O suor frio em minha testa escorre cortante por todo o meu corpo.
O arrepio em minha espinha evidencia a urgência em parir um eu selvagem que já não cabe mais no útero e me rasga em busca de sua essência.
Mal engatinha e já pesa nos braços.
Descarta segurar a saia de sua progenitora e anseia por bater suas asas para longe, pois sabe que será a única responsável por trocar suas fraldas,
cuidar de seus machucados e se dar de comer,
até que sua hora chegue e haja de dormir no além,
para sempre,
consigo,
levando na memória suas longas e doloridas metamorfoses,
bem como a certeza de que morreu se parindo até o fim.
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Nossa espécie é o fumante e o próprio objeto do vício.
Acomodado num lugar qualquer,
o homem traga a si mesmo e se põe aceso entre os dentes.
As faíscas de sua complexidade o incendeiam meio a fumaça de pensar sobre a própria existência.
Seus fótons o guiam nesse eterno "morre e vive" proporcional ao gozo de se sugar.
No fim,
o que se é não se encontra nos livros,
portanto,
é a única coisa que se pode ensinar.
Ensine.
Permita-se.
Fume.
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Como uma fênix,
habituei-me às cinzas das minhas mortes
e à forma como as mesmas eram solo fértil
para a posterior ressurreição.
Sou feto que vive alimentado
no ventre sinuoso da vida
na mesma proporção em que sinto-me,
por vezes,
abortada.
As paixões que trago no peito
e acredito me sustentar
são as mesmas que me estupram
em um confortável colchão.
Gostaria de conseguir deixar passar a regalia das coisas,
mas minha peneira veio defeituosa.
Não há nada pequeno demais que não possa ser sentido.
Não há nada grande demais que não possa caber em mim.
E esse fato pode me sentenciar tanto a forca quanto as minhas asas.
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A vontade é de gritar todos os palavrões possíveis ao vento,
deixar que ele os leve para longe
e eu torne ao confortável,
Ao sereno.
Ainda que eu o fizesse,
gritasse ou corresse,
tenho certeza de que esse alarde e anseio
não sairiam da minha mente.
Está impregnado em meu cerne.
Não consigo ninar este sentimento
Deixando-o descansar um pouco,
Fazendo silêncio.
Ele sonha acordado,
grita calado
Um independente rouco,
descontrolado.
Eu o neguei,
tropecei
e cai de cara em sua face.
O aceitei
e agora ele não me permite disfarces.
Eu o amasso
mas ele é tão genuíno
que nem se importa com a minha impaciência.
Faz pouco caso.
Senti tudo ao meu redor se dissipar.
O "nós" é incerto,
Ninguém pode nos salvar.
A inexatidão me desconcertou,
Mas me encontrei em seu olhar,
Foi aí que minha luta terminou:
Em um laço cego,
Sem previsão para deslaçar.
Soe romântico ou não,
Ao meu eu desavisado e mongol logo aviso, ainda estou são
(Apenas pacientemente esperando permissão
Para, finalmente,
fazer morada em teu coração)
.
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Ironicamente,
É o 19 que há de chegar.
No 12 é onde estamos.
E o 18 é quem estamos a deixar.
Na data de hoje,
Parece que o 18 deseja despedida lenta
Enquanto o 19
à rapidez de um dia se contenta.
De repente,
Futuro,
Presente
E passado,
Juntam-se num trivial acaso.
Será que adentramos em algo novo
Ou permanecemos nos restos de um antigo retrato?
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Eu não vou escrever sobre você.
Não direi o quanto tua complexidade me assusta,
Mas me laça,
Ainda que numa área congelada,
Insegura.
Andando em circulos infinitos,
Negarei,
Enquanto olho suas janelas entreabertas e intensas,
O quanto inconscientemente me tens.
Me perdendo no vazio do incerto,
Ignoro este sentimento,
Não que eu seja vitoriosa,
Mas ao menos tento.
Muda,
Grito tudo,
Jogo-as ao vento,
Mas as palavras caem no abismo
E morrem ao relento.
