SEM CATEGORIA
Dizei-me, ó poeta, que nome lhe dareis, Às palavras que em vossa alma concebeis? Será amor, se o amor não as traduz? Será tristeza, se a dor não lhes dá luz? Que categoria há de conter vosso pensamento, Se em cada verso se esconde um firmamento? Que nome dareis ao que não tem medida, Se a própria palavra se mostra reduzida? Será que o sentimento não tem morada, Ou é a classificação que lhe fica limitada? Por que razão buscais, entre tantas definições, Uma só fronteira para infinitas emoções? Ó poeta, que mais não deveis escolher, Se tudo, de todo o mundo, à vossa vista está? Se tendes mil palavras para escrever, Por que nenhuma delas vos satisfará? Talvez «sem categoria» seja o nome mais profundo, Não por faltar sentido ao que se escreveu, Mas por não haver nome bastante neste mundo Para aquilo que a alma, em silêncio, concebeu.
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