existe um mistério e está por trás dos meus olhos. uma sensibilidade que simboliza a primeira visita de algo que finalmente consigo sentir, que me toca após longos momentos de apatia. momentos que se alimentaram de memórias que eu acreditava definirem minha identidade. e o futuro agora está se criando. existe uma abertura sincera para ele, uma abertura da qual não estava mais encontrando em lugar algum. nem mesmo em meus maiores apegos. estou presenciando o nascimento de uma intimidade minha que ainda não tinha sua história. é crua, juvenil e tem o frescor da infância desprovida de sua ingenuidade. os sonhos estão saindo de um mundo ideal para se revelarem sobre a minha face. são novas particularidades de uma mentalidade que me impulsiona a criar. acho que dias melhores virão. o relógio, que um dia parou, prossegue a sua contagem. e a vida pode tecer novamente sua trama envolvida por uma nova atmosfera. minha consciência percebeu o coração batendo. eu estou logo ali, no que pode existir depois de tudo o que se foi. num futuro próximo.
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como se cuida do tempo quando não queremos perdê-lo (?). é uma escolha (?). ou não, perdê-lo é um acidente (?). quando menos esperamos o planejado sai diferente. então como se planeja a realidade quando há prontidão na vida e viver é urgente (?). quando dentro é silencioso, fora é barulhento. e o barulho está na movimentação do outro. e na orquestra da mente. nos acontecimentos que nos acontecem. nas ruas da cidade que constroem o mundo que nos envolve, as vezes cruelmente. mas onde está o silêncio aqui fora? onde está a harmonia que acolhe o corpo quando o mesmo está cansado de se esconder por trás das roupas que o caracteriza superficialmente? quem está disposto a abrir o zíper, a desabotoar o botão... para revelar a pele quente a espera de um toque que compreende? se despir é uma dádiva dos corajosos. dos que desabafam o silêncio que se esconde no corpo. e dos que não calam as emoções para sempre. dos que se libertam do ponteiro do relógio que traça o início e o fim de uma eternidade. dos que avançam na vida com amor no peito. dos que confiam neste amor valente. um amor que vale a pena e que está no tempo que se dá gentilmente. na entrega para o que se revela em nosso caminho como quem nada espera; silenciosamente. como quem nada quer. como uma borboleta que pousa em uma flor que apenas é. em um encontro harmonioso. na vivência da sua natureza em excelência; sutilmente. o amor é toda e qualquer genuína presença nos lugares onde a doença é alguma forma de ausência. e que ausência é esta que mora no cotidiano e é tão presente? que destrói as relações como se tudo o que queremos não fossem estas pequenas chances... chances de podermos cuidar. de fazermos diferente. de molharmos este jardim em que nos deitamos na esperança de vermos flores crescerem. nascerem de nós; internamente. de maternarmos a alma, as ideias e os sentimentos mesmo quando a dor surge eventualmente. de sermos amigos. amigos do outros. amigos do tempo. e amigos da gente.
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estou tocando na pele mais invisível em mim. a pele que não toca o mundo mas que anseia sua forma fisíca. um eu profundo em mim. que é mais eu do que meu corpo acredita ser. um eu sem rédeas, sem controle de como devem ou não serem feitas minhas pequenas escolhas. pequenas escolhas que significam grandes coisas. coisas que me incomodam. coisas que tento alcançar. coisas importantes dentro da importância que podem significar para alguém.
há um oco no peito como se alí morasse o fim da alma. o buraco onde tudo cai e que tudo puxa. o lugar do qual eu corro. como se cair nele me revelasse para o mundo. que tanto odeia. que tanto fere. que tanto ama. que tanto acolhe. quando me revelo me escondo e quando me escondo sou o maior corpo do mundo em que vivo. tenho o maior rosto. e corro o risco de estar vivo.
mas é deste risco ao qual me refiro quando digo que experimento minha "fisicalização". o risco que corro me desenha na tela da realidade. e a arte de arriscar a vida é tudo o que ninguém pode explicar. vai além da verbalidade. é sensorial. é quando os fios se ligam e a energia corre pelo corpo que eu sou o que ninguém foi, é ou será. eu sou a vida quando ela acontece. eu sou toda a vida que me faltou. sou mais do que todos os meus pontos de interrogações. sou o ponto de exclamação na frase que arrisco verbalizar: eu estou vivo!
