Velho Cascalho
Velho cascalho. Velho horário. Velha cidade. Rua vazia. Vazia de carros. Vazia de pessoas. Cidade fantasma, onde permanecem apenas velhas... almas. Já angustiadas. Já ultrapassadas. Outrora, não mais lembradas. À minha direita, avisto... Um salgueiro em um gramado extenso e verde. E o que me chama a atenção? O quê? Você me pergunta. E eu digo: O banco. Vazio. Sozinho. Embaixo de uma grande árvore. Outrora, havia alguém. Não eu. Muito menos você. Mas alguém. Alguém que ali sonhou, desejou, almejou, vivenciou, experimentou. Porém, agora, ali está o banco. Vazio. Velho. Inutilizável. Onde tudo o que resta é passar, observar e talvez, por um instante, desejar que nele possa sentar. À minha esquerda, vejo... Uma velha casa. Um velho celeiro, que agora não é nada além de um enfeite. Um curral onde já não há cavalo, nem capataz. E, ao lado, reside uma imensa árvore. Também isolada. Também esquecida. Porém, ainda vista. Mesmo sem ter a quem abrigar em seus dias mais ensolarados, ainda insiste em fazer sombra, esperando ansiosamente que alguém se abrigue ali. Não muito perto, porém também não muito longe, há uma pequena cabana. Seria ali apenas um lugar esquecido? Onde sua única função se tornou esconder memórias não vividas e acontecimentos passados? Em meio a uma fraca garoa, abro meu guarda-chuva. Outrora quebrado, porém agora trocado por um que realmente irá me proteger da chuva. A única questão é: Será que minha alma e meu corpo se encontram tão leves ao ponto de que esse vento me leve? Nessa rua, nessa estrada, empenho-me em terminar minha jornada da UBS até em casa. Com um guia de exames em mãos, um guarda-chuva de coração e um vento que insiste em desprender meus pés do chão.
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