Te conheci
Escrevi uma rima com teu nome
Alguns versos sobre esse seu olhar
Descrevi seu sorriso em um texto de duas páginas
Até o meu caderno começou se apaixonar
Teu cheiro virou memória inspiradora
Tua presença frequentava cada linha
Era pra ser só poesia e foi se tornando sentimento
Agora tô tatuando suas iniciais na pele com canetinha
Brinquei demais com as palavras
Agora varo as madrugadas procurando as frases mais inusitadas para elogiar a musa minha
Te mostrei um acróstico, dizendo que foi sem intenção
Mas intenção tinha
Sempre teve
Cada metáfora revelava vontade
Toda estrofe carregava saudade
Usei até cacofonias
Para declarar minha admiração
Não percebi quando se tornou paixão
Eu não crio textos de amor
Eu só rabisco você
Sou seu autor
Vou até assinar assim:
Seu admirador.
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Metalinguagem
Toda escrita é solidão
Todo eu lírico se torna confissão
Licença poética para metáfora e comparação
Sinônimo é dar nome aos bois
Parafraseando ou não
Uma metonímia, um eufemismo, prosopopéia
No trocadilho, hipérbole e ironia, onomatopeia
Essa palavra traduz uma idéia
Tem o contexto, o subtexto, onde está o sujeito
Na gíria, no sotaque, no jeito
O apelido perfeito
Pronto estou aceito
Fui entendido, o significado foi corrompido
Mal interpretado mudou o sentido
Alusões ao pé da letra, o homenageado se sentiu ofendido
O estrangeirismo
Piada para inteligente não rir
E fingir
Compreensão
Se foi um analfabeto que criou o alfabeto, toda palavra é de invenção
Toda regra gramatical
É apropriação
Cultural
O povo começa uma língua e a elite o proíbe de falare errado
De escrever erado
De pronunciar craseado
É o santo ensinando pecado
Então isso quer dizer aquilo?
Mas é padrão ou estilo?
É quase imperceptível, fi-lo porque qui-lo
Literatura museu pra se ler num asilo
Boicote ou sabotagem?
Emoji são poesias desde o Egito antigo até a atualidade
Não fique calado! Meta a língua na metalinguagem
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Voto impress ionante
Quero tua boca
Diurna ou noturna
No teu partido eu voto
Meu coração te elegeu
Meu santinho é tua foto
Só tenho você no meu pleito
Outras propostas nem noto
O meu coração em campanha
Será sempre seu devoto
Quero tua boca diurna/noturna
No teu partido eu voto
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Olhem
Um mês
Tá
Unindo
Bruxas,
Rosas...
Outubro
Ela me escreveu uma poesia
Mas quando eu li, o que senti
Entrei numa orgia
Me diz, mulher, você criou
Um poema ou começamos fazer amor ?
Pois o título me excitava
E a cada palavra
Com mais tesão ficava
Tinha versos inacabados que a minha imaginação completava
Certas sílabas
Pareciam ter vírgulas
Pausadamente eu respirava
Te li com uma das mãos ocupada
Suas estrofes tinham pele
E a minha toda arrepiada
Senti cheiro inexistente
Sabores que nunca provei
Uma frase me deixou com calor
E parado não fiquei
Tipo música mexendo com as ancas
Em silêncio acelerei
Havia desejo naquela letra
Pecado entre as rimas
É como se dissesse :
NÃO PARA
CONTINUA
VEM PRA CIMA !
Veio você na mente
Meu corpo até sente
Mas é só coisa que a gente
Imagina
Me segurei pra não terminar antes do fim
Como você faz poesia assim?
Onde começa a escrita e acaba a leitura?
Acho que gozei na sua assinatura
Cansado, ofegante, repito a experiência
Sou leitor que está à sua procura
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Casa limpa
Sem sujeira
Sem bagunça, sem poeira
Ainda assim precisando de uma faxina completa na casa inteira
Porque a casa tava cheia
De lembranças vencidas
Sentimentos guardados
Saudade que não servia
Traumas amontoados
O sofrimento era decoração
Preciso arrumar o coração
Tirar umas teias de aranhas do porão
Gavetas que não abria
Promessas e fotografia
Acumulou a nostalgia
Sonho que não saiu do papel tava virando pesadelo
Versões minha com outro cabelo
Tenho que tirar tudo do lugar, é necessário removê-lo
Dói
Muito
Eu
Sei
Tem coisas que machucam duas vezes ou três
É pra não magoar outra vez
Eu continuei o descarte
Jogar fora faz parte
Lavando as culpas, esfregando pensamentos
Lágrimas na água com produtos fortes arrancam sentimentos
Silêncio, despedida
Coragem e partida
É um trabalho pesado, árduo e cansativo
É como apagar palavras de um livro
O que fica é a sensação de alívio
É um cheirinho de solidão que ainda se encontra escondido
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Um jardim em mim
Existe vida, borboleta e beija-flor
Raiz em terra preta, canteiro de amor
Em folhas verde-claro onde o orvalho faz carinho
Uma praga, algum zangão, escondidos espinhos
O cheiro de plantaação no néctar doócinho
Estas são cores da estação, em pé tá lá o caminho
Bem-me-quero e mal-me-quero
Me despedaço e me desespero
Me pisaram e deixaram pegadas
Arrancaram-me o botão, fizeram- me germinada
Nasci muda
Cresci erva, espalhei arruda
Tenho remédio, sou veneno, enfeito ramalhetes
Solto pólen, vazo em vasos, faço buquê em copos de leite
Com a boca de leão, áspero e macio é meu texto
E no jardim da saudade serei só
Amor perfeito
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É leitor
Está aberta a temporada de caça ao eleitor
Nunca te cumprimentou
Agora pega na sua mão e tira foto
Te abraça pedindo voto
Se diz diferente, é gente como a gente
Sorri mostrando os dentes
Querendo cargo político o síndico/presidente
Ano de eleição= asfalto remendado
Obra pra todo lado
Muros pintados, carros com vidro desenhado
Musiquinha de campanha, promessa de mentira e conto do vigário
Acusam os candidatos rivais, falsos demais, todos na mão de empresário
Pois se eleger é caro
Quem tentou mudar algo, eles que mudaram
Corruptos contra corrupção, piada eleitoral
Diz que tem a solução
Pro povo que anda mal
Fazem vídeo denunciando os problemas que eles mesmos criaram
E põe a culpa num inimigo imaginário
Você acredita, é claro
Se o pastor pediu pra decorar o número desse cara
E o meu patrão tá apoiando
É porque ele é um dos nossos que tá se importando?
Ruas sujas de papel-santinho até quando?
Quero ver o eleitorado se interessando
Em vez de título na mão de vocês
O livro de Saramago: "Ensaio sobre a lucidez"
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Sábado
Na bienal do livro em São Paulo
Estarei na travessa 24
Se
Estação
Termina
E
Mais
Beija-flores
Renascem
Oba