Eu tenho um livro.
Um livro que eu deveria ter terminado.
Um livro que ensina a estudar.
Você me perguntava todos os dias:
“Está lendo o livro?”
“E o livro, terminou?”
Você também me perguntava
se eu já tinha escovado os dentes hoje.
“Já escovou os dentes?”
“E água, já bebeu?”
Então eu passei a beber água todos os dias,
na meta de chegar, um dia,
naquilo que eu preciso.
Três litros, talvez.
Eu não bebia nem quinhentos mililitros.
“Quinhentos mililitros?”
Você dizia.
“Meu Deus!”
Então eu passei a tomar, todos os dias,
duzentos mililitros,
sentadinha, antes de começar a trabalhar,
quando eu chego no trabalho.
E comecei a tomar água em copos,
para saber quantos mililitros
eu estava tomando.
Comprei uma garrafa de água
no Dia dos Namorados
para conseguir me cuidar melhor.
Eu comecei a juntar dinheiro
para ir para a academia,
porque você disse
que eu precisava cuidar da saúde.
Comecei a fazer planos
para um futuro,
com ou sem você,
por mim mesma.
Nas noites em que eu não conseguia dormir,
você me falava verdades
que eu não queria ouvir,
nem de mim mesma.
Sabe,
você vive a uma hora do meu passado.
Aliás,
você vive a uma hora do meu presente.
E eu não estou falando de carro.
Eu estou falando de tempo e espaço.
Porque de carro leva um dia inteiro.
Mas, de vida,
você sempre está no meu passado.
Sempre a uma hora.
Uma hora.
É um mistério,
porque o tempo e o espaço
sempre foram o que eu mais amei na vida.
Contemplar o céu
e perceber que eu e você olhamos para as estrelas
porque achamos, entendemos, compreendemos,
contemplamos e filosofamos
que olhar para o céu à noite
é olhar para o passado.
Um passado de milhões de anos.
Eu olho para o passado
não porque ele é passado,
mas porque ele ainda está no céu.
Uma questão física, sim.
Mas a física que mede as estrelas
e o tempo que um cometa percorre
para sair do universo.
Você,
minha pessoa dourada,
meu sol,
sempre.
E está sempre no meu passado.
Eu comecei a perceber
que comecei a cuidar de mim
e a viver [...]
[O resto da poesia eu guardei só para mim]
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Ele passou... Acenou
Me ergueu
Me acolheu
Me escolheu
Me aceitou
Me ouviu
Me ajudou
Me mostrou um futuro possível
Um amor mais maduro
Mais sincero
Mais centrado
E Eu ?
Deixei ele ir embora.
Ele passou, levantou-se e foi correr.
Eu continuo sentada no mesmo lugar...
Vai passar...
Olho para o alto onde busco consolo.
Eu não sou o centro da galaxia.
Meu Sol orbita tantas coisas
Eu sou só um pequeno cometa intergaláctico.
Não orbito, eu viajo para o sem fim acompanhada sigo
Sou poeira no fim de tudo
Mas eu vi
Eu vi um futuro
E ele sorria como o Sol
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Se é possível morrer de amor,
Morre-se a vida inteira
Não como quem sucumbe à doença ou à dor
A beleza é passageira.
Se é possível morrer de amor,
Minha flor de goiabeira?
Não que eu queira,
Morre-se aos poucos,
perde-se a cor
Repousa a flor.
Meu amor se pôs sobre a soleira
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Sonhei um dia com flores
Flores do teu jardim
Flores de sândalo, Amélias,
rosas e jasmin.
Flores de jarro, flores de amores
Sonhei sim
Sonhei com flores e canteiros
Vivendo dentro de mim.
Cuida, cuida, jardineiro!
Protege as flores do meu pequeno jardim;
Cuida do frágil
Planta centeio
Mas não te esqueças de mim.
[ Amélias são flores sem nenhuma vaidade... Amélias é que são flores de verdade]
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Há poesias que ficam presas,
onde a alma não encontra descanso.
E, por algum motivo, ela não consegue falar.
Não consegue se acomodar.
E, não se acomodando,
não consegue pedir ajuda,
pedir um copo d’água,
pedir um tempo para respirar.
Há poesias que têm nome,
têm dono,
têm cor.
Algumas eu esqueço.
Outras eu deleto, dia após dia,
lá na esquina
onde minha alma sentou para descansar
e olhar o horizonte
no fim da tarde.
Há poesias que doem.
