz andar distancias,
Sorrir sem motivo,
Oferecer lembranças,
Agradecer por estar vivo...
Esse amor...
Que devanece,
Que se esquece,
Nos pequenos atos,
Sem perceber...
Como uma flor amarela,
Ou de qualquer cor,
Que demora a florescer,
E logo o vento vai levsndo,
As pétalas frágeis...
Esse amor doído,
Que sempre rompe
do lado mais fraco.
De repente, essa luta vã
Chega ao limite,
A batalha vencida,
Desafios superados...
Uma pena,
O amor não é um jogo,
Mas alguém pode se machucar,
De dentro pra fora,
E acabar sentada num banco qualquer,
De coração partido.
Escrevendo poemas sem sentido,
Fumando cigarros desesperados,
Com medo do silêncio,
Com medo do fantasma quase palpável
Da indiferênça.
Porque sabemos,
O amor não deveria doer,
Mas sempre dói.
Alguém me diga,
Por que?
Por que ficar?
Por que esperar até que machuque?
Se já começou a doer.
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Certa vez eu implorei
Para ter amor
E como isso me quebrou
em tantos e tantos pedaços...
Ao menor sinal de desamor,
Todas as feridas se abrem.
Dependente.
Emocionalmente instável.
Sensível à contrariedade.
É o que a terapeuta diz.
Procurar por experiências,
Novas, saudáveis...
E na primeira oportunidade,
Mergulhei em mares profundos,
Obscuros...
Vai ser diferente,
Eu digo,
Toda vez que as feridas se abrem...
Mas não vai.
Porque eu mesma não mudei.
Ainda sou a mesma.
A mesma menina carente,
Que internaliza a dor,
Sujeita a rejeição...
Ainda sou intensa demais,
Abraçando cactos,
Embora seja um balão...
Mas sabe...
Só dessa vez,
Eu gostaria que não doesse,
Eu realmente gostaria de ser amada.
Como mereço...
Só dessa vez,
Eu não queria ir embora.
Só dessa vez,
Eu não quero ser a traidora,
De mim mesma,
Porque a dor arrasadora,
Arranca pedaços,
É grotesca.
O silêncio, a indiferença,
Prenúncio da dor.
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Poemas, desenhos, livros
Sorrisos, perfumes e abraços
Eu sou uma pessoa intensa
Meu amor é tudo que posso dar
De peito aberto, explodo
Sem condições de limitar...
Eu amo...
In (felizmente)
Seu coração quebrado,
Sua alma dolorida
Que ela deixou sofrida,
E eu não posso consertar.
A mulher dos cabelos escuros,
Mais alta e mais bonita,
O seu tipo perfeito,
Que eu nunca serei.
Dor.
Eu tenho o cheiro de carência,
A dor de uma ilusão,
E tu me olhas,
E enxerga um alvo fácil?
A certeza de controle?
Alguém quebrado demais
Para não ir embora?
É o que sou?
Ou como me vês?
Manipulável...
Sinto-me flutuar
Com linhas invisíveis
Movimentando o meu ser...
Fantoche.
Uma menina carente
Num céu estrelado
E ainda que eu tente
Agora tudo está estragado.
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Podes me escrever,
Falar dos tempos passados,
De como teus beijos me enfraqueciam
Embora seja empenho vão,
Como as flores que esmoreciam
No teu jardim sem cuidados.
Meu amor foi murchando,
Sem luz,
Sem a umidade
Ou o conforto do teu querer.
E nada.
Agora é o que resta para nós.
O nada.
E as gotas de chuvas
Um dia vão provar
Que eu te amei.
Ou amei uma ideia de ti.
O leitor inteligente,
De voz grave e cabelos longos,
Eu te amava.
Pretérito imperfeito, condicional...
Amava porque me encolheste
Como os trovões encolhem
Os barulhos da chuva
E agora, insistes,
E eu não vou,
Não moverei os músculos
Das fibras cardíacas
Para amar o perdido
Que deixou encardido
O meu coração.
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Eu tenho um jeito estranho
Memorizo as coisas mais tolas
Traço caminhos desenhados
Com tinta infinita neste plano...
Tropeço pelas escolhas
Derramo lágrimas pelos telhados
De casas construídas na memória.
Meus versos intimistas,
Meu zelo pela tristeza
Tudo vai e volta...
Não esrou livre das amarras depressivas
Nem isenta das correntes ansiosas.
Apesar de esquecida,
Meu amor,
Eu guardo toda memória.
Cada palavra escrita ou falada
Cada pequeno gesto e olhar,
Eu lembro.
E vai demorar um tempo enorme
Para que eu te esqueça de todo.
Dizes com palavras amarguradas
Que a vida não é um conto de fadas
E é verdade, sabemos.
Não existe eternidade.
Nem amor que não acabe,
Mas eu vou esperar aqui
Para que digas as palavras,
Corte este laço,
Que eu não vou desfazer.
