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Jacó Mateus

@jacob_mateo · desde 2026

"Entre Pedras Duras do Viver"

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SEM CATEGORIA

Dizei-me, ó poeta, que nome lhe dareis, Às palavras que em vossa alma concebeis? Será amor, se o amor não as traduz? Será tristeza, se a dor não lhes dá luz? Que categoria há de conter vosso pensamento, Se em cada verso se esconde um firmamento? Que nome dareis ao que não tem medida, Se a própria palavra se mostra reduzida? Será que o sentimento não tem morada, Ou é a classificação que lhe fica limitada? Por que razão buscais, entre tantas definições, Uma só fronteira para infinitas emoções? Ó poeta, que mais não deveis escolher, Se tudo, de todo o mundo, à vossa vista está? Se tendes mil palavras para escrever, Por que nenhuma delas vos satisfará? Talvez «sem categoria» seja o nome mais profundo, Não por faltar sentido ao que se escreveu, Mas por não haver nome bastante neste mundo Para aquilo que a alma, em silêncio, concebeu.

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DAQUI PRA FRENTE É SÓ PARA TRÁS

Ó tu, que ao porvir entregas teu cuidado, E julgas caminhar em nobre evolução, Não vês que o passo, embora acelerado, Pode levar-te à antiga perdição? Ergueu-se o homem em ciência e grandeza, Fez do impossível sua habitação; Mas, quanto mais se exalta em sua alteza, Mais se distancia da própria razão. Que estranha evolução é esta, em verdade, Que dá ao mundo engenho e movimento, Mas rouba aos corações a humanidade E troca a consciência pelo esquecimento? Dize-me, pois, que avanço é este, leitor, Se o novo veste a máscara do antigo? Se o tempo, que se anuncia redentor, Nos leva ao mesmo abismo de onde vimos? Talvez não seja o mundo que recua, Nem seja o tempo avesso ao seu destino; Talvez a própria marcha, que se insinua, Seja o regresso oculto do caminho. E assim, sob o esplendor de cada aurora, Enquanto o homem julga o céu alcançar, Há uma verdade que o silêncio mora: Daqui pra frente… é só para trás.

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Poema

SER ESCRITOR...

Ser poeta é ter mil almas num só peito, É ser estranho onde todos são iguais; É construir um universo imperfeito E habitá-lo quando o mundo já não traz Nem um abrigo, nem um abraço estreito, Nem uma voz que te compreenda um pouco mais. Tu, que lês estas palavras, sabes o que é? É ter dentro do silêncio um grito imenso; É ajoelhar perante a própria fé E questionar o próprio pensamento intenso. É caminhar sem saber sequer porquê, Levando o infinito num coração suspenso. Tu não escreves: sangras sobre o papel, Fazes da tinta o sangue que te resta; E quando a noite apaga o próprio céu, Tua solidão transforma-se em orquestra. És prisioneiro, carcereiro e réu, Julgando a própria dor numa cela sem festa. E quando escreves, ninguém vê o que morreu: A infância que perdeste, o amor que não voltou, Os sonhos que enterraste e o homem que se perdeu, As mil versões de ti que o tempo assassinou. O mundo lê teus versos, mas não sabe quem os escreveu; Aplaude a tua luz sem ver a noite que a gerou. Ser poeta é ser ninguém, sendo tudo o que sentes; É ter por companhia aquilo que te consome. É dar voz aos mortos, aos ausentes, aos silentes, E eternizar a própria dor sem lhe dizer o nome. E quando enfim partires, entre os séculos indiferentes, Talvez reste um verso teu — e ninguém saiba quem tem fome.

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Vida

DAQUI DO PASSADO É SÓ FUTURO...

Que mais esperas, se o futuro está sempre à porta? Teu medo, tua mente aborda com cobranças; Por mais que te escondas por detrás dos muros, O futuro estará sempre à tua porta. A porta de um amanhã que se anuncia, De outro que virá depois, E de mais outro que ainda nem tem nome. Não te iludas com a sombra que o passado projeta, Nem julgues que o presente te pertence por inteiro; O tempo não espera que a alma esteja completa, Nem pergunta se estás pronto para cruzar o nevoeiro. Pois viver é caminhar sem conhecer toda a estrada, É ser passado a cada instante, sem deixar de ser chegada.

