Aqui desta sacada,
analiso a vida.
A visão de tudo abaixo dos meus pés,
situações e situações
que me fizeram...
aqui subir.
É estranho, de minha parte, aqui estar.
E é ainda mais estranho
pensar em simplesmente pular.
Em como seria relaxante a queda,
o vento a rasgar,
meu corpo a flutuar.
Não falo de prédios
nem de sacadas nesta história.
É engraçado pensar
que o valor a gente vê
apenas quando perde.
Mas e se, simplesmente,
algo não valesse tanto
quanto você esperava?
Por isso esta menina aqui escreve.
Afinal, minha mente encontra-se em greve,
e o ar que luto para juntar
tem como objetivo me sufocar.
Cansei de estar
e pensar.
Não me atrevo a falar,
muito menos a analisar
aquilo que minha mente...
Ela vem a lembrar.
Apaguei doce amizade
quando, no final,
eu deveria era ter deixado lá
e ignorado.
Até porque nunca se importou?
Ou simplesmente cansou
de se achar o salvador?
Complexo de herói
que apenas me causou dor?
Não sei dizer,
muito menos explicar.
Mas em nada venho a falar.
Venho sentir.
Demonstrar.
Será que, no fim,
não importava tanto assim?
— Vaiolett
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Que baita situação!
Nunca mais tento entender a questão.
Afinal, vim eu resolver a situação
e...
acabou em um baita climão.
Ser honesta
e acabar nessa situação...
Coloquei em suas mãos
aquilo que me afligia,
mas você fez
aquilo que achou que devia.
Confusão, quem diria!
Cheguei a pensar
que fui eu a tropeçar,
mas, ao lembrar e recordar,
vi que não cheguei a falar.
E não tem como errar,
pois minha mente fotográfica
não me deixa duvidar.
Palavras em minha boca
você veio a colocar:
aquilo que minha mente
se lembra de não falar...
Agora só vem a complicar.
Enfim, venho a anotar
e sabe?
Não é tão ruim
sozinha ficar...
Então, não vamos complicar,
nem sequer socializar.
Bora aqui ficar.
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Sala Vazia
Sala vazia.
Cadeiras sem dono.
Barulho de chuva.
Ventilador parado,
sem movimentos.
Luzes acesas para mim.
Quadro limpo
e porta fechada.
No canto da sala
está a menina.
Cabelos negros.
Pele cor de paçoca.
Casaco grande e roxo.
Um guarda-chuva quebrado
encostado ao lado.
Menina.
Menina...
A sonhadora.
A amiga.
A bela morena.
Analiso sua postura,
seu sorriso
e seu jeito de,
em meio à solidão,
transformar aquilo que assola tantos
em companhia.
Ela não liga de estar ali.
Naquela sala.
Em uma segunda.
Segunda chuvosa.
Segunda vazia.
Segunda...
Uma noite fria e chuvosa.
E a bela menina
de olhos...
Olhos de jabuticaba.
Observa.
Observa a sala.
Ouve as vozes
misturadas à chuva,
gerando seu próprio
ruído branco.
Mente vazia.
Não vazia de ideias,
mas vazia de preocupações.
Mente sonolenta.
Mente tranquila.
Um descanso
após a loucura.
Ou simplesmente
a intensidade da vida.
Quem será você,
linda menina?
Será você aquela
que precisa de companhia?
Ou apenas aquela
que encontra conforto
em meio ao vazio?
O que tanto escreve
nesse bloco de notas?
Menina.
Menina...
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Meu pai é pastor. Daqueles que usam terno e tudo. Anda de social, bem arrumado. Um preto estiloso.
Hoje, ele usa um terno lindo.
Porém, a gravata...
Ela não combina.
Não combina com a roupa.
E isso me irrita, porque, cada dia que passa, eu vejo ele colocar uma gravata nada a ver, que não combina e nem faz sentido usar.
Será proposital?
E, nessa analogia, eu só penso:
Que estar com alguém não significa que essa pessoa combine com você ou que seja a ideal para você.
Mas, ao mesmo tempo, isso me faz pensar que combinar nem sempre é essencial.
Numa imensa formalidade, onde se tem terno, camisa social e um belo sapato também social, o quebra-clima é a gravata que não combina.
E quero dizer que a vida é assim: nem sempre vamos encontrar aquilo que combina.
Até porque todos nós temos um estilo duvidoso, eu diria.
Eu sou eclética, nunca presa a um só estilo. Visto o que me convém e aquilo em que me sinto bem.
