DAQUI PRA FRENTE É SÓ PARA TRÁS
Ó tu, que ao porvir entregas teu cuidado, E julgas caminhar em nobre evolução, Não vês que o passo, embora acelerado, Pode levar-te à antiga perdição? Ergueu-se o homem em ciência e grandeza, Fez do impossível sua habitação; Mas, quanto mais se exalta em sua alteza, Mais se distancia da própria razão. Que estranha evolução é esta, em verdade, Que dá ao mundo engenho e movimento, Mas rouba aos corações a humanidade E troca a consciência pelo esquecimento? Dize-me, pois, que avanço é este, leitor, Se o novo veste a máscara do antigo? Se o tempo, que se anuncia redentor, Nos leva ao mesmo abismo de onde vimos? Talvez não seja o mundo que recua, Nem seja o tempo avesso ao seu destino; Talvez a própria marcha, que se insinua, Seja o regresso oculto do caminho. E assim, sob o esplendor de cada aurora, Enquanto o homem julga o céu alcançar, Há uma verdade que o silêncio mora: Daqui pra frente… é só para trás.
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