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Mohana de Brito

@mohanadbrito · desde 2020

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Efêmero

A uma hora do meu presente

Eu tenho um livro. Um livro que eu deveria ter terminado. Um livro que ensina a estudar. Você me perguntava todos os dias: “Está lendo o livro?” “E o livro, terminou?” Você também me perguntava se eu já tinha escovado os dentes hoje. “Já escovou os dentes?” “E água, já bebeu?” Então eu passei a beber água todos os dias, na meta de chegar, um dia, naquilo que eu preciso. Três litros, talvez. Eu não bebia nem quinhentos mililitros. “Quinhentos mililitros?” Você dizia. “Meu Deus!” Então eu passei a tomar, todos os dias, duzentos mililitros, sentadinha, antes de começar a trabalhar, quando eu chego no trabalho. E comecei a tomar água em copos, para saber quantos mililitros eu estava tomando. Comprei uma garrafa de água no Dia dos Namorados para conseguir me cuidar melhor. Eu comecei a juntar dinheiro para ir para a academia, porque você disse que eu precisava cuidar da saúde. Comecei a fazer planos para um futuro, com ou sem você, por mim mesma. Nas noites em que eu não conseguia dormir, você me falava verdades que eu não queria ouvir, nem de mim mesma. Sabe, você vive a uma hora do meu passado. Aliás, você vive a uma hora do meu presente. E eu não estou falando de carro. Eu estou falando de tempo e espaço. Porque de carro leva um dia inteiro. Mas, de vida, você sempre está no meu passado. Sempre a uma hora. Uma hora. É um mistério, porque o tempo e o espaço sempre foram o que eu mais amei na vida. Contemplar o céu e perceber que eu e você olhamos para as estrelas porque achamos, entendemos, compreendemos, contemplamos e filosofamos que olhar para o céu à noite é olhar para o passado. Um passado de milhões de anos. Eu olho para o passado não porque ele é passado, mas porque ele ainda está no céu. Uma questão física, sim. Mas a física que mede as estrelas e o tempo que um cometa percorre para sair do universo. Você, minha pessoa dourada, meu sol, sempre. E está sempre no meu passado. Eu comecei a perceber que comecei a cuidar de mim e a viver [...] [O resto da poesia eu guardei só para mim]

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Meu Sol

Ele passou... Acenou Me ergueu Me acolheu Me escolheu Me aceitou Me ouviu Me ajudou Me mostrou um futuro possível Um amor mais maduro Mais sincero Mais centrado E Eu ? Deixei ele ir embora. Ele passou, levantou-se e foi correr. Eu continuo sentada no mesmo lugar... Vai passar... Olho para o alto onde busco consolo. Eu não sou o centro da galaxia. Meu Sol orbita tantas coisas Eu sou só um pequeno cometa intergaláctico. Não orbito, eu viajo para o sem fim acompanhada sigo Sou poeira no fim de tudo Mas eu vi Eu vi um futuro E ele sorria como o Sol

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Outro jardim

Se é possível morrer de amor, Morre-se a vida inteira Não como quem sucumbe à doença ou à dor A beleza é passageira. Se é possível morrer de amor, Minha flor de goiabeira? Não que eu queira, Morre-se aos poucos, perde-se a cor Repousa a flor. Meu amor se pôs sobre a soleira

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Canteiros

Sonhei um dia com flores Flores do teu jardim Flores de sândalo, Amélias, rosas e jasmin. Flores de jarro, flores de amores Sonhei sim Sonhei com flores e canteiros Vivendo dentro de mim. Cuida, cuida, jardineiro! Protege as flores do meu pequeno jardim; Cuida do frágil Planta centeio Mas não te esqueças de mim. [ Amélias são flores sem nenhuma vaidade... Amélias é que são flores de verdade]

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Esta é uma poesia sobre o caminho

