Jacó Mateus @jacob_mateo
Amor

O AMOR DO AMANHÃ QUE NÃO EXISTE

Prometi ao meu peito um novo dia, onde o amor, qual estrela, despontasse; mas o tempo, senhor da fantasia, levou-me o sonho antes que começasse. Guardei no amanhã minha alegria, sem ver que o amanhã jamais chegasse; e assim, entre esperanças e desenganos, fui envelhecendo à espera dos anos. Amei uma promessa ainda não nascida, dei nome ao que o destino não escrevera; fiz do futuro a morada da vida, quando a vida, em silêncio, me dissera que toda flor que espera ser colhida pode morrer antes da primavera. E o coração, tão cego de esperança, confundiu o porvir com uma lembrança. Quantas vezes beijei a própria ausência, pensando ouvir passos no corredor? Quantas vezes chamei de permanência aquilo que era apenas meu ardor? Fiz do talvez uma eterna existência, e do silêncio uma promessa de amor; mas quem vive esperando pelo dia pode perder o sol que já nascia. Hoje não sei se o amor que tanto espero mora além do tempo ou já passou; se foi destino, acaso, ou desespero, se era meu sonho ou se nunca existiu. Talvez amar seja querer o que não veio, e morrer por um amanhã que nunca abriu... Mas, se o amor que espero não existe amanhã, por que ainda o meu peito o espera pela manhã?

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