Eduardo @eduardobieluka
Poesia

amigos da gente.

como se cuida do tempo quando não queremos perdê-lo (?). é uma escolha (?). ou não, perdê-lo é um acidente (?). quando menos esperamos o planejado sai diferente. então como se planeja a realidade quando há prontidão na vida e viver é urgente (?). quando dentro é silencioso, fora é barulhento. e o barulho está na movimentação do outro. e na orquestra da mente. nos acontecimentos que nos acontecem. nas ruas da cidade que constroem o mundo que nos envolve, as vezes cruelmente. mas onde está o silêncio aqui fora? onde está a harmonia que acolhe o corpo quando o mesmo está cansado de se esconder por trás das roupas que o caracteriza superficialmente? quem está disposto a abrir o zíper, a desabotoar o botão... para revelar a pele quente a espera de um toque que compreende? se despir é uma dádiva dos corajosos. dos que desabafam o silêncio que se esconde no corpo. e dos que não calam as emoções para sempre. dos que se libertam do ponteiro do relógio que traça o início e o fim de uma eternidade. dos que avançam na vida com amor no peito. dos que confiam neste amor valente. um amor que vale a pena e que está no tempo que se dá gentilmente. na entrega para o que se revela em nosso caminho como quem nada espera; silenciosamente. como quem nada quer. como uma borboleta que pousa em uma flor que apenas é. em um encontro harmonioso. na vivência da sua natureza em excelência; sutilmente. o amor é toda e qualquer genuína presença nos lugares onde a doença é alguma forma de ausência. e que ausência é esta que mora no cotidiano e é tão presente? que destrói as relações como se tudo o que queremos não fossem estas pequenas chances... chances de podermos cuidar. de fazermos diferente. de molharmos este jardim em que nos deitamos na esperança de vermos flores crescerem. nascerem de nós; internamente. de maternarmos a alma, as ideias e os sentimentos mesmo quando a dor surge eventualmente. de sermos amigos. amigos do outros. amigos do tempo. e amigos da gente.

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