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Vida

A gravata que não combina

Meu pai é pastor. Daqueles que usam terno e tudo. Anda de social, bem arrumado. Um preto estiloso. Hoje, ele usa um terno lindo. Porém, a gravata... Ela não combina. Não combina com a roupa. E isso me irrita, porque, cada dia que passa, eu vejo ele colocar uma gravata nada a ver, que não combina e nem faz sentido usar. Será proposital? E, nessa analogia, eu só penso: Que estar com alguém não significa que essa pessoa combine com você ou que seja a ideal para você. Mas, ao mesmo tempo, isso me faz pensar que combinar nem sempre é essencial. Numa imensa formalidade, onde se tem terno, camisa social e um belo sapato também social, o quebra-clima é a gravata que não combina. E quero dizer que a vida é assim: nem sempre vamos encontrar aquilo que combina. Até porque todos nós temos um estilo duvidoso, eu diria. Eu sou eclética, nunca presa a um só estilo. Visto o que me convém e aquilo em que me sinto bem. Sem isso de: “Você não pode usar isso!” Sério que a roupa está larga demais? Ou não acha curta demais? Enfim, quero um quebra-clima para a minha vida. Alguém fora dos padrões que me foram impostos pela minha família. Juro, meus pais já estiveram sentados à mesa com alguém que queria arranjar um casamento para mim. SÉRIO: ARRANJADO! Sem a minha presença e a do indivíduo. Em que século estamos para que isso ainda seja, sei lá, comum? Enfim, meu pai, com todo o seu autocontrole, levantou-se e educadamente recusou. Até porque, se os pais estavam planejando casar o filho deles com alguém aleatório, é porque coisa boa ele não deve ser. E não me leve a mal. Longe de mim julgar. Mas, quando for para ser, será. Espero que antes dos 30. Recuso-me a casar depois disso e ainda ter filhos. JAMAIS! Quero correr bem longe da área de gravidez de risco. Bom, meus negos, é isso! Até o próximo capítulo do conto desse erudito bem vivido. -Vaiolett

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