Ser poeta é enxergar
além do visível
e surpreender a natureza
das coisas.
Captar a beleza da poeira
dançando toda feliz
nos raios de luz,
ao sabor do vento macio.
O apito de um trem
que se perde atrás das colinas
e que ninguém tem tempo
para ouvir.
Os filetes de chuva
que descem saracoteando
nos telhados
e que refletem a luz pálida
de um sol entre nuvens.
O poeta sente
a dor de um adeus,
que nem mesmo é dele!
Mas que dói no fundo de si
e que brota,
flor estranha,
em forma de versos.
Ele busca a alma profunda
e o que vê,
às vezes é belo e inocente
como um sorriso de criança...
Às vezes não!
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Numa noite antiga,
raios tremendos
criaram crestas de luzes
num céu de chuvas e ventos.
Entre cabruns e chuás,
a saparia cantava no brejo os
croc-croc-crocs
e os grilos, seus cri-cri-cris.
Então,
depois de um cabrum violento,
seguiu-se um longo-longo psiu!.
A vida parecia suspensa.
Pairava um ar de tragédia
na atmosfera úmida.
Foi quando os chuás
no telhado serenaram,
até sumirem de vez
quando o último pling caiu.
O silêncio irreal
estendia um tapete de espinhos:
O brummmm engasgado
de um carro se achegou
e um fon-fon ecoou
à plenos pulmões bem ali,
no porta da casa.
Depois de um toc-toc tímido,
abafado pela escuridão,
uns xius-xius à baixíssima voz.
Psius breves!
Em seguida os buáás-buáás
de tias, tios e pais,
e os toclofs-toclofs esbaforidos contra os tacos de madeira
recém encerados.
Os frus-frus dos tecidos
se esfregando em abraços doloridos:
Um parente querido
havia morrido na enxurrada...
e não existiam sons engraçados
que aplacassem aquela dor geral.
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DIRETAMENTE DE MEU
LIVRO DE POEMAS
Clara Negra:
A Cruz e o clips
Uma pequena cruz
pendurada na porta,
presa por um clips de papel,
suspensa num prego solitário:
A força latente
da simplicidade da imagem
revela a fé profunda e pura
no Senhor Filho de Meu Deus!
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Olá, pessoal!
Estive longe algum tempo
Porque estava preparando
Meu primeiro ebook
De poemas, intitulado
CLARA NEGRA.
Disponível no
Google e Kobo,
Com precinho de nada!
Só R$ 6,50.
Deem uma força aí!
Um abraço e fiquem
Com Deus!
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Dizem que de longe
toda família é normal.
Bom.
Mas é bem de perto,
no aconchego dos abraços,
no ruído das risadas,
nos olhares de carinho,
nas brincadeiras sem tempo
e no apoio incondicional
que a loucura da família
se realiza e nos encanta!
Deus abençoe
todas famílias do mundo!
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De tanto em tanto repito erros.
Sim, eu sei que essa
é uma das definições de loucura.
Mas quem não tem,
um fiapo ao menos,
de insanidade líquida e certa?
Quando em vez
estabeleço um tema
para meus parcos versos,
como se eu fosse o dono deles!
Pobre Juçaro!
Imagine então uma bola,
quicando na entrada da área.
Sem goleiro. Sem beques
- sim, sou do tempo dos beques!
Então me aproximo:
a bola está ali,
ávida por um chute e...
Nada.
Por mais que eu tente,
meu pé passa através
da estrutura da pelota
que não se move
um centímetro sequer!
E que continua quicando,
fazendo troça de mim!
Então surge uma dúvida terrível!
A bola seria um fantasma
ou o fantasma seria eu que tento,
no mundo real,
criar coisas que existem
apenas nos meus sonhos?
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Esse rio fluindo,
como um tempo feito de águas.
E que passa,
imparável!
Indo!
Seus espelhos ondulosos
refletem sem memória
a paisagem ao longo do caminho
Quantas vidas
olharam suas águas
e viram refletidas
em sua superfície liquida,
dramas, amores, tardes de sol?
Lá vai o rio
Em seu chuá sem-fim,
Encaracolando suas águas
entre seixos e pedregulhos.
Entre velórios
e dores de partos.
Aqui uma reentrância,
acolá um remoinho...
Segue o rio obstinado,
estúpido,
que nunca soube
parar suas águas,
formar um lago,
profundo,
de tempo, de espaço, de vida.
Mas não!
corre sempre,
deságua sempre,
avança desde sempre.
Rio burro!
Na distância, o mar abre
seus braços gelados
e acolhe as águas
num abraço de sal
e de esquecimento!
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A vida arrancada à força!
Desmembrada,
Destruída,
Destroçada
no útero materno.
Lá,
onde a vida se inicia,
a morte abominável
foi lhe buscar.
E foi um ato de amor.
Dizem...
Um amor traduzido
em fórceps e
injeção salina.
Amor assassino.
Maldito amor cruel.
Amor das trevas.
Amor das dores.
Amor do mal!
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Sou antigo.
Sou do tempo
das fogueiras de São João.
Da batata-doce assada na brasa,
dos balões japoneses
que enfeitavam o céu noturno
e profundo de minha infância.
Sou do tempo da quadrilhas
(as inocentes quadrilhas, diga-se!),
do Anarriê,
do Anavantu,
do Foi Mentira!
Quando a vida era tão simples
quanto à crença de que aquele
era o dia mais frio do ano
e nenhum outro dia
tinha permissão de esfriar mais!
Que fim levou meu São João?
Quando a rua, toda enfeitada
de bandeirolas coloridas
e de galhos de bambus,
encantava e seduzia
minha infância tão longínqua!
O falso delegado,
a noiva prometida,
a cadeia improvisada
entre a barraca de maçã do amor
e a birosquinha de bombinhas.
São João,
festejado em todo o Brasil,
refugiou-se em Caruaru
e seus arredores...
E ganhou ares industriais!
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Uma pequena cruz
pendurada na porta,
presa por um clips de papel,
suspensa num prego solitário:
A força latente
da simplicidade da imagem,
revela a fé profunda e pura
no Senhor Filho de Meu Deus!
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