É tempo curto
Meu coração desesperado
Correndo na tua direção,
Com assombro de perder.
Eu tenho abandonado o curso
Do rio sem maresia
Para nadar contra a maré
E procurar uma forma única
De dizer que te amo.
E já se vão versos,
Desenhos e
Livros.
Já se levam os beijos,
Toques e suspiros.
E nem uma dessas linguas
É capaz de dizer,
O quanto te tenho amado.
Se ao menos pudesses ver
Se um segundo sentisse como eu
Saberias que em face do maior sofrer
Meu medo é perder
De repente, calado, o teu amor.
Então, perdoa meu comportamento
Desconcertante
Voraz,
Elétrico.
Desculpa-me ser decepcionante.
Como pessoa real
Fora das letras,
Fora dos meus traços.
Meu jeito é desleixado,
É fato.
Mas eu me lembro.
E guardo todas as memórias.
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Existe uma prisão
Pairando sobre mim,
Nela há correntes invisíveis,
Que só eu vejo no fim...
Mil correntes em procissão
Todas frias, insensíveis...
A cada passo sincero de amor
A prisão insiste em lembrar
Que está viva,
Que é funda a minha dor
Que vai me roubar o ar
E hoje eu vou morrer.
Minha prisão é solitária,
E nela eu não quero mais ninguém
Afasto qualquer alma voluntária
Que se candidate a refém...
Esta prisão terrível,
É uma condenação...
Nela tu não cabes, querido
Cabe só meu coração.
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A tua presença indecisa
Hoje já não me afeta.
Nem esse teu silêncio terrível.
Sempre que apareces, chove
Em referência ao teu jeito esnobe
Como uma pedra gigante
De gelo intransponível
que faz chover dentro de mim,
Como podes ser tão ruim?
Será uma maldade intrínseca?
Será uma falta de compromisso
Ou só um patético omisso?
Eu não o odeio,
Embora também não sinto mais
Todo aquele sentimento
Que arrastava com passo lento
Ano após ano
Verso atrás de verso,
Dor.
Tu trazes a neve em pleno verão
Teus olhos negativos
São como os efeitos de choque térmico
No bolo que está no fogão...
Murcha...
Na minha poesia de amor
Tu só cabes onde há tristeza.
Entre os alimentos,
Tu supostamente és a cebola...
Agora sim, eu entendo
Tinhas mesmo razão,
E eu te faço uma promessa:
Nenhum dos meus versos
Será triste outra vez
Por tua causa
Nem pelas tuas camisas pálidas
Que combinam exatamente
Com a cor da tua alma.
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Meus sentimentos, embora confusos, são verdadeiros. O amor não é para mim, porque a minha forma de amar é a entrega total, uma chama gigantesca que devora tudo e me destrói.
Tu apareceste e confundiste a realidade. Assim, criei um micromundo para caber nós dois, como um universo paralelo, uma pequena galáxia onde vamos habitar sem sofrimento, sem dor. A galáxia Ilusóris.
Neste cosmo inventado, tu me amas perdidamente e me olha como se eu fosse linda. Parados, um diante do outro, eu te vejo sorrir e meu peito infla, enche de ardor, eu quero me fundir a ti, quero te prender em mim e não soltar nunca mais.
O teu cheiro é a atmosfera inebriante que mantem a minha ilusão viva.
É possível que tu não me ames, que eu não seja mais do que uma das tantas garotas que já passaram pela sua cama. Esse pensamento é recorrente, é doloroso.
Embora seja uma possibilidade, no meu universo platônico, tu só escreves para mim, teus beijos só meus, e todo amor do mundo, só se faz entre nós dois.
Um dia eu sei que um asteróide chamado Realidade vai matar minha ilusão, como aos dinossauros, e paleontólogos descobrirão neste solo infértil, os fósseis do meu amor unilateral.
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Eu não imaginava
Que poderia tentar de novo
Há muito não conseiderava
Este desejar tão bobo...
Contrariando o bom senso
E todo esse medo imenso...
Tu me tomaste de surpresa
Plantando sementes
Neste solo tão infértil...
Surpreendendo a natureza
Elas germinaram.
Meus olhos se fecharam,
E cada célula do meu corpo sentiu
Quando suas mãos deslizaram,
Pelo meu torso...
E seus lábios macios,
Cruzaram minha boca,
E todas as reações flutuando
Nessa química carnal...
Umidade.
Tu falas de amor,
Mas me fodeste com força,
E cada pedaço do meu corpo dolorido
Lembra-me o teu toque.
Roubaste o meu senso,
Minhas rimas e toda métrica
No memento que encontrate
O caminho dentro de mim,
Esse caminho quente e úmido
Essa rota de vozes arrastadas
Esse gosto doce de desejo
Que eu não quero olvidar.
Estou em pleno vício
De querer-te sobre mim.
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