Foto de Marina Coimbra

Marina Coimbra

@marinacoimbra · desde 2024

maricoimbraa_ Nada daqui é real, ou é?

96 poemas 40 seguidores 12 seguindo

Seguir

Em poesia se diz:

Em português, se diz: gosto de ler... Mas na poesia, confesso outra verdade: eu me encontro nas palavras que não escrevi, nas frases que estranhos deixaram abertas como janelas para a minha própria alma. Sou feita de parágrafos longos, de vírgulas que hesitam, de silêncios entre uma linha e outra que dizem mais do que qualquer ponto final. Minha alma não cabe em frases curtas. Ela respira nas entrelinhas, se derrama em reticências, se explica em pausas. E se amar é escrever uma história, então eu escolho você não só no começo, mas em cada linha, em cada vírgula suspensa, em cada palavra que insiste em ficar.

Continuar lendo

Nu da alma

Quero ser vista não pelo que brilho, mas pelo que sou quando a luz apaga. Quero ser amada na minha espontaneidade crua, na simplicidade que não performa, no jeito honesto de existir... Que alguém enxergue o nu da minha alma sem pressa, sem medo, sem tentar me vestir de expectativas. Que me venere não como quem possui, mas como quem reconhece o sagrado no que é verdadeiro. Quero um olhar que atravesse a beleza e repouse no profundo, onde moram minhas dores, meus risos fáceis, minha forma inteira de amar. Assim como eu amo as pessoas pelo que são, sem moldes, sem correções, quero ser amada exatamente assim: inteira, imperfeita, real.

Continuar lendo

Poesias E mulheres

A poesia, assim como as mulheres, não tem obrigação nenhuma de serem suaves Não de ser dócil, nem sempre flor, às vezes é faca, às vezes é dor. É grito preso que rasga a garganta, é verdade crua que ninguém aguenta. É força antiga, selvagem, latente, que assusta quem tenta calar o que sente. Mulheres e versos têm o mesmo destino: romper o silêncio, mudar o caminho. Não foram criadas pra agradar plateias, mas pra incendiar as próprias ideias. Se é suave? Só quando quer. Se é bruta? Também é mulher. É mar em fúria, é terra em brasa quem tenta domar, nunca entende a casa. Porque ser intensa não é erro, ser profunda não é exagero. Poesia e mulher são o mesmo recado: livres… fortes… e sempre sagradas no seu próprio lado.

Continuar lendo

Meu ébano 🤎✨🥹

Ser amada por ti é como ouvir o destino cantar, é sentir que o mundo desacelera só pra te deixar me olhar. É lindo ser lembrada no brilho do teu sorriso, como se a cada poema teu eu voltasse, enfim, pro meu lugar preciso. Teu ébano me floresce, me enlaça, me ilumina, cada verso que tu me escreve pousa macio em minhas retinas E quando tu me enaltece em rimas, me pinta com tua emoção, é como se tu colasse estrelas no silêncio quente do meu coração. Ser tua musa é um encanto, uma dança que o tempo abençoa, meu peito vira templo aberto onde tua poesia repousa. Teu afeto me costura em calma, teu toque, mesmo que em palavras, me guia, e eu me descubro inteira, quando tu me chama em poesia. É tão doce ser lembrada, tão lindo ser tua inspiração; é sentir teu verso me envolver como abraço que vira canção. E se hoje eu transbordo essa paz tão rara, tão leve, tão merecida… é que no brilho sereno do teu amor eu me encontrei inteira e fui, enfim, bem-vivida.

Continuar lendo

Mutáveis

Somos feitos de vento, de passos que mudam de direção mesmo quando o chão parece o mesmo. Somos pele que troca de pele, alma que se recria, dor que um dia pesa e no outro já ensina. Somos o antes, o agora e tudo o que ainda nem sabemos ser. Metade caos, metade promessa. Porque nada em nós é fixo: somos água que aprende o próprio leito, somos luz que se acende depois de cada escuridão. E mesmo quando juramos estabilidade, a vida vem, sopro, susto, renascimento e lembra: somos seres mutáveis, poemas inacabados, flores que desabrocham num ritmo só nosso. E talvez seja isso o mais bonito: não caber em forma nenhuma, não caber nem em nós mesmas, mas ainda assim seguir florescendo.