Sem isso de:
“Você não pode usar isso!”
Sério que a roupa está larga demais? Ou não acha curta demais?
Enfim, quero um quebra-clima para a minha vida. Alguém fora dos padrões que me foram impostos pela minha família.
Juro, meus pais já estiveram sentados à mesa com alguém que queria arranjar um casamento para mim.
SÉRIO: ARRANJADO!
Sem a minha presença e a do indivíduo.
Em que século estamos para que isso ainda seja, sei lá, comum?
Enfim, meu pai, com todo o seu autocontrole, levantou-se e educadamente recusou.
Até porque, se os pais estavam planejando casar o filho deles com alguém aleatório, é porque coisa boa ele não deve ser.
E não me leve a mal.
Longe de mim julgar.
Mas, quando for para ser, será.
Espero que antes dos 30.
Recuso-me a casar depois disso e ainda ter filhos.
JAMAIS!
Quero correr bem longe da área de gravidez de risco.
Bom, meus negos, é isso!
Até o próximo capítulo do conto desse erudito bem vivido.
Continuar lendo
Velho cascalho.
Velho horário.
Velha cidade.
Rua vazia.
Vazia de carros.
Vazia de pessoas.
Cidade fantasma,
onde permanecem apenas
velhas...
almas.
Já angustiadas.
Já ultrapassadas.
Outrora, não mais lembradas.
À minha direita, avisto...
Um salgueiro
em um gramado extenso e verde.
E o que me chama a atenção?
O quê? Você me pergunta.
E eu digo:
O
banco.
Vazio.
Sozinho.
Embaixo de uma grande árvore.
Outrora, havia
alguém.
Não eu.
Muito menos você.
Mas alguém.
Alguém que ali sonhou,
desejou,
almejou,
vivenciou,
experimentou.
Porém, agora, ali está
o banco.
Vazio.
Velho.
Inutilizável.
Onde tudo o que resta
é passar,
observar
e talvez, por um instante,
desejar que nele possa sentar.
À minha esquerda,
vejo...
Uma velha casa.
Um velho celeiro,
que agora não é nada além de um enfeite.
Um curral
onde já não há cavalo,
nem capataz.
E, ao lado,
reside uma imensa árvore.
Também isolada.
Também esquecida.
Porém, ainda vista.
Mesmo sem ter a quem abrigar
em seus dias mais ensolarados,
ainda insiste em fazer sombra,
esperando ansiosamente
que alguém se abrigue ali.
Não muito perto,
porém também não muito longe,
há uma pequena cabana.
Seria ali apenas
um lugar esquecido?
Onde sua única função
se tornou esconder
memórias não vividas
e acontecimentos passados?
Em meio a uma fraca garoa,
abro meu guarda-chuva.
Outrora quebrado,
porém agora trocado
por um que realmente
irá me proteger da chuva.
A única questão é:
Será que minha alma e meu corpo
se encontram tão leves
ao ponto de que esse vento
me leve?
Nessa rua,
nessa estrada,
empenho-me em terminar
minha jornada da UBS até em casa.
Com um guia de exames em mãos,
um guarda-chuva de coração
e um vento que insiste
em desprender meus pés do chão.
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Hoje não me atrasei.
Porém, aqui, em pé, fiquei
esperando alguém.
Quem?
Minha professora, é claro,
para entrar nesse estágio.
Estágio demorado,
porém por mim desejado.
Espero aqui pacientemente
para, enfim, atender meus pacientes,
dos quais preciso ser paciente e prestativa
para fazer sua “alegria”,
tirar um pouco do peso de suas vidas
e lhes fazer um pouco de companhia.
Nessa solene noite,
quero dizer que...
Que...
Nossa, que anamnese é essa, gente?!
A professora insiste em acrescentar
coisas novas, eu diria, ao meu trabalho.
Onde mora?
Com quem mora?
Que tipo de câncer?
Qual religião?
É casado, solteiro ou viúvo?
Dorme?
Céus, é tanta informação que me perco
nos sentidos!
Será que não estou investigando sua vida?
Na próxima,
me passa o número e a senha do cartão
que eu vou dizer:
“Poxa, era só uma prestação!”
Hoje, dois pacientes com muitos remédios,
e ela quer que eu seja apressada com tudo.
Porém, né...
Eu aqui sou devagar demais
para toda essa aceleração.
Afinal, não quero acabar matando alguém.
Pedir para ter pressa
é pedir para esquecer, pular...
Enfim...