Há poesias que ficam presas, onde a alma não encontra descanso. E, por algum motivo, ela não consegue falar. Não consegue se acomodar. E, não se acomodando, não consegue pedir ajuda, pedir um copo d’água, pedir um tempo para respirar. Há poesias que têm nome, têm dono, têm cor. Algumas eu esqueço. Outras eu deleto, dia após dia, lá na esquina onde minha alma sentou para descansar e olhar o horizonte no fim da tarde. Há poesias que doem. Há poesias que precisam sair, dar uma volta, se mostrar e depois se apagar. Há poesias que eu digo só para que o meu cérebro escute o que está causando movimentações desconhecidas. Para que sejam classificadas, organizadas, e esquecidas em algum lugar que eu não vou achar quando quiser achar. Escrevo para você. Você, que nem sabe que eu escrevo sobre você. Você, que não tem nome, não tem corpo, não tem cheiro. Você, que eu nunca vi, mas que, por algum motivo, deixou marca em mim. Há uma poesia para você também. Para você que me deixou sem entender o porquê de ser como ser. Há poesia na vida. Há vida na poesia. Há mais filosofia nas minhas palavras do que em toda a filosofia que pude ler. E está tudo bem. Se a vida é assim, a poesia sai quando o coração não pode continuar batendo no passo normal para pular de alegria. Porque pode matar qualquer descompasso. Então a gente escreve. A gente escreve para viver… e não morrer de arritmia.

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Desencontro

Amor, Sinto sede da água da tua boca, que não transborda minha vida inteira. Sou tua. Um sistema complexo, uma galáxia se desfazendo e atirando-se sem preservar-se. Você não me aceita. Meu amor se desfaz no transtorno e deságua em poeira. Eu penso: será que sou o cisco que te atinge? Sou um deslocamento que no meu olhar abre a torneira do choro? Sou um encosto que enche a minha vida de saudade, salga sem mim, te orbitando e sumindo O que restará de mim depois de te amar até o fim? Será que o fim é um reflexo de um feixe daquela luz que me atraia? Que feixe é esse que dura mil anos em um dia? Que amor é esse que não suspira nenhuma vez quando me vê passar? Eu me pergunto, você não.

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Decisão infantil

Hoje eu chorei porque perdi meu céu Sou muito, muito , muito perversa e colérica "Onde foi que eu deixei de ser uma criança bem aninhada no colo do meu Pai?" Pensando nisso, a resposta foi rápida. "Quando você deixou de ser minha criança?" Foi quando eu deixei de visitar o meu Pai. Foi quando deixei de ser criança na casa Dele. Dessa forma, Tenho apenas 3 dias. Tenho 3 dias para a bendita cirurgia. 3 dias para Te amar e me deixar ser cuidada, antes de qualquer coisa. Vou Te visitar mais vezes Pai. Um pouquinho mais. Eu só queria registrar isso a todos.

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Escreva

Escreva Então escreva o que observa e sente, Escreva o que te dói e o que te oriente para mais alto Escreva do que se sabe, mas não se nomeia, Escreva Escrevendo se torna Se tornando forma visões de além em outros que falarão.. Foi santa, mas foi Ele quem a obrigou a sê-la. Santa obrigação de voltar a ser quem se deve viver de eterno. O ar que toda terra espera respirar só entra quando se deixa morrer. Escreva: Jaz quem foi santa por obrigação de amor santo porque Ele a fez ser A força de muito perdão E muito mais do 70x7000 por minuto. Se um dia for santa Qualquer coisa perdida pode ser também. Escreve e levanta. Levanta e anda.

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Crença

E se eu te falar de céu?

E se eu te falar de céu, você me escuta? Você me escuta, se eu te contar penas de anjos? E se as penas forem leves, você as carrega? Você se levanta? Você me escuta, se eu te contar Ave-Marias? E se as Marias forem mundanas, você censura Ou se muda para perto de onde o olhar beijou o chão e o chão virou perdão de amar? Mas me diz... Se eu te falar de céu, você me escuta Ou me chuta no chão?

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Efêmero

Esta poesia vai se autodestruir em 24...

Sou feliz a 2 anos, e poesias não são para os felizes. [A poesia é o grito de uma ferida oculta que se traduz no verso de outra pessoa. É o conforto para quem pensou está em colapso, mas derrepente só sente o que todo mundo sente calado. ... Você não é especial, e ainda assim, é único.] Fui triste 7 semanas e nove dias mais atestados, mais desespero, mais solidão, um calvário na terra, não há nome para essa dor. Eu tinha essas coisinhas cintilantes dentro de mim, um jardim conservado em um fino cristal que se quebrou e sumiu. Agora sou morrente... E cheia de coisinhas cintilantes no raio x... 1,2,3 no começo do ano...umas 7 até agora e uma pedra de sal do lado do coração... mas sou feliz e estou morrendo como todos morrem um dia.

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