quinta-feira, 14 de dezembro.
estou tocando na pele mais invisível em mim. a pele que não toca o mundo mas que anseia sua forma fisíca. um eu profundo em mim. que é mais eu do que meu corpo acredita ser. um eu sem rédeas, sem controle de como devem ou não serem feitas minhas pequenas escolhas. pequenas escolhas que significam grandes coisas. coisas que me incomodam. coisas que tento alcançar. coisas importantes dentro da importância que podem significar para alguém. há um oco no peito como se alí morasse o fim da alma. o buraco onde tudo cai e que tudo puxa. o lugar do qual eu corro. como se cair nele me revelasse para o mundo. que tanto odeia. que tanto fere. que tanto ama. que tanto acolhe. quando me revelo me escondo e quando me escondo sou o maior corpo do mundo em que vivo. tenho o maior rosto. e corro o risco de estar vivo. mas é deste risco ao qual me refiro quando digo que experimento minha "fisicalização". o risco que corro me desenha na tela da realidade. e a arte de arriscar a vida é tudo o que ninguém pode explicar. vai além da verbalidade. é sensorial. é quando os fios se ligam e a energia corre pelo corpo que eu sou o que ninguém foi, é ou será. eu sou a vida quando ela acontece. eu sou toda a vida que me faltou. sou mais do que todos os meus pontos de interrogações. sou o ponto de exclamação na frase que arrisco verbalizar: eu estou vivo!
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