Vazio
Tenho me sentido vazio. Não um vazio vazio, mas um vazio que vem preenchendo cada espaço vazio. O ar não se mantém mais no peito. Não tem espaço, está cheio de vazio. O sangue não circula como antes, o vazio coagula. As palavras, outrora cheias de intenção, agora tão vazias. Uma lembrança preenche. Um sorriso brilhando muito, muito longe. Uma luz que já não ilumina, só conforta, e quando conforta. E a caneta treme. Tenta escrever, a tinta hesita. Escrever de novo assusta. A alma transborda, vomita, mas é tudo vazio. Depois de muito, torna a escrever. Escreve, escreve, escreve. A tinta mancha. O papel se molha. O vazio retorna, só não retorna o fogo, que queimava outrora.
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