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Poemswithnames

@poemswithnames · desde 2018

Uma pequena semente que externa suas raízes (e frutos) a partir de singelos poemas. Eis aqui o meu jardim secreto.🌻 @anaolobardi

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gravidez eterna

O suor frio em minha testa escorre cortante por todo o meu corpo. O arrepio em minha espinha evidencia a urgência em parir um eu selvagem que já não cabe mais no útero e me rasga em busca de sua essência. Mal engatinha e já pesa nos braços. Descarta segurar a saia de sua progenitora e anseia por bater suas asas para longe, pois sabe que será a única responsável por trocar suas fraldas, cuidar de seus machucados e se dar de comer, até que sua hora chegue e haja de dormir no além, para sempre, consigo, levando na memória suas longas e doloridas metamorfoses, bem como a certeza de que morreu se parindo até o fim.

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cigarro

Nossa espécie é o fumante e o próprio objeto do vício. Acomodado num lugar qualquer, o homem traga a si mesmo e se põe aceso entre os dentes. As faíscas de sua complexidade o incendeiam meio a fumaça de pensar sobre a própria existência. Seus fótons o guiam nesse eterno "morre e vive" proporcional ao gozo de se sugar. No fim, o que se é não se encontra nos livros, portanto, é a única coisa que se pode ensinar. Ensine. Permita-se. Fume.

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Por um fio

Como uma fênix, habituei-me às cinzas das minhas mortes e à forma como as mesmas eram solo fértil para a posterior ressurreição. Sou feto que vive alimentado no ventre sinuoso da vida na mesma proporção em que sinto-me, por vezes, abortada. As paixões que trago no peito e acredito me sustentar são as mesmas que me estupram em um confortável colchão. Gostaria de conseguir deixar passar a regalia das coisas, mas minha peneira veio defeituosa. Não há nada pequeno demais que não possa ser sentido. Não há nada grande demais que não possa caber em mim. E esse fato pode me sentenciar tanto a forca quanto as minhas asas.

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Ultimato

A vontade é de gritar todos os palavrões possíveis ao vento, deixar que ele os leve para longe e eu torne ao confortável, Ao sereno. Ainda que eu o fizesse, gritasse ou corresse, tenho certeza de que esse alarde e anseio não sairiam da minha mente. Está impregnado em meu cerne. Não consigo ninar este sentimento Deixando-o descansar um pouco, Fazendo silêncio. Ele sonha acordado, grita calado Um independente rouco, descontrolado. Eu o neguei, tropecei e cai de cara em sua face. O aceitei e agora ele não me permite disfarces. Eu o amasso mas ele é tão genuíno que nem se importa com a minha impaciência. Faz pouco caso. Senti tudo ao meu redor se dissipar. O "nós" é incerto, Ninguém pode nos salvar. A inexatidão me desconcertou, Mas me encontrei em seu olhar, Foi aí que minha luta terminou: Em um laço cego, Sem previsão para deslaçar. Soe romântico ou não, Ao meu eu desavisado e mongol logo aviso, ainda estou são (Apenas pacientemente esperando permissão Para, finalmente, fazer morada em teu coração) .

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19/12/18

Ironicamente, É o 19 que há de chegar. No 12 é onde estamos. E o 18 é quem estamos a deixar. Na data de hoje, Parece que o 18 deseja despedida lenta Enquanto o 19 à rapidez de um dia se contenta. De repente, Futuro, Presente E passado, Juntam-se num trivial acaso. Será que adentramos em algo novo Ou permanecemos nos restos de um antigo retrato?