Recusando-me a dizer
Como seus traços rodopiam em meu coração
Assisto a ti apenas ser,
Enquanto em meu peito há um vão
Me fazendo falhar em te esquecer.
Sou semente,
Que não crescerá
Enquanto se perder no universo do seu sorriso.
Irei para onde o vento me levar
Enquanto cicatrizo
E te deixo sarar.
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Parasita neurótica,
Aflita,
Espreme-se.
Entregando-se em seu destino
À um castigo solene
E merecido.
Para um procariótico ser detentor de uma sentença perpetuamente,
A morte.
De antemão,
Verte vestígios
de parasitados nutrientes.
Um sangue coagulado,
Quente,
Impregnado em seu medíocre
Cerne.
Dissecando à medida que deságua em sua certeza,
Cede,
E definha
Entregando-se
L e n t a m e n t e,
Enquanto palavras esbraveja
Sem que a culpa lhe regresse à mente.
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Pouco a pouco,
Aproxima-se o fim de seu círculo.
Posso sentir teu enfermo ser,
Há muito estagnado,
Esvaindo.
Há de se aposentar
meu anjo protetor,
Levando da vida o bem querer
E todo o meu amor.
Aquela que viu meu sofrer
E sentiu meu temor.
Segurou-me nos braços
E com alegria,
me presenteou.
Esteve nos momentos mais importantes,
Preenchendo-me os espaços,
Compartilhando da euforia
De imensuráveis instantes.
Alugávamos fitas ao lado da floricultura,
Lembra?
Me levavas para nadar no CONACAN;
Comprava-me balinhas "7 Belo",
E eras "x9" da minha irmã.
Me fazias te acompanhar à padaria só para eu desfilar com a fantasia da Cinderela,
Apesar de preferires a Barbie,
Quem dera eu pudesse te dar tudo que é dela.
Para ti,
Tentei dar uma de professora de português,
Tinha apenas quatro anos,
E já queria receber por mês.
Burguesa safada era eu,
Não sabia o porque você não entendia a minha aula,
Mas hoje pensando bem,
O teu negócio não era a matéria,
Era a alma.
Agora,
Tudo o que quero é possuir uma varinha de condão,
Tiraria de ti
Todas as dores,
E com a ausência delas,
Sua vida teria paz
E cores.
Mas eu entendo que não poderia pedir tanto,
Só sinto muito por aquela lágrima que caiu,
E aquelas conversas que nunca conversamos.
Depois que dissesses um espontâneo e calmo "não",
Fui capaz de desejar apenas
seu merecido descanso.
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Amar é estar disposto à finitude.
É ser vulnerável no sentir
Com a certeza de que não se ilude.
É pegar a estrada e dirigir
Sem pressa e destino
até onde o sentimento for genuíno
E fluir.
É a liberdade de ser o que se é
Sendo uma unidade,
Acompanhada por outra.
É regar e ser regado,
deixando que fique à vontade,
Sem que o sentimento torne-se masmorra.
É sentir-se lisonjeado
por possuir pétalas e espinhos desse
alguém
Mesmo quando for picado
E não se sentir bem.
É respeitar
quando há vendavais que acabam por
distanciar,
Pois não é sobre o quanto há de se
demorar
numa mesma estrada,
Mas o quanto foi sincero estando lá.
O sopro do vento separa,
Mas há de juntar.
De novo e de novo,
Sem parar.
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"Somos seres sozinhos,
Não importa o momento.
Mas quando esse fato tornou-se um fardo,
Um tormento?"
Foi o que perguntei ao Gustavo,
Que me encarou e disse bravo:
"Posso te ver de cima a baixo!
Estou com você e não me vejo solitário."
Estar é diferente de ser, meu caro.
Somos seres unidade,
Não em influência
Mas em essência.
Admita, não é complicado!
É que a presença de gente não preenche o recinto
Que por nós é ocupado.
Somos íntegros,
Mesmo nesse estado
Constantemente solitário,
Independente do externo repleto
Ou limitado.
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