Há poesias que precisam sair,
dar uma volta,
se mostrar
e depois se apagar.
Há poesias que eu digo
só para que o meu cérebro escute
o que está causando
movimentações desconhecidas.
Para que sejam classificadas,
organizadas,
e esquecidas
em algum lugar
que eu não vou achar
quando quiser achar.
Escrevo para você.
Você,
que nem sabe
que eu escrevo sobre você.
Você,
que não tem nome,
não tem corpo,
não tem cheiro.
Você,
que eu nunca vi,
mas que, por algum motivo,
deixou marca em mim.
Há uma poesia para você também.
Para você
que me deixou sem entender
o porquê de ser
como ser.
Há poesia na vida.
Há vida na poesia.
Há mais filosofia nas minhas palavras
do que em toda a filosofia
que pude ler.
E está tudo bem.
Se a vida é assim,
a poesia sai
quando o coração
não pode continuar batendo
no passo normal
para pular de alegria.
Porque pode matar
qualquer descompasso.
Então a gente escreve.
A gente escreve para viver…
e não morrer de arritmia.
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Amor,
Sinto sede da água da tua boca, que não transborda minha vida inteira.
Sou tua. Um sistema complexo, uma galáxia se desfazendo e atirando-se sem preservar-se.
Você não me aceita.
Meu amor se desfaz no transtorno
e deságua em poeira.
Eu penso:
será que sou o cisco que te atinge?
Sou um deslocamento que no meu olhar abre a torneira do choro?
Sou um encosto que enche a minha vida de saudade, salga sem mim, te orbitando e sumindo
O que restará de mim depois de te amar até o fim?
Será que o fim é um reflexo de um feixe daquela luz que me atraia?
Que feixe é esse que dura mil anos em um dia?
Que amor é esse que não suspira nenhuma vez quando me vê passar?
Eu me pergunto, você não.
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Hoje eu chorei porque perdi meu céu
Sou muito, muito , muito perversa e colérica
"Onde foi que eu deixei de ser uma criança bem aninhada no colo do meu Pai?"
Pensando nisso, a resposta foi rápida.
"Quando você deixou de ser minha criança?"
Foi quando eu deixei de visitar o meu Pai.
Foi quando deixei de ser criança na casa Dele.
Dessa forma,
Tenho apenas 3 dias.
Tenho 3 dias para a bendita cirurgia.
3 dias para Te amar e me deixar ser cuidada, antes de qualquer coisa.
Vou Te visitar mais vezes Pai.
Um pouquinho mais.
Eu só queria registrar isso a todos.
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Escreva
Então escreva o que observa e sente,
Escreva o que te dói e o que te oriente para mais alto
Escreva do que se sabe, mas não se nomeia,
Escreva
Escrevendo se torna
Se tornando forma visões de além em outros que falarão..
Foi santa, mas foi Ele quem a obrigou a sê-la.
Santa obrigação de voltar a ser quem se deve viver de eterno.
O ar que toda terra espera respirar só entra quando se deixa morrer.
Escreva:
Jaz quem foi santa por obrigação de amor
santo porque Ele a fez ser
A força de muito perdão
E muito mais do 70x7000 por minuto.
Se um dia for santa
Qualquer coisa perdida pode ser também.
Escreve e levanta.
Levanta e anda.
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E se eu te falar de céu, você me escuta?
Você me escuta, se eu te contar penas de anjos?
E se as penas forem leves, você as carrega?
Você se levanta?
Você me escuta, se eu te contar Ave-Marias?
E se as Marias forem mundanas, você censura
Ou se muda para perto de onde o olhar beijou o chão e o chão virou perdão de amar?
Mas me diz...
Se eu te falar de céu, você me escuta
Ou me chuta no chão?
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Sou feliz a 2 anos, e poesias não são para os felizes.
[A poesia é o grito de uma ferida oculta que se traduz no verso de outra pessoa.
É o conforto para quem pensou está em colapso, mas derrepente só sente o que todo mundo sente calado.
...
Você não é especial, e ainda assim, é único.]
Fui triste 7 semanas e nove dias mais atestados, mais desespero, mais solidão, um calvário na terra, não há nome para essa dor. Eu tinha essas coisinhas cintilantes dentro de mim, um jardim conservado em um fino cristal que se quebrou e sumiu.
Agora sou morrente...
E cheia de coisinhas cintilantes no raio x...
1,2,3 no começo do ano...umas 7 até agora e uma pedra de sal do lado do coração... mas sou feliz e estou morrendo como todos morrem um dia.
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