OS SONS DA TRAGÉDIA
Numa noite antiga, raios tremendos criaram crestas de luzes num céu de chuvas e ventos. Entre cabruns e chuás, a saparia cantava no brejo os croc-croc-crocs e os grilos, seus cri-cri-cris. Então, depois de um cabrum violento, seguiu-se um longo-longo psiu!. A vida parecia suspensa. Pairava um ar de tragédia na atmosfera úmida. Foi quando os chuás no telhado serenaram, até sumirem de vez quando o último pling caiu. O silêncio irreal estendia um tapete de espinhos: O brummmm engasgado de um carro se achegou e um fon-fon ecoou à plenos pulmões bem ali, no porta da casa. Depois de um toc-toc tímido, abafado pela escuridão, uns xius-xius à baixíssima voz. Psius breves! Em seguida os buáás-buáás de tias, tios e pais, e os toclofs-toclofs esbaforidos contra os tacos de madeira recém encerados. Os frus-frus dos tecidos se esfregando em abraços doloridos: Um parente querido havia morrido na enxurrada... e não existiam sons engraçados que aplacassem aquela dor geral.
R E J O
meus sentimentos