Por um fio
Como uma fênix, habituei-me às cinzas das minhas mortes e à forma como as mesmas eram solo fértil para a posterior ressurreição. Sou feto que vive alimentado no ventre sinuoso da vida na mesma proporção em que sinto-me, por vezes, abortada. As paixões que trago no peito e acredito me sustentar são as mesmas que me estupram em um confortável colchão. Gostaria de conseguir deixar passar a regalia das coisas, mas minha peneira veio defeituosa. Não há nada pequeno demais que não possa ser sentido. Não há nada grande demais que não possa caber em mim. E esse fato pode me sentenciar tanto a forca quanto as minhas asas.
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