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Sonho de um Romance

Eu não vou escrever sobre você. Não direi o quanto tua complexidade me assusta, Mas me laça, Ainda que numa área congelada, Insegura. Andando em circulos infinitos, Negarei, Enquanto olho suas janelas entreabertas e intensas, O quanto inconscientemente me tens. Me perdendo no vazio do incerto, Ignoro este sentimento, Não que eu seja vitoriosa, Mas ao menos tento. Muda, Grito tudo, Jogo-as ao vento, Mas as palavras caem no abismo E morrem ao relento. Recusando-me a dizer Como seus traços rodopiam em meu coração Assisto a ti apenas ser, Enquanto em meu peito há um vão Me fazendo falhar em te esquecer. Sou semente, Que não crescerá Enquanto se perder no universo do seu sorriso. Irei para onde o vento me levar Enquanto cicatrizo E te deixo sarar.

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Dissimulada

Parasita neurótica, Aflita, Espreme-se. Entregando-se em seu destino À um castigo solene E merecido. Para um procariótico ser detentor de uma sentença perpetuamente, A morte. De antemão, Verte vestígios de parasitados nutrientes. Um sangue coagulado, Quente, Impregnado em seu medíocre Cerne. Dissecando à medida que deságua em sua certeza, Cede, E definha Entregando-se L e n t a m e n t e, Enquanto palavras esbraveja Sem que a culpa lhe regresse à mente.

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"Sá, você é feliz?"

Pouco a pouco, Aproxima-se o fim de seu círculo. Posso sentir teu enfermo ser, Há muito estagnado, Esvaindo. Há de se aposentar meu anjo protetor, Levando da vida o bem querer E todo o meu amor. Aquela que viu meu sofrer E sentiu meu temor. Segurou-me nos braços E com alegria, me presenteou. Esteve nos momentos mais importantes, Preenchendo-me os espaços, Compartilhando da euforia De imensuráveis instantes. Alugávamos fitas ao lado da floricultura, Lembra? Me levavas para nadar no CONACAN; Comprava-me balinhas "7 Belo", E eras "x9" da minha irmã. Me fazias te acompanhar à padaria só para eu desfilar com a fantasia da Cinderela, Apesar de preferires a Barbie, Quem dera eu pudesse te dar tudo que é dela. Para ti, Tentei dar uma de professora de português, Tinha apenas quatro anos, E já queria receber por mês. Burguesa safada era eu, Não sabia o porque você não entendia a minha aula, Mas hoje pensando bem, O teu negócio não era a matéria, Era a alma. Agora, Tudo o que quero é possuir uma varinha de condão, Tiraria de ti Todas as dores, E com a ausência delas, Sua vida teria paz E cores. Mas eu entendo que não poderia pedir tanto, Só sinto muito por aquela lágrima que caiu, E aquelas conversas que nunca conversamos. Depois que dissesses um espontâneo e calmo "não", Fui capaz de desejar apenas seu merecido descanso.

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Oo

Amar é estar disposto à finitude. É ser vulnerável no sentir Com a certeza de que não se ilude. É pegar a estrada e dirigir Sem pressa e destino até onde o sentimento for genuíno E fluir. É a liberdade de ser o que se é Sendo uma unidade, Acompanhada por outra. É regar e ser regado, deixando que fique à vontade, Sem que o sentimento torne-se masmorra. É sentir-se lisonjeado por possuir pétalas e espinhos desse alguém Mesmo quando for picado E não se sentir bem. É respeitar quando há vendavais que acabam por distanciar, Pois não é sobre o quanto há de se demorar numa mesma estrada, Mas o quanto foi sincero estando lá. O sopro do vento separa, Mas há de juntar. De novo e de novo, Sem parar.

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Sem metade, só laranja.

"Somos seres sozinhos, Não importa o momento. Mas quando esse fato tornou-se um fardo, Um tormento?" Foi o que perguntei ao Gustavo, Que me encarou e disse bravo: "Posso te ver de cima a baixo! Estou com você e não me vejo solitário." Estar é diferente de ser, meu caro. Somos seres unidade, Não em influência Mas em essência. Admita, não é complicado! É que a presença de gente não preenche o recinto Que por nós é ocupado. Somos íntegros, Mesmo nesse estado Constantemente solitário, Independente do externo repleto Ou limitado.

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