Esta é uma poesia sobre o caminho
Há poesias que ficam presas, onde a alma não encontra descanso. E, por algum motivo, ela não consegue falar. Não consegue se acomodar. E, não se acomodando, não consegue pedir ajuda, pedir um copo d’água, pedir um tempo para respirar. Há poesias que têm nome, têm dono, têm cor. Algumas eu esqueço. Outras eu deleto, dia após dia, lá na esquina onde minha alma sentou para descansar e olhar o horizonte no fim da tarde. Há poesias que doem. Há poesias que precisam sair, dar uma volta, se mostrar e depois se apagar. Há poesias que eu digo só para que o meu cérebro escute o que está causando movimentações desconhecidas. Para que sejam classificadas, organizadas, e esquecidas em algum lugar que eu não vou achar quando quiser achar. Escrevo para você. Você, que nem sabe que eu escrevo sobre você. Você, que não tem nome, não tem corpo, não tem cheiro. Você, que eu nunca vi, mas que, por algum motivo, deixou marca em mim. Há uma poesia para você também. Para você que me deixou sem entender o porquê de ser como ser. Há poesia na vida. Há vida na poesia. Há mais filosofia nas minhas palavras do que em toda a filosofia que pude ler. E está tudo bem. Se a vida é assim, a poesia sai quando o coração não pode continuar batendo no passo normal para pular de alegria. Porque pode matar qualquer descompasso. Então a gente escreve. A gente escreve para viver… e não morrer de arritmia.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.