Me sinto triste.
Como memórias de uma gueixa de guerra.
Presa em tudo que criei, e morreu.
Eu seria uma boa mãe, um dia.
Um bom pai pra seu filho.
Seria um cachorro de caça.
Deitado nos pés da cama.
Totalmente submisso e protetor.
Confronto no polo dos seus olhos.
Quando você me vê, me sinto um pouco menos perdida.
Minha alma estava procurando por uma igual a sua.
Onde esteve esse tempo todo, querido?
É loucura dizer que não estava pronta pro fim?
Mesmo depois de ter enfrentando inúmeras vezes o fim.
Às de copas.
Você é bom demais pra mim.
Bom demais pra sua cidade.
Mas quem sou eu pra invadir seus sonhos?
Sou apenas patética no lar dos desaventurados.
Construindo memórias que roubei da mãe dele.
A criança que nunca nasceu.
Senti ela nos meus braços, antes da mãe dele sentir ele no ventre.
Eu sou fracassada, amor.
Mas eu posso te amar?
Nem que seja por essa noite.
Porque o amor mais verdadeiro é o que dura uma única noite.
Posso amar alguém como você?
Sendo alguém como eu?
Não importa muito agora
Devorei os sonhos da casa.
Quando eu arruinei minha vida por ele.
Agora me sinto pequena também.
Brilho eterno de uma mente sem lembranças
Eu quero os grandes boatos, e as grandes mentiras.
Quero ser linda como as mentiras.
Apanhador de sonhos
Pra que você não interceda a passagem entre minha mente e o imaginário.
Eu te amo.
Posso te amar?
Mesmo quando você me deixa triste?
Ou tem um preço a se pagar toda vez que tento ser feliz por algum motivo?
Como um sol que nasceu sabendo que iria se pôr.
Dançando em cima de um candelabro antigo de ouro.
Eu sei que vou me por, em breve.
Mas mesmo assim danço.
Mas não pela esperança.
Mas pelo medo, de ter se tornado partida
Me transformado em fim, de tanto terminar tudo
Quebrando a redoma em volta dos meus pecados.
Eu sou filha deles.
E eu não posso te seguir daqui de baixo.
Posso te amar, mãe?
Às de copas, três de espadas.
Torre invertida.
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Me sinto distante das verdadeiras magias, as que fazem as mulheres levitarem no início da noite.
Dentre destroços incomensuráveis
Tento planar como papel.
Mas meu corpo me trás de volta.
Pesado como sonetos antigos de uma maldição que virá.
Tenho ruínas fincadas na mente.
Me sinto preso de tanto pensar.
Mas ainda sou bonito como as pétalas de Dália.
Súbita morte aos desesperados.
Tenho me afastado das visões das cartas
Soprando um coração de metal;
De um Deus antigo que prometeu me deixar cego.
Mas mesmo que me levante, tão leve como uma pena
Apenas não voo.
Não saio do meu corpo por testemunho.
Me sinto distante das verdadeiras magias,
as que fazem as mulheres levitarem no início da noite,
As que são descritas como bruxas vorazes de sonhos mortos.
Porque sou tão poeta quanto filho
Tão perdido quanto caminho.
Vestindo preto com deslumbres de pêssego.
Andando pelos becos escuros.
Desesperado por licor, desastre e melancolia.
Sou um profeta das coisas trêmulas.
Um apelo fúnebre para os vivos.
Transando com Deus em meus rituais.
Recitando poesia aos anjos condenados.
Disposto a fazer qualquer coisa em vida.
Menos viver na pureza.
Buscando amor em três línguas
Uma pra cada canto.
Deus, meu lorde, com coroa de espinhos.
Eu, com correntes de arames farpados.
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Torne-me imortal aos olhos.
Tenho guardado todas as cartas de caio.
As que ele súplica pra que eu não morra como os outros.
Tenho talheres de prata nos bolsos.
Busco vendê-las em troca de uma nova vida.
Ouriços por toda parte, alguns olhos revirados.
Não tenho me importado com os sentimentos deles.
Deve ser bom nadar no oceano de quem você realmente ama.
Sem se afogar.
Como um amor verdadeiro, feérico
Ter estrelas no céu da boca, cantando sobre estações quais não existem
Com gosto de ouro e gengibre.
Deve ser bom amar e ser amado.
Mas prefiro saber o que Deus sabe.
E odiar como um homem.
Acuado como um cão domesticado.
