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R E J O

@rejo · desde 2019

foi um analfabeto que criou o alfabeto

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Te conheci Uma nova saudade nasceu

Te conheci Escrevi uma rima com teu nome Alguns versos sobre esse seu olhar Descrevi seu sorriso em um texto de duas páginas Até o meu caderno começou se apaixonar Teu cheiro virou memória inspiradora Tua presença frequentava cada linha Era pra ser só poesia e foi se tornando sentimento Agora tô tatuando suas iniciais na pele com canetinha Brinquei demais com as palavras Agora varo as madrugadas procurando as frases mais inusitadas para elogiar a musa minha Te mostrei um acróstico, dizendo que foi sem intenção Mas intenção tinha Sempre teve Cada metáfora revelava vontade Toda estrofe carregava saudade Usei até cacofonias Para declarar minha admiração Não percebi quando se tornou paixão Eu não crio textos de amor Eu só rabisco você Sou seu autor Vou até assinar assim: Seu admirador.

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Meta língua age

Metalinguagem Toda escrita é solidão Todo eu lírico se torna confissão Licença poética para metáfora e comparação Sinônimo é dar nome aos bois Parafraseando ou não Uma metonímia, um eufemismo, prosopopéia No trocadilho, hipérbole e ironia, onomatopeia Essa palavra traduz uma idéia Tem o contexto, o subtexto, onde está o sujeito Na gíria, no sotaque, no jeito O apelido perfeito Pronto estou aceito Fui entendido, o significado foi corrompido Mal interpretado mudou o sentido Alusões ao pé da letra, o homenageado se sentiu ofendido O estrangeirismo Piada para inteligente não rir E fingir Compreensão Se foi um analfabeto que criou o alfabeto, toda palavra é de invenção Toda regra gramatical É apropriação Cultural O povo começa uma língua e a elite o proíbe de falare errado De escrever erado De pronunciar craseado É o santo ensinando pecado Então isso quer dizer aquilo? Mas é padrão ou estilo? É quase imperceptível, fi-lo porque qui-lo Literatura museu pra se ler num asilo Boicote ou sabotagem? Emoji são poesias desde o Egito antigo até a atualidade Não fique calado! Meta a língua na metalinguagem

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Voto

Voto impress ionante Quero tua boca Diurna ou noturna No teu partido eu voto Meu coração te elegeu Meu santinho é tua foto Só tenho você no meu pleito Outras propostas nem noto O meu coração em campanha Será sempre seu devoto Quero tua boca diurna/noturna No teu partido eu voto

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Mês 10

Olhem Um mês Tá Unindo Bruxas, Rosas... Outubro

Leitor procura escritora

Ela me escreveu uma poesia Mas quando eu li, o que senti Entrei numa orgia Me diz, mulher, você criou Um poema ou começamos fazer amor ? Pois o título me excitava E a cada palavra Com mais tesão ficava Tinha versos inacabados que a minha imaginação completava Certas sílabas Pareciam ter vírgulas Pausadamente eu respirava Te li com uma das mãos ocupada Suas estrofes tinham pele E a minha toda arrepiada Senti cheiro inexistente Sabores que nunca provei Uma frase me deixou com calor E parado não fiquei Tipo música mexendo com as ancas Em silêncio acelerei Havia desejo naquela letra Pecado entre as rimas É como se dissesse : NÃO PARA CONTINUA VEM PRA CIMA ! Veio você na mente Meu corpo até sente Mas é só coisa que a gente Imagina Me segurei pra não terminar antes do fim Como você faz poesia assim? Onde começa a escrita e acaba a leitura? Acho que gozei na sua assinatura Cansado, ofegante, repito a experiência Sou leitor que está à sua procura

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Faxina

Casa limpa Sem sujeira Sem bagunça, sem poeira Ainda assim precisando de uma faxina completa na casa inteira Porque a casa tava cheia De lembranças vencidas Sentimentos guardados Saudade que não servia Traumas amontoados O sofrimento era decoração Preciso arrumar o coração Tirar umas teias de aranhas do porão Gavetas que não abria Promessas e fotografia Acumulou a nostalgia Sonho que não saiu do papel tava virando pesadelo Versões minha com outro cabelo Tenho que tirar tudo do lugar, é necessário removê-lo Dói Muito Eu Sei Tem coisas que machucam duas vezes ou três É pra não magoar outra vez Eu continuei o descarte Jogar fora faz parte Lavando as culpas, esfregando pensamentos Lágrimas na água com produtos fortes arrancam sentimentos Silêncio, despedida Coragem e partida É um trabalho pesado, árduo e cansativo É como apagar palavras de um livro O que fica é a sensação de alívio É um cheirinho de solidão que ainda se encontra escondido

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Um jardim em mim

Um jardim em mim Existe vida, borboleta e beija-flor Raiz em terra preta, canteiro de amor Em folhas verde-claro onde o orvalho faz carinho Uma praga, algum zangão, escondidos espinhos O cheiro de plantaação no néctar doócinho Estas são cores da estação, em pé tá lá o caminho Bem-me-quero e mal-me-quero Me despedaço e me desespero Me pisaram e deixaram pegadas Arrancaram-me o botão, fizeram- me germinada Nasci muda Cresci erva, espalhei arruda Tenho remédio, sou veneno, enfeito ramalhetes Solto pólen, vazo em vasos, faço buquê em copos de leite Com a boca de leão, áspero e macio é meu texto E no jardim da saudade serei só Amor perfeito

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Bienal

É leitor Está aberta a temporada de caça ao eleitor Nunca te cumprimentou Agora pega na sua mão e tira foto Te abraça pedindo voto Se diz diferente, é gente como a gente Sorri mostrando os dentes Querendo cargo político o síndico/presidente Ano de eleição= asfalto remendado Obra pra todo lado Muros pintados, carros com vidro desenhado Musiquinha de campanha, promessa de mentira e conto do vigário Acusam os candidatos rivais, falsos demais, todos na mão de empresário Pois se eleger é caro Quem tentou mudar algo, eles que mudaram Corruptos contra corrupção, piada eleitoral Diz que tem a solução Pro povo que anda mal Fazem vídeo denunciando os problemas que eles mesmos criaram E põe a culpa num inimigo imaginário Você acredita, é claro Se o pastor pediu pra decorar o número desse cara E o meu patrão tá apoiando É porque ele é um dos nossos que tá se importando? Ruas sujas de papel-santinho até quando? Quero ver o eleitorado se interessando Em vez de título na mão de vocês O livro de Saramago: "Ensaio sobre a lucidez"

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Bienal sp

Sábado Na bienal do livro em São Paulo Estarei na travessa 24

Mes 9

Se Estação Termina E Mais Beija-flores Renascem Oba