Torne-me imortal aos olhos
Torne-me imortal aos olhos. Tenho guardado todas as cartas de caio. As que ele súplica pra que eu não morra como os outros. Tenho talheres de prata nos bolsos. Busco vendê-las em troca de uma nova vida. Ouriços por toda parte, alguns olhos revirados. Não tenho me importado com os sentimentos deles. Deve ser bom nadar no oceano de quem você realmente ama. Sem se afogar. Como um amor verdadeiro, feérico Ter estrelas no céu da boca, cantando sobre estações quais não existem Com gosto de ouro e gengibre. Deve ser bom amar e ser amado. Mas prefiro saber o que Deus sabe. E odiar como um homem. Acuado como um cão domesticado. Ainda sim quero ser linda. Mas invisível. Chorando no bastião imortal. Sendo aquele quais possui os olhos que tudo vê. Como uma fuga sádica e desventurada de uma puta. Quero ser a vingança dos que não nasceram. E aquele pelo qual alguém lutaria. Não tão sozinha, pra que eu escute a minha própria voz no escuro. Mas certamente possa entender meus pensamentos em plena solitude não desesperada. Estar sozinha, porque escolhi estar. Louca, por ser cruel com os pássaros. Viver é matar. E trazer de volta. Acima de tudo, estar viva é estar em movimento. E não quero morrer sangrando no chão da cozinha amarela. Quero ser imortal aos olhos. Presente na memória de ser. Como violetas, que figurativamente lembra a cor antes de lembrar as flores Mas ainda sim, é as duas coisas ao mesmo tempo Ser especial. Minimamente especial. Pra qualquer pessoa. Mas caso não seja, Não quero levar os segredos da minha carne, nem os martírios da minha alma. Como Caio disse. Não quero morrer como os outros. Quero poder. Não sobre o amor, ou sobre os homens. Quero poder sobre Deus, e sobre a fé. Quero a ganância correndo o meu corpo. Sublime, áspera, desconfortável. Porém, imortal; aos olhos.
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