OQUE NÃO SE VÊ...
Fui presença onde eu era apenas ausência, dei meu coração a quem não quis sentir, fui primavera em terras sem esperança, e não soube onde devia florir. Fui silêncio para quem pedia palavras, e palavra para quem não quis escutar, dei abrigo a almas que eram frias, enquanto alguém me esperava para ficar. Talvez o erro não tenha sido amar, mas oferecer-me onde eu não era visto; pois há olhos que contemplam o rosto, mas jamais conseguem enxergar o íntimo. E assim aprendi, entre perdas e enganos, que nem todo coração merece o meu; às vezes somos para quem não nos vê, e não somos para quem nos escolheria pelo que é seu.
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