O tempo do afeto
Por Letícia Oliveira Vivemos na era da pressa. Tudo precisa caber em um toque, em uma mensagem curta, em um convite direto: “Vem aqui em casa.” O que antes era ritual — o olhar, a conversa, o silêncio compartilhado — virou atalho. A lógica do encontro cedeu lugar ao consumo do outro. A conexão virou performance. E o sentir... virou risco. Mas o que acontece quando a presença do outro é reduzida ao seu corpo? Quando o conhecer é só um meio para um prazer rápido — e não um mergulho no mistério do outro? Perdemos a pausa. Perdemos a escuta. E, aos poucos, esquecemos que vínculo se constrói com tempo, atrito e vulnerabilidade. Que tipo de amor pode florescer se tudo precisa ser leve, sem esforço, sem profundidade? Quando o outro não é mais alguém a ser descoberto, mas apenas algo a ser usado e descartado? Talvez seja hora de desacelerar. De voltar a perguntar o nome antes de tocar a pele. De lembrar que gente não se consome — se encontra.
R E J O
tive que vir ler bem rápido