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todos os dias perdemos. perdemos pensamentos que vagam sobre nós. perguntas que não se concluem e se desligam para sempre da alma. reflexões que se realizam e evaporam pelos poros do corpo, que segue vivendo a vida com um mundo dentro de sí. um mundo de palavras que nos faltam dizer e tudo o que atravessa o peito e vai embora sem nem ter tempo de ser. vivemos com o que falta no outro e o outro vive com o que falta em nós. destinados a uma luta diaria de nos entender. apenas e nada mais.
somos o que o outro nunca pode alcançar. mas o que é, que nos liga mesmo que por poucos segundos? são partes semelhantes de quem somos? são meus pensamentos perdidos em você? o que explica eu estar dentro de você? seria a identificação com o mais intimo. o fio que nos liga? o tecido que tece a chance de sermos um só? ou apenas sonhamos não estarmos presos na realidade que nos é aplicada por uma ordem maior que a vida? ou a própria? ou sabe-se lá o que é que tanto tentamos desvendar sobre o anoitecer, entardecer e amanhecer dos dias.
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hei de encontrar nos poros,
no cheiro de um corpo,
um espaço para suar
palavras, pensamentos e detritos sem retorno.
que giram em torno da alma e evitam a fisicalidade
de alcançar o prazer de respirar em excelência.
de descarregar o peito sobre o momento,
deixando esvair a verbalidade
que tanto busca explicar o sentimento.
o sentimento de perder.
e do recomeço de tudo, que é lento.
o recomeço, iniciado por um corpo retraido.
que só necessita mesmo:
de um acalento.
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ultimamente nada tem me ocorrido mas o tempo tem corrido tanto, como se a vida tivesse acelerado os momentos para que o fim de algo importante, que eu não sei o que é, chegasse mais rápido. mais rápido do que eu espero. mais rápido do que eu posso aguentar. sem aviso ou chance de preparação. meu corpo tem sido um reservatório de afetos duros lançados por todos os lados, de todas as minhas possíveis formas de captação. e sinto que me falta ao meu lado... a parte doce do meu coração.
talvez exista um espaço na virtualidade que existe em mim. onde nada, nem ninguém tenha modificado. um lugar onde eu possa começar e saiba que farei por mim. mas gostaria que a vida oferecesse respostas sobre onde está o fim (?). o fim desse eu que me nega minha própria expressão. porque eu desejo alcançar com as palavras o invisível que eu sei que existe em mim. eu quero que meu corpo exista e signifique mais do que apenas a carne. preciso que minha virtualidade toque o mundo e o enlace cada vez mais próximo de mim.
sei que a complexidade da vida não exclui os prazeres possíveis da alma, que há um caminho pacífico para toda causa. mas eu só quero alcançar o futuro para resolver a minha história que se bagunçou na rotina e se perdeu na memória... mesmo que eu saiba que para isso tudo é necessário calma.
eu espero existir como estou existindo no meio de cada uma dessas palavras. pois estou aqui de corpo e alma. deitado sobre cada uma delas. nu e cru. e é como revelar cada segundo que ocorre em mim. talvez na esperança de encontrar semelhantes ou um ninho para repousar e conseguir dormir. de qualquer forma, espero que minhas palavras sejam um colo para quem precise. é isso... um colo. eu preciso de um colo. meu, de alguém; da vida. porque estar exposto ao mundo para ser repreendido pelo mesmo é cruel demais.
talvez eu encontre este descanso sobre núvens na minha imaginação. tocarei estrelas e elas serão minhas amigas... então conversaremos por horas e horas sobre o que o mundo deixa de entender... ah! eu preciso de um colo.
