Por Letícia Oliveira
Vivemos na era da pressa.
Tudo precisa caber em um toque, em uma mensagem curta, em um convite direto: “Vem aqui em casa.”
O que antes era ritual — o olhar, a conversa, o silêncio compartilhado — virou atalho.
A lógica do encontro cedeu lugar ao consumo do outro.
A conexão virou performance.
E o sentir... virou risco.
Mas o que acontece quando a presença do outro é reduzida ao seu corpo?
Quando o conhecer é só um meio para um prazer rápido — e não um mergulho no mistério do outro?
Perdemos a pausa.
Perdemos a escuta.
E, aos poucos, esquecemos que vínculo se constrói com tempo, atrito e vulnerabilidade.
Que tipo de amor pode florescer se tudo precisa ser leve, sem esforço, sem profundidade?
Quando o outro não é mais alguém a ser descoberto, mas apenas algo a ser usado e descartado?
Talvez seja hora de desacelerar.
De voltar a perguntar o nome antes de tocar a pele.
De lembrar que gente não se consome — se encontra.
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Mas carrego em mim a força de quem veio antes.
Não sou apenas um rosto bonito —
sou pensamento afiado, fala firme e alma doce.
Sou quem aprende e ensina, quem acolhe e confronta.
Determinação corre nas minhas veias,
e minha intuição é bússola que não falha.
Falo com o coração, ajo com coragem
e me movo com propósito.
E mesmo com tudo isso,
meus pés continuam fincados no chão,
porque humildade é herança,
e minha ancestralidade me ensinou
que brilho de verdade vem de dentro.
— Letícia Oliveira
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Às vezes, a gente se aproxima de alguém carregando tempestades.
Chega cheio, transbordando, achando que vai inundar, sufocar, afogar…
Mas então, encontra um oceano.
Um coração vasto, calmo, que acolhe sem medo.
Que entende os nossos ventos, recebe nossas marés.
E ao invés de se assustar com o volume das nossas dores, se abre, se entrega, se mistura.
Porque existem pessoas que não se assustam com o que escorre da gente.
Elas simplesmente deixam a gente desaguar…
E quando a gente menos espera, se sente em casa, no fundo desse mar — em paz.
Por Letícia Oliveira
@leticia_deoliveiraof
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Eu sigo firme, mesmo nos dias nublados.
Porque há algo em mim que brilha —
um tipo de força que ninguém me ensinou.
É instinto, é coragem,
é essa luz que me acende por dentro
toda vez que o mundo tenta apagar.
Não é sorte.
É presença.
É alma que pulsa
e se recusa a desistir de si.
— por Letícia Oliveira
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E se nenhum olhar me reconhecer como força ou beleza,
que eu me veja com os olhos do sagrado.
Que eu me levante com a dignidade das águas que me habitam,
e me nomeie rainha do meu próprio mar.
Mesmo sozinha, que eu saiba:
sou feita de profundezas,
e tudo o que escorre de mim
é coragem em estado líquido.
Letícia Oliveira
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Boca de Fogo e Alma de Cinzas
Autora: Letícia Oliveira
Era fim do mundo pra todos… menos pra ele. Ele, o forasteiro de mãos calejadas, alma pesada como chumbo e coração marcado pelo próprio fogo. Ele não pedia licença pra entrar — ele atravessava portas, muros, mundos. Incendiava tudo o que tocava, como um lobo solitário tentando encontrar redenção nas chamas que ele próprio acendia.
Ainda assim, ela ficou.
A mulher de pele negra como a meia-noite, de olhos selvagens que guardavam mundos que ele ainda não ousara queimar. Entre o pó, o entulho e o cheiro de destruição, ele a viu como uma deusa nascida nas cinzas — a única que ele não consegue consumir, a única que faz o coração dele — de pedra e faísca — estremecer.
Eles diziam que ele era um monstro, um demônio de mãos manchadas de sangue. Mas pra ela ele era a combinação perfeita de dor e redenção. Porque ele podia queimar uma cidade ao cair da noite… e depois, de joelhos, lamber o caminho pelo qual ela passava, como um lobo tentando provar lealdade à sua alfa.
Eles compartilhavam um pacto quase primitivo: ele incendiava o mundo pra provar seu amor; ela caminhava sobre ele pra dizer que o perdoava. Uma combinação feroz de violência e redenção, de pele, alma e desejo.
Assim, nas chamas de um futuro morto, nascia um amor que ninguém domava… um amor nascido da dor, criado pelo fogo, imortal nas cinzas — selvagem como um raio na tempestade, intenso como o próprio fim do mundo.
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Por Letícia Oliveira
(...continuação...)
Depois do silêncio, veio a fúria.
Não aquela que destrói, mas a que levanta.
Aquela que faz a mulher quebrada se olhar no espelho e dizer:
“Eu mereço viver em paz.”
Foi com os olhos roxos e a alma ferida que denunciei.
A polícia duvidou.
A justiça demorou.
Mas eu não parei.
Com cada passo, outras mulheres se juntaram a mim.
Cada uma com sua história marcada no corpo, nos olhos, no coração.
Juntas, deixamos de ser vítimas para sermos testemunhas da nossa força.
O julgamento veio.
Ele tentou mentir, se esconder.
Mas palavras não apagam provas.
Nem o choro de tantas.
E naquele tribunal, não era só a minha voz.
Era a de todas nós.
Condenado.
Não à prisão apenas — mas ao esquecimento.
Porque enquanto ele apodrece entre grades,
eu renasço entre páginas, poemas, atos de coragem.
Hoje escrevo para quem ainda sangra em silêncio:
você não está sozinha.
Existe um mundo onde a justiça começa no momento em que você acredita na sua voz.
E esse mundo começa aqui.
Na sua história.
Na sua coragem.
Na sua sobrevivência.
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Por Letícia Oliveira
Ele achava que podia tudo.
Dizia que mulher era propriedade.
Violava corpos, destruía almas.
Tinha prazer na dor — não na entrega, mas na submissão.
Para ele, prazer era domínio.
E foi assim, com a arrogância de um predador, que tentou me apagar.
Mas eu não morri.
Meu corpo sangrou.
Minha mente gritou em silêncio por dias.
Minha alma quis desistir, mas… resisti.
Não sou a primeira, e isso é o mais cruel de tudo.
Quantas vieram antes de mim?
Quantas ainda virão, se o mundo continuar fingindo que não vê?
Mas hoje eu falo.
Hoje, a minha voz não é sussurro.
Hoje, eu escrevo com o grito de todas nós.
Não sou puta.
Sou mulher.
Sou sobrevivente.
E minha história não termina em dor — ela começa na justiça.
Para cada mulher que um dia se sentiu calada, invisível, destruída:
você ainda está aqui.
E isso já é um ato de coragem.
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Embora a vida nos marque, o amor verdadeiro tem a capacidade de curar, sarar, salvar. É um refúgio onde se encontram o pranto e a alegria, o afeto e a aversão. O amor em sua pureza essencial cura, salva, transforma o ser. As cicatrizes são lembranças, mas o amor genuíno nos impulsiona a seguir adiante, aliviando seu peso. Amor, em sua essência mais pura e elevada.
Letícia Oliveira
16/04/2025
Ninguém tinha sua presença, seu aroma, tampouco sua peculiaridade.
Ninguém poderia ser definido tão bem como um enigma.
E absolutamente ninguém tinha seus olhos. Faíscas de safira, perfeitas e letais.
Letícia Oliveira
06/04/2025