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Luarim Baran

@luarim_baran · desde 2025

Um poeta morto

10 poemas 5 seguidores 8 seguindo

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Passado?

O tempo passou quase como as casas na janela do trem Sem alterarem nada aqui dentro Claro que certas vezes aparecem umas que me admiram Mas que importam? São só casas Às vezes me parece insensato pensar nos seus olhos, quando você já se admira com outros E, aliás, será que ainda lembra como eu te olho? Seus risos desesperados, lutando pra não sair, hoje me lembram as palavras que eu não te disse Me lembram as coisas que te fazem rir, acho que amaria se você sumisse Suas palavras me fazem cativo, não desaprendi a te cativar Não sei se posso me soltar tão fácil, e se um dia quiseres voltar? Sangue de barata. Ainda lembras do meu nome? A vista se turva ao tentar encontrar uma imagem que vejo tão longe Amor não é palavra forte Forte é não poder amar E, nem mesmo chamar o seu nome.

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Arte Suja

Escrever é quase um choro, a inspiração é só gatilho. O que se lê é resultado das guerras de um andarilho. Ser poeta se faz ser a tormenta do avesso. A poesia, sangue sujo após o caos, percorre o fim até o começo. Sentir é quase ser, o que difere é a intensidade; sentir tem muito mais vida em si. Lembrar é quase estar, só corrompido pelo que se cria; viver é o mergulho ao próprio peito.

Entre Rostos

Imagem que sufoca a alma de quem ama É aquela que rejeita o "se" da tentativa A memória que eu distorço, é encanto que me chama De tanto falar seu nome, não resta-me saliva Dói, mas dói de dentro pra fora O olhar já não brilha, perdido no escuro Não é sobre ainda amar, ou querer-te ainda agora Mas nos rostos que passam, ainda te procuro Me aquieto, me julgo Só ouço, não escuto Me tens, isso eu juro Não volte, ou eu sumo.

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Centro de tudo (ou do nada)

Ser o centro de tudo. Não como ser o centro das atenções, a estrela no palco. Na verdade, o motivo dos descarrilamentos, a causa dos terremotos. Querido, respeitado? Deveras. Compreendido? Nem ao longe. Motivo de orgulho, muito orgulho, quando não exige movimento. Motivo de angústia e caos, quando afeta o conforto. Pertencente a canto nenhum. Sem nada pra se agarrar em meio à correnteza. Adepto de convicção alguma. Vive, e só vive, se é que isso é vida. Existência independente, e que também não causa dependência. Ou causa? Talvez haja um encanto em tanto desencanto. Talvez haja magnetismo em tanta perdição. O mundo já se é interno, o que está fora não se vale. E quando vale, é pra apagar o que tem valor.

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Vazio

Tenho me sentido vazio. Não um vazio vazio, mas um vazio que vem preenchendo cada espaço vazio. O ar não se mantém mais no peito. Não tem espaço, está cheio de vazio. O sangue não circula como antes, o vazio coagula. As palavras, outrora cheias de intenção, agora tão vazias. Uma lembrança preenche. Um sorriso brilhando muito, muito longe. Uma luz que já não ilumina, só conforta, e quando conforta. E a caneta treme. Tenta escrever, a tinta hesita. Escrever de novo assusta. A alma transborda, vomita, mas é tudo vazio. Depois de muito, torna a escrever. Escreve, escreve, escreve. A tinta mancha. O papel se molha. O vazio retorna, só não retorna o fogo, que queimava outrora.

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Silêncio da manhã

Sinto falta de verbalizar saudade. Não há quem ouça ainda o meu verde chamado. Como queria ainda ter-te aqui ao lado! O tempo passa, mas não cura nem metade. Pela manhã, a voz que brincava já não faz, e aqueles sons que não despertam mais meu dia. Não tem mais filmes enquanto você dormia, o que ficou marcado não some jamais. E, portanto, tento escapar em fantasia. A cada mais que lembro e sinto, novo dano, mesmas memórias viajando a outro ano. “A ordem é pra marchar”, você sempre dizia.

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No escuro do desejo

Me descompasso à tua presença, em meio ao breu que a luz avança. Te respirar causa tontura, e desejar conduz a dança. Passo pra cá, outro pra lá, eterna busca do eclipse; como uma obra sem sinopse, me faz temer o apocalipse. Aqui me encontro na aventura desse querer que é tão fugaz; no entanto, algo me segura: acho que é teu olhar sagaz.

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Amor

Quando acalma

Céu azul, brilho do sol. Vento calmo, mais um dia. Você me prende feito anzol. Me lembra o que eu não sabia. E nas loucuras, noite e dia, só te penso, dia e noite. Eu te quero e nem queria, mas seu olhar é tão doce. Agora me tens tão suave, deslizo em ti como um suspiro. Antes vivia só da dor, e já sem dor, hoje te vivo.

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O eco do engano

Será que realmente te amo? Será que é você quem eu chamo? Quando tudo ao redor me parece letal, é você quem vem curar o dano. Acho que eu nem deixo rolar: “Oi, quem chama? O coração não tá.” Você, de novo, tenta se aproximar, e da dor me obrigo a lembrar. Culpa, tenho. Muito medo. Nunca venho por inteiro. Você me ama, eu tento amar. E a última página nos faz chorar. Pra quem aprendeu “você tem que ser bom”, falhar no amor é quase um não, um “não” materno em loja de brinquedo, um “não pode brincar, você vai dormir cedo”, um “não tem mais volta, eu não vou ficar”, um “não fica triste, ela não vai voltar”. Não vá. Não vá. Já foi. Boas mentiras ou, mentiras boas, me deixaram a sofrer por nós dois. Que deslize… Eu tava escrevendo você, não ela. Isso diz tanto o que eu sou agora. Desde a partida, eu tô numa cela. Eu não posso te amar só por hora. Adeus, vou ficar só. E se um dia ela voltar, me livro dessas correntes e talvez reaprenda a amar.

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Amor

Garota Azul

Azul, mistério, paixão e dor. No escuro, luz; no frio, calor. Ela, conforto, incômodo e, talvez, rancor. Mas paz, que me traz de volta com ardor. Se confunde sua alma, o espírito e a cor. E perdido me encontro, ou nem me encontro; desfeito, um tanto, nas ruínas frias do amor. Com olhos fechados, percebo esplendor em seu modo de olhar: ternura e pudor. Se ele a vê a vagar, hesita aproximar, por temer encontrar quem nunca procurou. Eu, passado. Ele, presente. Sua alma vagante, chamada se sente. Por quem? Por quê? Não sabe dizer. Mas é azul, quando torna o querido sofrer.

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