Ainda sim quero ser linda.
Mas invisível.
Chorando no bastião imortal.
Sendo aquele quais possui os olhos que tudo vê.
Como uma fuga sádica e desventurada de uma puta.
Quero ser a vingança dos que não nasceram.
E aquele pelo qual alguém lutaria.
Não tão sozinha, pra que eu escute a minha própria voz no escuro.
Mas certamente possa entender meus pensamentos em plena solitude não desesperada.
Estar sozinha, porque escolhi estar.
Louca, por ser cruel com os pássaros.
Viver é matar.
E trazer de volta.
Acima de tudo, estar viva é estar em movimento.
E não quero morrer sangrando no chão da cozinha amarela.
Quero ser imortal aos olhos.
Presente na memória de ser.
Como violetas, que figurativamente lembra a cor antes de lembrar as flores
Mas ainda sim, é as duas coisas ao mesmo tempo
Ser especial.
Minimamente especial.
Pra qualquer pessoa.
Mas caso não seja,
Não quero levar os segredos da minha carne, nem os martírios da minha alma.
Como Caio disse.
Não quero morrer como os outros.
Quero poder.
Não sobre o amor, ou sobre os homens.
Quero poder sobre Deus, e sobre a fé.
Quero a ganância correndo o meu corpo.
Sublime, áspera, desconfortável.
Porém, imortal; aos olhos.
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Todas as minhas poesias são gritos de solidão.
Me conta um segredo?
Um daqueles que você esconde de você, sabe?
Me conta alguma coisa.
Qualquer coisa.
Me fala o que você faz pra se sentir menos só
E se funciona
E o porquê não funciona
Já que nada nunca funciona
Me conta sobre o que você leu, ouviu.
Na verdade.
Não me conta nada.
Fica deitado comigo
Sentindo meu corpo aos poucos ficando quente.
Não me diga suas promessas
Aquelas que te dão vergonha
Não, meu amor.
Me conta sobre a sua mãe.
Me fala sobre a tatuagem na sua costela.
O nome da sua antiga cidade.
Morto, miseravelmente por dentro.
Eu também sinto isso.
Talvez sejamos almas gêmeas.
Me fala da verdade, aquela que não corrói.
Eu posso te contar sobre a poesia que eu chamo minha mãe suicida de monstro.
E depois o porquê eu sou igual a ela.
Mas me conta algo seu?
Algo inerente, seu.
Algo que te deixe metafísico
Me fala coisas que você não diria.
Mas agora diz só porque é pra mim.
Me transforma em açúcar, em ácido.
Me leva pra algum lugar
Qualquer lugar
Que não seja aqui
Que não seja essa conversa.
Uma conversa tão sozinha.
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Isso não é mais sobre você, ou eu, ou ele.
Trinta agulhas pontudas sobre a carne.
Eu queria que fosse a mim naquele dia.
No hospital, trancada por trinta vozes.
Eu sou como meu pai.
Mentirosa, ardilosa e medíocre.
E me pareço com a minha mãe.
Despedaçada, obsoleta, infeliz.
Profundamente infeliz.
Como uma puta que serviu de alívio pra mais um na rua sete.
Eu tenho olhos bonitos como do meu irmão mais novo que nunca nasceu.
Eu tenho cheiro de aborto espontâneo e levanta.
Mas isso não é sobre mim.
Ou sobre o espelho
Eu sou o próximo alívio de um homem na rua oito.
Eu sou a desgraça que morre por estar vivendo todos os dias.
Sou como a lua, não bonita, não misteriosa.
Sou como ela, porque preciso de outro pra brilhar.
Porque sozinha não consigo.
Sou como a porra de um pedaço de pedra inútil no vazio.
Que sozinha não consegue.
Eu sou o vaso ruim que não quebrou.
A única que ainda está aqui.
Uma garota chorando sozinha no velório da mãe.
Uma fantasma viva numa casa de mortos.
Eu escuto essas vozes.
Trinta vozes.
Me fechando entre a esperança e o caos.
Com meus dedos escorrendo pelo noite.
Alcançando o nada.
Virando fumaça.
Sendo cigarro queimado na perna de uma garota de cabelo preto.
Uma tatuagem na costela.
Eu sou como você Stella.
Morta por dentro.
Mas eu ainda sorrio pra essas câmeras.
Pra ser o motivo de masturbação de alguém.
E é tudo de útil que consigo ser.
