Ela sobreviveu
Por Letícia Oliveira Ele achava que podia tudo. Dizia que mulher era propriedade. Violava corpos, destruía almas. Tinha prazer na dor — não na entrega, mas na submissão. Para ele, prazer era domínio. E foi assim, com a arrogância de um predador, que tentou me apagar. Mas eu não morri. Meu corpo sangrou. Minha mente gritou em silêncio por dias. Minha alma quis desistir, mas… resisti. Não sou a primeira, e isso é o mais cruel de tudo. Quantas vieram antes de mim? Quantas ainda virão, se o mundo continuar fingindo que não vê? Mas hoje eu falo. Hoje, a minha voz não é sussurro. Hoje, eu escrevo com o grito de todas nós. Não sou puta. Sou mulher. Sou sobrevivente. E minha história não termina em dor — ela começa na justiça. Para cada mulher que um dia se sentiu calada, invisível, destruída: você ainda está aqui. E isso já é um ato de coragem.
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