Se Cristo vos libertar, verdadeiramente sereis livres.
Isso não é mais sobre você, ou eu, ou ele. Trinta agulhas pontudas sobre a carne. Eu queria que fosse a mim naquele dia. No hospital, trancada por trinta vozes. Eu sou como meu pai. Mentirosa, ardilosa e medíocre. E me pareço com a minha mãe. Despedaçada, obsoleta, infeliz. Profundamente infeliz. Como uma puta que serviu de alívio pra mais um na rua sete. Eu tenho olhos bonitos como do meu irmão mais novo que nunca nasceu. Eu tenho cheiro de aborto espontâneo e levanta. Mas isso não é sobre mim. Ou sobre o espelho Eu sou o próximo alívio de um homem na rua oito. Eu sou a desgraça que morre por estar vivendo todos os dias. Sou como a lua, não bonita, não misteriosa. Sou como ela, porque preciso de outro pra brilhar. Porque sozinha não consigo. Sou como a porra de um pedaço de pedra inútil no vazio. Que sozinha não consegue. Eu sou o vaso ruim que não quebrou. A única que ainda está aqui. Uma garota chorando sozinha no velório da mãe. Uma fantasma viva numa casa de mortos. Eu escuto essas vozes. Trinta vozes. Me fechando entre a esperança e o caos. Com meus dedos escorrendo pelo noite. Alcançando o nada. Virando fumaça. Sendo cigarro queimado na perna de uma garota de cabelo preto. Uma tatuagem na costela. Eu sou como você Stella. Morta por dentro. Mas eu ainda sorrio pra essas câmeras. Pra ser o motivo de masturbação de alguém. E é tudo de útil que consigo ser. Seguindo essa rua. Veneno nos dentes. Eu ainda sou imensamente linda. E todos eles dizem isso. Mas não sabem da verdade. Eles não vêem como estou nua. E minha pele lacerada. Mas como fumaça. Vou me dissolver no ar, até a inútil lua. Gota preta no rosto de todas as garotas. Eu não espero que fique. Porque eu não posso te oferecer nada Além da minha tristeza. Espero que fique. Até eu perder a beleza Aí eu serei livre Finalmente livre
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