Centro de tudo (ou do nada)
Ser o centro de tudo. Não como ser o centro das atenções, a estrela no palco. Na verdade, o motivo dos descarrilamentos, a causa dos terremotos. Querido, respeitado? Deveras. Compreendido? Nem ao longe. Motivo de orgulho, muito orgulho, quando não exige movimento. Motivo de angústia e caos, quando afeta o conforto. Pertencente a canto nenhum. Sem nada pra se agarrar em meio à correnteza. Adepto de convicção alguma. Vive, e só vive, se é que isso é vida. Existência independente, e que também não causa dependência. Ou causa? Talvez haja um encanto em tanto desencanto. Talvez haja magnetismo em tanta perdição. O mundo já se é interno, o que está fora não se vale. E quando vale, é pra apagar o que tem valor.
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