Peguei dois pacientes hoje:
A e B.
O A, reconheci como cristão
pelo jeito de falar,
de agir
e conversar.
Prestativo.
Objetivo.
Amigo.
E, em seus 69 anos,
trazia-me
paz,
alegria
e calma.
Afinal, ele era tudo isso
e um pouco mais.
Ao atendê-lo e examiná-lo,
na hora de sair,
poxa, ele insistiu em me abençoar.
Abençoou
minha vida,
minha profissão,
minhas mãos
e meu coração.
Abençoou meu futuro,
por onde eu fosse,
por onde eu chegasse,
pois ali abençoada eu seria.
Disse que amei
e desejei que dali
ele saísse bem,
que a alta chegasse
e que se recuperasse
rápido e bem.
O B era católico,
tranquilo e calmo.
Falava que era uma maravilha.
Mesmo sem saber o que perguntar,
me perguntava.
Perguntou duas vezes
qual era a sua temperatura.
Era um amigo mui querido,
daqueles que chegam a dar
um ânimo ali.
Também desejei e falei:
“Espero que saia daqui
bem e saudável.”
E assim foi minha noite.
Espero que tenha sido bom
para quem atendi.
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Olá.
Aqui quem te escreve é Violett.
Escrevo a ti esta carta, Pipoca, tu que me mostraste o que é o amor, mesmo quando eu era ingênua demais para compreender que aquilo que sentia por ti já era amor.
Peço desculpas pela minha inocência, pelo meu descaso e, sobretudo, pela minha covardia. Pois, embora soubesse que me amavas e que eu também te amava de volta, fui incapaz de assumir meus sentimentos.
Entreguei-te. Entreguei a pessoa que amava com todo o meu coração, aquela que, em minha tristeza, me trazia alegria e, em minha solidão, fazia-me companhia. Meu melhor amigo, embora, no fundo, ambos soubéssemos que significávamos muito mais do que isso um para o outro.
Sinto muito. De verdade.
Mas como poderia eu assumir-te, se minha querida dama de companhia também te desejava? Como poderia confessar esse amor quando ela também sonhava contigo? E assim, por pura covardia, entreguei a ela aquilo que eu mesma desejava viver contigo.
Mesmo tendo te conhecido antes que ela te amasse, não tive coragem de dizer que te amava.
Só consegui fazê-lo em nossa despedida, quando te entreguei meu sentimento mais sincero junto ao meu primeiro beijo e ao meu primeiro amor.
Sinto muito pelo nosso amor, que não teve a história que merecia.
Talvez, só talvez, o universo não seja assim tão cruel. Talvez um dia ele me leve até ti ou te traga de volta a mim.
Não esconderei nem negarei esse amor. Afinal, sinto que és tu. Tu, aquele a quem espero do outro lado daquele campo de trigo. Aquele que transforma momentos banais em sentimentos honestos e verdadeiros.
Meu caro cavaleiro, aquele que segura minha mão e manda embora o medo.
Se algum dia estas palavras chegarem a ti, espero que saibas: eu te amei. Mesmo quando não soube dizer. Mesmo quando te deixei partir.
Então será que espero por ti, meu primeiro amor, ou por alguém que me faça sentir novamente como me senti contigo?
Me responda por favor
Com carinho,
Violett
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— Por que você a ama?
Porque…
Quando meus olhos encontram os dela,
meu coração fraco e apaixonado
erra a batida,
saindo do seu típico compasso.
E minha mente…
Sério, ela simplesmente se perde
na imensidão de sua beleza.
Fico boba? Sim.
Fico trouxa? Talvez.
Idiota? Claro,
porém somente por você.
Seus olhos…
Que olhos!
Vejo neles aquilo que,
em minha mente e coração,
está tão claro.
Querida, o brilho que neles há
serve como farol,
guiando-me nesse oceano de emoções.
E, em meio à densa escuridão,
seus olhos me mostram o caminho.
O caminho para casa.
Para você.
E o seu sorriso…
Céus, seu sorriso!
É belo.
Lindo.
Maravilhoso, eu diria.
Como viveria eu sem contemplá-lo?
Ou ao menos vê-lo?
Seria cruel.
Em meio à minha angústia,
seu sorriso me traz
paz,
conforto,
alegria.
E seus lábios…
Dos quais saem doces palavras
e que me deixam louca
para provar de sua maciez.
É você, querida?
É você quem faz meu coração acelerar
ao simples som de sua respiração
junto ao meu ouvido?
E meus pulmões…
Céus!