Continuar lendo

Lar

Na noite em que te vi pela primeira vez, perdi até o ar, nervosa, mãos suando frio, sem saber como controlar. Mas você estava lá, do outro lado da rua, tão lindo, tão sereno a me esperar, um negrão de respeito, sorriso largo, presença pronta pra iluminar. Teu olhar brilhava mais que a cidade inteira, bem trajado, impecável, alma forte, essência verdadeira. E quando teus braços me envolveram, o mundo resolveu parar: me encaixei no teu abraço como quem volta ao próprio lugar. Teu perfume me tocou antes do toque real, teu riso abriu um mundo novo, quase surreal. No timbre da tua voz senti calma, fogo e destino, como se cada palavra tua já conversasse com meu caminho. Gentil, você abriu a porta do carro devagar, como quem diz sem dizer: “Deixa, que eu sei cuidar.” E no trajeto, teu carinho nas minhas mãos foi oração, foi afago, foi conexão. Jantamos, rimos, deixamos o tempo passar, e depois, naquela praça, deixamos a noite nos guiar. A lua estava linda, cúmplice da nossa emoção, teu beijo encontrou o meu com perfeita precisão. Cada toque teu reacendia algo em mim, cada beijo dizia “fica”, sem precisar de fim. E eu, entregue, viva, sem medo algum, senti que nossa conexão fugia do comum. Naquela noite, no teu abraço, no teu olhar, no luar, eu entendi o que o coração queria sussurrar: não era encontro, não era acaso, não era apenas beijo… era lar.

Continuar lendo

A dor do quase algo

Eu sinto tanta raiva que te amar parece errado. Há algo de cruel em ver alguém que a gente amou, ou acreditou amar... entregando o coração a outro. É como se o universo dissesse: “não era pra ser”, mas o coração, teimoso e cheio de ego, insiste em perguntar: “por quê não eu?” Superar um quase algo é mais doloroso do que superar um fim. Porque o “quase” nunca foi inteiro, nunca teve chance de ser pleno... e, ainda assim, ocupou o espaço de tudo. É a ausência de uma história que poderia ter sido. É o beijo que ficou no ar, a vida que ficou em pausa, a esperança que não entendeu que acabou. Talvez o mais doloroso seja perceber que o amor, quando não é correspondido, vira espelho rachado: a gente se vê por pedaços. Vê o quanto entregou, o quanto acreditou, e o quanto o outro apenas disse “eu te amo” com o eco vazio de quem nunca soube o que isso significa de fato. E então aparece alguém disposto, alguém que enxerga em nós tudo o que o outro ignorou. Alguém pronto pra amar, pra cuidar, pra ficar. Mas esse amor calmo assusta. Porque o coração ferido desaprendeu a descansar, se acostumou a amar em guerra, a confundir intensidade com amor verdadeiro. Por que não conseguimos simplesmente amar quem nos ama? Talvez porque a dor, de algum modo, nos faz sentir vivos. Porque fomos treinados a acreditar que amor de verdade é aquele que dói, que desafia, que falta. Mas não é. Um dia, quando essa raiva cessar e o coração parar de sangrar pelo "quase" a gente entende que amor de verdade não grita, não fere, não se esconde. Ele chega manso. E fica. Sinto raiva, mas sinto sua falta, e sua falta dói

Continuar lendo

Voltes

Preciso que voltes Estou querendo escrever coisas bonitas de novo! ✨

Prefácio da alma

Antes de qualquer nome, havia silêncio. E no silêncio, uma centelha, essa força que chamamos de alma, que insiste em pulsar mesmo quando o corpo se cansa. A alma é o livro que ninguém lê por completo. Cada página é escrita entre quedas e renascimentos, entre ausências e reencontros. Ela não fala em voz alta, mas sussurra nos instantes em que o mundo se cala, quando um olhar nos atravessa, quando a solidão pesa, quando o tempo desacelera e nos força a olhar pra dentro. Há quem viva fugindo dela, ocupando-se de ruídos para não ouvir o que ecoa no fundo. Mas a alma tem paciência. Espera. E quando não é escutada, cria o caos necessário para ser notada. Porque o caos também é linguagem divina. A alma não quer certezas, quer sentido. Não busca poder, busca presença. Não deseja vencer, deseja entender. Ela sabe que o brilho da superfície engana, e que a verdadeira luz mora nas frestas, no meio das imperfeições, onde o orgulho se desfaz e o ser se revela. O prefácio da alma é sempre uma lembrança: você não é o que te aconteceu, é o que permanece em silêncio depois de tudo. E talvez viver seja isso, reler-se com ternura, reescrever-se com coragem e aceitar que algumas páginas só fazem sentido quando já se aprendeu a amar o próprio enredo

Continuar lendo

Vida

Como diz Liniker: "Pra quem não sabia contar gota, cê aprendeu a nadar"... De fato, porém não nas águas rasas de presenças vazias, mas no oceano profundo da própria solidão. Na solitude, descobri que alma também respira silêncio, que conexão não é grito, é vibração duas essências que se reconhecem sem precisar se provar. E foi ali, entre o nada e o tudo, que entendi que ser inteiro não depende de ter alguém, mas de se encontrar nas próprias marés. Porque algumas almas não nascem pra se prender... nascem pra fluir! livres, intensas, e infinitamente suas!

Continuar lendo