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Gabriel Gutembergue Alves de Souza

@gutembergue · desde 2020

Não sou obrigado a acreditar em tudo.

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Quando a vejo

Quando a vejo, minhas retinas andarilhas, acham caminho suave e de sombra comprida, e logo minhas entranhas se desorganizam em ritmo descompassado. Tudo de fato, presságio de reações inevitáveis. Tudo tão certo, diferente do seu mistério voluptuoso. — Gabriel Gutembergue

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Que mau eu fiz

Será que mal eu fiz a puta que me fez infelicidade de parir aquela pseudo-humana?! Cobra rasteira, que ataca sem pudor, de retinas indigentes, pois delas nada se sabe, que só ama a abstração do seu próprio egoísmo sem sabor. Não sei se mato da minha introspecção, se como viva, se como primeiro a cabeça e depois o rabo... não sei por que há saudade daquele ser desgraçado, do beijo molhado e cangote perfumado. — Gabriel Gutembergue

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Ideia

No ínterim entre o presente e o futuro, não sei se choro meus mortos se corro em ato de covardia ou me faço novo em silêncio, pois a esperança não está na chegada da aurora… A esperança se dá sobre os versos, sobre a concretização da ideia, ideia que pode ser só um elefante branco ou uma navalha que rasga e sangra de maneira visceral. De modo imediato não posso expressar 1/4 do meu pensamento, refugiarei-me no covarde e abstrato campo das ideias, e que não pode se tornar concreto. Agora, nada pode ser mais dito, escrito ou sinalizado, tudo o que está borbulhando, e fica dissolvendo-me e me dilacerando vai nesse intervalo entre o quase e o fim, morrendo junto comigo. — Gabriel Gutembergue

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Familiares

Completavam-se nossos discursos em cada dado momento exaurível, sob as nossas cabeleiras existiu uma lua que brilhava, mas não tanto quanto os nossos olhos vermelhos e desnorteados, fomos personagens de um enredo construído com toda a liberdade poética. Fomos amigos, trapaceiros, e sobretudo amantes. Viajamos nos nossos mundos íntimos, sólidos e solitários, no entanto, dicotômicos. Estamos perdidos nos nossos devaneios familiares. — Gabriel Gutembergue

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Poema

Monólogo

Em efêmero estado monólogo, vago por ruas distraído, sinto-me só, mesmo cercado por desconhecidos transeuntes observando-me abismados com tal suposta loucura e Intrigante lucidez, tudo isso como fardo de encontrar o melhor enunciado para comunicar-me com aquele extinguido ser, que num fundo é apenas uma mistura de esperneia, chatice e altivez irônica, mas que possui por trás das cortinas das suas retinas, um mundo de fantasia e perigo que me atiça e condiciona a querer desbravar cada centímetro de todo o seu devaneio convidativo e psicotrópico. — Gabriel Gutembergue

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Antecipo

Antecipo o fim sob o respaldo dos efeitos colaterais de um crônico egoísmo que me satura significativamente e torno-me assiduamente nômade e mudo para diferentes corações em um curso efêmero, ininterrupto e poético, mas faço-me playground deixado que divirtam-se e apaixone-se pelas múltiplas facetas que detenho. — Gabriel Gutembergue

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Atravesso

Amo e me aventuro na maneira bárbara dela me olhar, mas também na maneira cínica e desconfiada. Às vezes fico temporariamente cego e irracional e atravesso o peito dela fora da faixa de pedestres, sem medo de ser atropelado pela quantidade expressiva de personagens que existem dentro daquele belo ser. Bela como o azul do céu, água do mar e do seu sapato rumo a minha direção, beija minha bochecha e fico bobo, a garota é louca, inefável risonha, e quando séria a garotinha tem algo para contar, e conta só com o olhar, olhar expressivo e estonteante. (Gabriel Gutembergue)

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Fera

Desejar ter aquele ser, é desejar ter uma fera que devora e vomita, porque não há fome para alimentar. Devora sem desejo, devora por devorar, devora, descarta, larga e sai faminta sem fome. — Gabriel Gutembergue

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Vezes Sou...

Sinto-me saturado, nada serve. Vezes sou café: amargo e ruim quando frio, mas com um pouco de açúcar (Suborno, carinho, submissão), fico "doce" ou menos amargo, mas amargo ainda. Vezes sou tímido: como a cidade do Recife, sábado à noite. Sou um poeta vivo esquecido, quando eu morrer não quero ser imortalizado em concreto ao relento, em todos os versos estarei vivo, da carcaça quase nada servirá, só servirá para os decompositores consumirem com voracidade, assim como os amores me consumiram vivo. Vezes sou amor: amor descompassado, desatino. Depois de todos esses versos, neste exato momento, quem sou? Talvez poeta e fingidor, fingindo a dor que deveras sinto. (Gabriel Gutembergue)

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Toda poesia

Te escrevo toda poesia, mas só ela não basta. És como um deus, não posso tocar, mas te adoro com voracidade e com reverência. És meu suborno e meu medo. És céu e inferno, e quero desbravar os dois. Te beijo em cada esquina proibida, és maçã vermelha, és a maçã e a cobra também, estou sujeito a ser expulso do paraíso. (Gabriel Gutembergue)

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