Eles parecem perder todo o ar que guardam,
e todo o fôlego que tenho
se vai ao seu simples toque.
Dançaria comigo?
Dançaria ao som
das batidas do meu coração?
Então venha, querida.
Vamos dançar.
Vamos dançar nesse ritmo absinto.
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Estou com a sensação
de que chegarei atrasada em meu estágio hoje.
É um dia daqueles.
Sabe…
Dias em que o tempo não passa,
pessoas se exaltam
e acidentes…
Eles se tornam
muito,
mas muito
mais propícios a acontecer.
Lá vou eu
em um ônibus
que, por fora, é novo,
mas por dentro, barulhento.
Parece que, a qualquer momento,
vai desmontar.
Peça por peça.
Às vezes me sinto como ele.
Aparento ser aquilo que sou:
uma garota autêntica,
cheia de confiança,
sem medos,
sem rancor
ou ressentimentos.
Porém, quando vista por dentro…
Espera.
Espera o quê, menina?
A queda.
A hora em que se desmontará.
A hora em que não restará mais nada no lugar.
Onde haverá apenas a estrutura.
Sem rodas para andar.
Sem algo para protegê-la do vento.
Apenas alguns ferros
que sobraram do que antes era um ônibus.
Um ônibus que andava.
Que levava.
Que carregava consigo
jovens sonhadores.
Mas que hoje está ali,
jogado,
esperando o momento
de ser levado para um ferro-velho.
Porém…
Não pode ele ser consertado?
Reestruturado?
Afinal, ele carregava
memórias,
sonhos
e esperanças.
Pobre e podre ilusão
de um mundo
sem descasos
ou simplesmente desinteresses.
Por favor…
Mandem-me para uma oficina.
Não para o ferro-velho.
Onde serei apenas mais um entulho
em meio a outros
que deixaram de sonhar.
Se vier a me consertar,
prometo.
Mas prometo mesmo:
nunca mais quebrar.
Então, por favor…
Mecânico,
rogo que venha me ajudar.
Que minhas falhas
venha consertar.
Por favor.
Continuar lendo
Hoje fiz um amigo.
Querido, provavelmente tem a idade do meu pai.
Ele é parecido com meus parentes.
É, galera, ele é preto.
E, como sempre digo:
se é preto, não tem como não ser legal.
Nessa noite fenomenal,
dei-lhe um beijo na bochecha e um abraço.
Parti para a minha viagem.
Agora preciso escrever.
Passei um bom tempo sem entender,
compreender,
me entender.
Ou melhor,
sem ter uma conversa com alguém
que não fosse:
“Você não pode isso.”
“Você não pode aquilo.”
Enfim…
Sinto muito.
Lamento.
Ou melhor…
Não sinto.
E muito menos lamento.
Sou, sim,
legal,
educada
e prestativa.
O que é que você queria, afinal?
Em meu sangue corre bondade e esperança,
companheirismo e solidariedade.
Penso.
E Analiso.
Não preciso que me diga
que não posso ajudar uma senhora
a atravessar a rua.
Ou uma mulher que está tendo um dia difícil,
E precisa de ajuda
Pra pedir um Uber.
Não posso segurar um bebê
para a mãe comer?
Aff…
Quer que eu trabalhe,
quer que eu pare de ser boa,
quer que eu siga suas vontades,
aceite suas ideias,
não tenha opinião
e ainda me tire o direito
de dizer sim ou não?
Mas que droga de situação!
Você não é meu pai,
minha mãe
ou meu irmão.
Porém, insiste
em sobrepor sua opinião à minha.
Pague minhas contas, querida,
assim poderás cuidar da minha vida.
gaguejo às vezes,
não é medo.
É genética.
Eu converso.
Sim.
Mas também me calo.
Me calo diante da sua insignificância
e da sua tentativa de controlar minha vida.
Quer me foder, querida?
Me chame para um café
ou quem sabe um jantar.
Logo de antemão,
já falo a ti, meu irmão:
Seu cinismo e seu hipocrisismo,
eu sei,
já percebi isso.
Não tem por que deixar clara sua opinião
se ela, de antemão,
apenas serve de bastão
para atingir as boas intenções
daquele que lhe oferece a mão.
Então, por favor,
plante em sua horta aquilo que lhe convém.
Longe da minha, eu digo!
E nem venha me dizer
o que devo plantar na minha.
Afinal, sou intolerante
ao seu cinismo
e à sua hipocrisia.
Mas, já que estamos todos na mesma batida…
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