Ela Sobreviveu
Por Letícia Oliveira (...continuação...) Depois do silêncio, veio a fúria. Não aquela que destrói, mas a que levanta. Aquela que faz a mulher quebrada se olhar no espelho e dizer: “Eu mereço viver em paz.” Foi com os olhos roxos e a alma ferida que denunciei. A polícia duvidou. A justiça demorou. Mas eu não parei. Com cada passo, outras mulheres se juntaram a mim. Cada uma com sua história marcada no corpo, nos olhos, no coração. Juntas, deixamos de ser vítimas para sermos testemunhas da nossa força. O julgamento veio. Ele tentou mentir, se esconder. Mas palavras não apagam provas. Nem o choro de tantas. E naquele tribunal, não era só a minha voz. Era a de todas nós. Condenado. Não à prisão apenas — mas ao esquecimento. Porque enquanto ele apodrece entre grades, eu renasço entre páginas, poemas, atos de coragem. Hoje escrevo para quem ainda sangra em silêncio: você não está sozinha. Existe um mundo onde a justiça começa no momento em que você acredita na sua voz. E esse mundo começa aqui. Na sua história. Na sua coragem. Na sua sobrevivência.
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