Seguindo essa rua.
Veneno nos dentes.
Eu ainda sou imensamente linda.
E todos eles dizem isso.
Mas não sabem da verdade.
Eles não vêem como estou nua.
E minha pele lacerada.
Mas como fumaça.
Vou me dissolver no ar, até a inútil lua.
Gota preta no rosto de todas as garotas.
Eu não espero que fique.
Porque eu não posso te oferecer nada
Além da minha tristeza.
Espero que fique.
Até eu perder a beleza
Aí eu serei livre
Finalmente livre
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Sebastian;
se afaste dos meus sonhos por favor.
Não quero viver uma vida pela qual eu não tenha chance de tornar as coisas diferentes.
Em outras palavras.
Eu não quero ser a sua puta.
Pare de invadir meus sonhos.
Me deixe em paz,
Eu preciso encontrar um jeito de pagar os cheques que usei pra estender meus créditos.
Mas acho que o preço é alto demais.
Não quero ser melodramática amor
Mas pra mim o preço da liberdade sempre foi alto.
Porque eu sofri entre as estribeiras?
Se a todo momento eu sabia que você iria embora?
Se eu sabia que você não voltaria, porque nunca nem deveria ter vindo.
Eu planejei tanto a sua chegada, como Deus planejou seus filhos.
Mas assim como ele, eu também errei.
Eu sou um cachorro ou um homem.
E você era meu Deus, criado por mim.
Eu sonhei com você de novo.
Porque você tem se sangrado dentro de uma casa nos meus sonhos?
Ontem duas mulheres foram malvadas comigo, querido.
Elas disseram rindo que eu era durona.
E que consigo ser como um pedregulho.
Porque elas falaram como elogio?
Elas não sabem dos meus sonhos.
E de como você tem me matado lá também.
Eu sei que errei, mas o preço é tão alto?
Te ver ir, sofrer por alguns trocados.
Não era o suficiente?
Quais enredos eu não segui pra me tornar algo irreconhecível.
Queria ter dito meu nome verdadeiro pra você.
Sei que é loucura, mas eu tenho outro nome.
Como fogo também teve.
Mas o seu nome eu sei bem.
E quando vi naquela noite, com a visão turva, não sabia se era real ou não.
Se você tinha me tocado ou não.
Se meu coração estava doendo ou não.
Eu não quero mais escrever sobre você.
Pare de me forçar!
Eu quero me entregar pra esse novo homem.
Chorar nos braços do meu novo namorado.
Que eu também sei que não vai durar.
Ele ameaça me matar todos os dias
E isso tem me dado algum tipo de esperança.
E eu espero que eu não sonhe de novo.
Que eu não te reviva de novo.
Agora, talvez seja a hora de te esquecer de vez.
Mesmo que isso signifique me esquecer um pouco também.
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Eu sei que disse que iria me lembrar de você pra sempre.
Mas eu sou um monstro com uma voz bonita.
E mentiras mais bonitas ainda
E eu já me lembro de tantas coisas, tantas dores, tantas pessoas, amor.
Eu não posso me dar esse direito.
De lembrar, delicadamente de você.
Como algo natural de mim.
Um superpoder que tive por te ter.
Algo etéreo que veio do limbo e te trouxe até aqui.
Na verdade.
Deixarei que morra.
Tudo que tive com você, tudo que você é.
Porque não posso me lembrar de algo bom como se eu merecesse.
Como seu toque sutil na noite amorosa.
Ou seu maravilhoso e violento desejo por mim.
Sua mão no meu pescoço, ou seus braços envolta de mim.
Nada disso poderá ser lembrado.
Nem o seu te amo ingênuo.
Você disse que eu sou malvada, e que gosta disso.
Sussurrou no meu ouvido.
"Você é como licor e tequila"
Caralho, você facilita as minhas poesias.
Porque eu pareço um poema na sua boca?
Você me transforma em algo sublime.
E é por isso, que te matarei na minha mente.
Não posso me deixar levar.
Como Amy, ou Diana.
Tenho que permanecer forte como um barco no mar com a âncora jogada.
Eu não posso correr pra felicidade.
E me abortar da melancolia.
Eu não posso deixar as cartas.
Sete de espadas, torre, morte.
Nosso destino cruel já foi selado.
E eu farei questão de não sonhar com você.
Porque não sou Julieta.
Não sou Ophelia
Nem Odette .