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Amor

CATEGORIA "AMOR" DO "MEU POEMA"

Quero dizer oque pouco se diz Mas muito se escolhe, Escolher falar sobre a escolha que escolhemos, Não é oque reflete, é oque é a porta da reflexão, O ponto de partida que lhe fez entrar na acção, Da perda, Do ganho, Ou da decepção... Nesta categoria, o amor não conhece uma só definição, É o beijo que eterniza, o abraço que consola, O amor de mãe, que faz do peito uma habitação, E a amizade que permanece quando o mundo nos abandona. É o amor-próprio, que floresce nas ruínas da existência, E aquele que, mesmo sem retorno, não perde a sua essência. Há quem escreva o amor com a tinta da felicidade, E quem lhe dê voz através das lágrimas da despedida; Há quem o encontre na presença, quem o guarde na saudade, E quem descubra, na ausência, a sua dimensão mais dolorida. Pois nem todo amor floresce, nem todo afeto permanece, Mas cada forma de amar revela algo que a alma desconhece. Amor — território vasto onde cada coração é um universo, Onde cabem o sagrado, o humano, o sublime e o imperfeito; Cada poeta traz uma verdade escondida em seu verso, Uma história singular que o tempo inscreveu no peito. E assim, entre mil formas, nenhum sentimento é igual: Porque o amor é universal, mas a sua experiência é pessoal.

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IMACULADO INATINGÍVEL

Habita o absoluto, onde a eternidade se ajoelha, além do véu da existência e das ruínas do saber; é a essência que nem a própria perfeição espelha, o mistério que o infinito não consegue compreender. Não há mancha que o defina, nem palavra que o contenha, pois transcende a própria ideia de ser ou não ser; é o silêncio antes do verbo, a verdade sem testemunha, o princípio que não nasce, nem precisa perecer. E se o universo inteiro ousasse desvendar-lhe a essência, despido de suas leis, de sua luz e de sua razão, descobriria que há grandezas além da consciência, e que o eterno, por vezes, não cabe na criação. Imaculado Inatingível — não por estar distante, mas por não existir altura que o possa alcançar; pois há o que é grande, há o que é infinito… e há aquilo diante do qual até o infinito aprende a silenciar.

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Amor

O AMOR DO AMANHÃ QUE NÃO EXISTE (PARTE II)

Parte II Se o amanhã não guarda o que sonhei, que faço eu das promessas que inventei? Se o amor que esperei jamais chegasse, seria menos amor se eu o esquecesse? Talvez o coração, por desejar, faça do impossível um lugar, e habite nele, mesmo sabendo que há sonhos que nascem já morrendo. Já não procuro o rosto que imaginei, nem peço ao tempo aquilo que perdi; pois compreendi, depois que tanto amei, que há despedidas que começam em si. O que não foi, não há de ser um dia, nem toda ausência traz companhia; há portas que o destino fecha em vão, para ensinar o rumo ao coração. E se amanhã vier sem teu regresso, não mais perguntarei por que partiste; farei do meu silêncio um novo verso, do que era dor, a força que não viste. Pois quem aprende a caminhar sozinho descobre que também existe caminho onde outrora só havia escuridão, e nasce uma esperança da solidão. Talvez o amor não seja o que esperamos, nem viva no futuro que sonhamos; talvez seja a coragem de deixar aquilo que não quis permanecer. E quando o último sonho adormecer, quando o passado já não nos chamar, se o amor do amanhã nunca existiu, será que o coração, enfim, já o descobriu?

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Amor

O AMOR DO AMANHÃ QUE NÃO EXISTE

Prometi ao meu peito um novo dia, onde o amor, qual estrela, despontasse; mas o tempo, senhor da fantasia, levou-me o sonho antes que começasse. Guardei no amanhã minha alegria, sem ver que o amanhã jamais chegasse; e assim, entre esperanças e desenganos, fui envelhecendo à espera dos anos. Amei uma promessa ainda não nascida, dei nome ao que o destino não escrevera; fiz do futuro a morada da vida, quando a vida, em silêncio, me dissera que toda flor que espera ser colhida pode morrer antes da primavera. E o coração, tão cego de esperança, confundiu o porvir com uma lembrança. Quantas vezes beijei a própria ausência, pensando ouvir passos no corredor? Quantas vezes chamei de permanência aquilo que era apenas meu ardor? Fiz do talvez uma eterna existência, e do silêncio uma promessa de amor; mas quem vive esperando pelo dia pode perder o sol que já nascia. Hoje não sei se o amor que tanto espero mora além do tempo ou já passou; se foi destino, acaso, ou desespero, se era meu sonho ou se nunca existiu. Talvez amar seja querer o que não veio, e morrer por um amanhã que nunca abriu... Mas, se o amor que espero não existe amanhã, por que ainda o meu peito o espera pela manhã?

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Amor

OQUE NÃO SE VÊ...

Fui presença onde eu era apenas ausência, dei meu coração a quem não quis sentir, fui primavera em terras sem esperança, e não soube onde devia florir. Fui silêncio para quem pedia palavras, e palavra para quem não quis escutar, dei abrigo a almas que eram frias, enquanto alguém me esperava para ficar. Talvez o erro não tenha sido amar, mas oferecer-me onde eu não era visto; pois há olhos que contemplam o rosto, mas jamais conseguem enxergar o íntimo. E assim aprendi, entre perdas e enganos, que nem todo coração merece o meu; às vezes somos para quem não nos vê, e não somos para quem nos escolheria pelo que é seu.

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