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Sinto que estou me perdendo das coisas, não de mim, das coisas. Existe um medo, de que se for real, eu entendo, mas se for outra coisa, então é como errar e errar é cenário para recomeçar. Recomeçar é sempre diferente de tudo e isto é óbvio. É aceitar que mudar não dá ao outro o entendimento sobre o seu novo eu. O novo eu não vem compreendido, ele é novo, novo para você e para qualquer um. As vezes é novo para o mundo e se torna original. Para quem sempre acredita que sabe quem é, se tornar original é derrubar toda esta certeza, para ser quem nunca esperou ser.
Quando a esperança brilha em meu peito é quando tudo deixa de me entender. A vida com seus testes parece querer descobrir se confio mais no sentimento de esperança do que nos obstáculos espalhados sobre o caminho que leva até ele. Me pergunto quais são as coisas, quem são as pessoas que, durante as mudanças do caminho, não perderão o vínculo (?) . Espero que me transformar não corte os vínculos, porque se forem cortados, uma parte de mim morre. Então terei que voltar para o abraço das estrelas. Para onde sempre corro quando é hora de recomeçar.
Pelo menos quando chega esta hora, é quando deixo de tentar compreender a matéria do mundo que me dói. Deixo de olhar as estrelas pela janela e vou ao encontro delas. Onde o céu se torna minha terra e a Terra se torna apenas uma bela e distante visualização. Assim como as estrelas também foram um dia. Quando decido retornar é apenas porque elas me pedem. Então volto. Volto com células transformadas. Volto como quem nasceu fora. Mas, na verdade, nasci por dentro.
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Aprendizado é limpar o próprio sangue
Que derramou pelo caminho.
Tentando chegar a primeira gota derramada
Para perceber que já se foi.
O calor dos dias que escolhemos esquecer
Ficou há quilômetros da nossa consciência,
Se tornou inconsciente e secou no asfalto
Partes de nós que doeram.
Doeram na alma, na mente e no coração
E em algum momento, doeram no chão.
Não adianta, não acessamos mais
E não voltam para o corpo sem causar infecção.
Ao tentarmos consertar a história
E perceber que tentar foi em vão...
Tudo o que ganhamos das fatalidades
São perspectivas dos nossos maiores erros
Em um cenário onde não há mais salvação.
Seguimos com a consciência
De tudo o que foi visto, ouvido, sentido e vivido
E a partir desta ressignificação,
Ela se torna a referência interna atualizada
Que nos levará para a próxima criação.
Eduardo ♡
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Lembrar de quando nossos olhares,
Sobre filtros imaturos se cruzaram,
Me leva até a realidade de que hoje
Minha visão é apenas da distância
Que em nós as circunstâncias causaram.
Hoje esta madura realidade me sugere validar
A liberdade da qual o outro é digno de viver.
É como se amar já não fosse mais ansiar
Pelo toque dos corpos ao se encontrarem
Na dádiva custosa que é conviver.
Atualmente o amor em sua excelência
Permite que a saudade transmita, sem falhas,
O que minha comunicação foge de dizer.
É a falta genuína que o outro causa em mim,
O nutriente afetivo que me possibilita perceber.
Portanto aqui neste cenário subjetivo amoroso
Não irei mais, muitas coisas, prometer!
Pois o amor se fere quando racionalizado
E é duro assistí-lo, na mente, se perder.
Contudo, para mim, isto é amar...
Deixa de ser um apego sedento por obter,
Visando beber toda a essência existente no outro
E em mim, eternamente, sua vitalidade deter.
Mas é confiar que o impulso do afeto,
Independente da sua inclinação ao amanhecer,
Se torne cada vez mais, um incentivo interno,
Para a vida no outro, genuinamente, florescer.
Eduardo ♡
- este poema é uma segunda versão mais analítica de um poema curto, com o mesmo título, já escrito e publicado aqui por mim.
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O amor existe, para mim,
Apenas em um momento perfeito.
Como se amar no momento errado
Confirmasse em mim este preconceito.
Mas, aos prantos, nadando em minhas lágrimas,
Lavo as emoções rochosas em meu peito,
Levando junto com a água, resquícios de orgulho,
Desaguando em seu leito...
E neste momento,
Quando no seu coração me deito...
Te amo tanto;
Que momento perfeito!
Eduardo ♡
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