O RIO DAS HORAS
Esse rio fluindo, como um tempo feito de águas. E que passa, imparável! Indo! Seus espelhos ondulosos refletem sem memória a paisagem ao longo do caminho Quantas vidas olharam suas águas e viram refletidas em sua superfície liquida, dramas, amores, tardes de sol? Lá vai o rio Em seu chuá sem-fim, Encaracolando suas águas entre seixos e pedregulhos. Entre velórios e dores de partos. Aqui uma reentrância, acolá um remoinho... Segue o rio obstinado, estúpido, que nunca soube parar suas águas, formar um lago, profundo, de tempo, de espaço, de vida. Mas não! corre sempre, deságua sempre, avança desde sempre. Rio burro! Na distância, o mar abre seus braços gelados e acolhe as águas num abraço de sal e de esquecimento!
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