Desencontro
Amor, Sinto sede da água da tua boca, que não transborda minha vida inteira. Sou tua. Um sistema complexo, uma galáxia se desfazendo e atirando-se sem preservar-se. Você não me aceita. Meu amor se desfaz no transtorno e deságua em poeira. Eu penso: será que sou o cisco que te atinge? Sou um deslocamento que no meu olhar abre a torneira do choro? Sou um encosto que enche a minha vida de saudade, salga sem mim, te orbitando e sumindo O que restará de mim depois de te amar até o fim? Será que o fim é um reflexo de um feixe daquela luz que me atraia? Que feixe é esse que dura mil anos em um dia? Que amor é esse que não suspira nenhuma vez quando me vê passar? Eu me pergunto, você não.
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