Poemswithnames @poemswithnames

gravidez eterna

O suor frio em minha testa escorre cortante por todo o meu corpo. O arrepio em minha espinha evidencia a urgência em parir um eu selvagem que já não cabe mais no útero e me rasga em busca de sua essência. Mal engatinha e já pesa nos braços. Descarta segurar a saia de sua progenitora e anseia por bater suas asas para longe, pois sabe que será a única responsável por trocar suas fraldas, cuidar de seus machucados e se dar de comer, até que sua hora chegue e haja de dormir no além, para sempre, consigo, levando na memória suas longas e doloridas metamorfoses, bem como a certeza de que morreu se parindo até o fim.

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