Marina Coimbra @marinacoimbra

A dor do quase algo

Eu sinto tanta raiva que te amar parece errado. Há algo de cruel em ver alguém que a gente amou, ou acreditou amar... entregando o coração a outro. É como se o universo dissesse: “não era pra ser”, mas o coração, teimoso e cheio de ego, insiste em perguntar: “por quê não eu?” Superar um quase algo é mais doloroso do que superar um fim. Porque o “quase” nunca foi inteiro, nunca teve chance de ser pleno... e, ainda assim, ocupou o espaço de tudo. É a ausência de uma história que poderia ter sido. É o beijo que ficou no ar, a vida que ficou em pausa, a esperança que não entendeu que acabou. Talvez o mais doloroso seja perceber que o amor, quando não é correspondido, vira espelho rachado: a gente se vê por pedaços. Vê o quanto entregou, o quanto acreditou, e o quanto o outro apenas disse “eu te amo” com o eco vazio de quem nunca soube o que isso significa de fato. E então aparece alguém disposto, alguém que enxerga em nós tudo o que o outro ignorou. Alguém pronto pra amar, pra cuidar, pra ficar. Mas esse amor calmo assusta. Porque o coração ferido desaprendeu a descansar, se acostumou a amar em guerra, a confundir intensidade com amor verdadeiro. Por que não conseguimos simplesmente amar quem nos ama? Talvez porque a dor, de algum modo, nos faz sentir vivos. Porque fomos treinados a acreditar que amor de verdade é aquele que dói, que desafia, que falta. Mas não é. Um dia, quando essa raiva cessar e o coração parar de sangrar pelo "quase" a gente entende que amor de verdade não grita, não fere, não se esconde. Ele chega manso. E fica. Sinto raiva, mas sinto sua falta, e sua falta dói

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