Bel @BelLeva

Eu guardei todas as memórias

Eu tenho um jeito estranho Memorizo as coisas mais tolas Traço caminhos desenhados Com tinta infinita neste plano... Tropeço pelas escolhas Derramo lágrimas pelos telhados De casas construídas na memória. Meus versos intimistas, Meu zelo pela tristeza Tudo vai e volta... Não esrou livre das amarras depressivas Nem isenta das correntes ansiosas. Apesar de esquecida, Meu amor, Eu guardo toda memória. Cada palavra escrita ou falada Cada pequeno gesto e olhar, Eu lembro. E vai demorar um tempo enorme Para que eu te esqueça de todo. Dizes com palavras amarguradas Que a vida não é um conto de fadas E é verdade, sabemos. Não existe eternidade. Nem amor que não acabe, Mas eu vou esperar aqui Para que digas as palavras, Corte este laço, Que eu não vou desfazer. É tempo curto Meu coração desesperado Correndo na tua direção, Com assombro de perder. Eu tenho abandonado o curso Do rio sem maresia Para nadar contra a maré E procurar uma forma única De dizer que te amo. E já se vão versos, Desenhos e Livros. Já se levam os beijos, Toques e suspiros. E nem uma dessas linguas É capaz de dizer, O quanto te tenho amado. Se ao menos pudesses ver Se um segundo sentisse como eu Saberias que em face do maior sofrer Meu medo é perder De repente, calado, o teu amor. Então, perdoa meu comportamento Desconcertante Voraz, Elétrico. Desculpa-me ser decepcionante. Como pessoa real Fora das letras, Fora dos meus traços. Meu jeito é desleixado, É fato. Mas eu me lembro. E guardo todas as memórias.

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