Não sou o grande amor de ninguém
Sou apenas poeta.
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E eu juro mãe, não podemos mais fazer isso.
Acho que vou te chamar pelo seu nome agora
Porque sei quem você realmente é
Você é exatamente como eu.
No fundo, somos iguais, até mais parecido do que com suas filhas
As meninas na sala.
Temos o cabelo vermelho e o mesmo sorriso.
E a incrível e dilacerante habilidade de machucar com as palavras.
Só que as minhas eu uso pra citar poesia.
As suas, você usa de jeito seco e áspero.
Mãe, quando nos tornamos o que somos agora? Aos vinte e aos quarenta?
Mãe, porque seu humor muda?
Porque você me criou, se você não sabia se cuidar?
E agora que eu sou adulto é insolente da minha parte te culpar.
Agora eu tenho que tomar minhas culpas.
Agora tudo que faço é responsabilidade minha.
Então agora, eu sou o monstro que me deu a luz.
Mãe, queria ter te enxergado aos dez.
Lá trás, naquela época talvez eu pudesse te colocar no frio
Dizer que não era certo as coisas que você fala pra mim.
Ou como me tratada.
Mas mãe?
Naquela época eu te amava, e amava como nós éramos
Isso nunca iria funcionar.
Queria voltar só pra ter um abraço seu, sem que precise ser fim do ano.
Mãe! Eu posso te amar agora?
Ou só amar o seu do passado.
Quando ter um sorriso parecido era motivo de sorrir mais ainda.
Agora eu aperto meus dentes e seguro o choro.
Porque é tarde de mais e eu não durmo direito.
Mas mãe
O que eu posso fazer.
Que eu não fiz?
Eu já trabalhei e já te dei todo meu dinheiro
Mas aquilo não foi o suficiente.
Eu ainda me sinto tão sozinho quanto a cinco anos atrás.
E porra mãe, eu não consigo mudar isso sozinho.
É escuro e não consigo ver estrelas do meu quarto.
Você tenta me tirar até o único motivo que eu achei de escapar.
De mim mesmo.
E agora eu tenho que lidar com você
E tenho que lidar comigo
E olha
Pra ser sincero
Enfrentar você duas vezes não é tão fácil.
Mas me enfrentar, e lutar contra a minha cabeça.
Rasga a minha barriga.
E eu tô cansado de rasga-lá
Por favor mãe.
Tira de mim tudo isso.
Porque eu não consigo tirar.
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Teve um momento antes de você.
Algo;
Sublime.
Imerso.
Uma parte que eu nunca vi ou toquei, em mim mesmo.
Algo que jamais eu saberia.
E essa não vai ser a minha melhor poesia de qualquer forma.
Mas gostaria de dizer, que mesmo sabendo do nosso fim inevitável.
Eu queria ter dito mais tempo.
Ter falado com você um pouco mais.
Ter cantado algo pra você.
Coisas que eu cantei só pra minha mãe.
Ou coisas que cantarolei esperando meu pai.
Coisas só minha.
Algo só meu.
Como sempre, fui um segredo pra mim.
Algo engasgado na minha mente.
Vomitando desespero de presença
Trancada em exatas vinte e duas paredes de solidão.
Eu estou cansado, Moisés
E todas as cartas tem me mostrado algo que não posso ter.
Uma vida que não posso alcançar.
Porque descobri que eu estou morrendo.
Igual meu pais
Igual meus animais
Extremamente igual aos meus amores.
Eu estou morrendo, amor.
E tenho sido a linha torta de Deus.
Em uma vida efêmera e líquida.
Não posso ser nada além dos meus sonhos.
E não posso ter nada além de um despertar na realidade crua da minha própria vida real.
Eu não sei até quando eu aguento.
Eu não sei se consigo ter uma estrela guia
Mas não sei o que eu posso fazer a respeito disso.
Além de prender a minha própria respiração.
E soluçar agonia até o fim da minha vida.
Um fim previsto, breve e rápido.
Eu vou embora.
Nunca mais vão me ver.
Nunca mais irei me ver.
Meus cabelos não serão mais vermelhos
E minhas lágrimas poderiam ser confundidas com gotas de chuva, ou suor de uma fada gigante.
Se isso fosse uma história vitoriana
Mas infelizmente essa é a injusta vida real.
E agora, com um calido ponto final
Eu escrevo
Na poesia, que nunca vai ser uma das melhores.
"Adeus.
Para sempre"
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