O eco do engano
Será que realmente te amo? Será que é você quem eu chamo? Quando tudo ao redor me parece letal, é você quem vem curar o dano. Acho que eu nem deixo rolar: “Oi, quem chama? O coração não tá.” Você, de novo, tenta se aproximar, e da dor me obrigo a lembrar. Culpa, tenho. Muito medo. Nunca venho por inteiro. Você me ama, eu tento amar. E a última página nos faz chorar. Pra quem aprendeu “você tem que ser bom”, falhar no amor é quase um não, um “não” materno em loja de brinquedo, um “não pode brincar, você vai dormir cedo”, um “não tem mais volta, eu não vou ficar”, um “não fica triste, ela não vai voltar”. Não vá. Não vá. Já foi. Boas mentiras ou, mentiras boas, me deixaram a sofrer por nós dois. Que deslize… Eu tava escrevendo você, não ela. Isso diz tanto o que eu sou agora. Desde a partida, eu tô numa cela. Eu não posso te amar só por hora. Adeus, vou ficar só. E se um dia ela voltar, me livro dessas correntes e talvez reaprenda a amar.
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