Foto de Débora Roner

Débora Roner

@deb31 · desde 2019

~se as pessoas fossem chuva eu seria a garoa e ela o furacão~ ~how do I ever get out of this labyrinth~ 📞: 31998471015

60 poemas 95 seguidores 71 seguindo

Seguir

Retorno ao Ventre

Com a coberta acima da minha cabeça Meu coração retumba inclemente O mundo some ao meu redor Ou imploro por isso Quando apagada e calada Tudo me preenche ao ponto de explodir Ansiando rasgar carne e quebrar ossos E carregar meu corpo pesado perante o dever Retorno ao começo de tudo A espera ansiosa da minha chegada Minha individualidade imaginada como um milagre Envolvida no ventre de amor e segurança Quando ainda não era só Não era eu Sinto falta de não ser Sinto falta de não ter um nome para ser chamada Mas nasci E agora preciso pagar por isso

Continuar lendo
Família

Família abençoada

Adesivos desgastam-se inutilmente no parabrisas Frases de adoração satirizam uma alma exausta Crucifixos se empoeiram nas paredes Onde hematomas são escondidos por saias decentes E a boca que profere sermões fervorosos É a mesma que se delicia na boca de outra mulher Mamãe está chorando Mas Deus não vê Quando vestem sorrisos cordiais no domingo de manhã Ou quando as suas mãos estavam no pescoço dela Não existe quem possa apagar seus pecados Ou a memória de quem presenciou de perto E não tinha altura suficiente para entender Nada apaga isso Nem louvores bem cantados Ou orar de mãos dadas no jantar Porque sexo não dorme quando as luzes se apagam E as crianças continuam depressivas quando as veste

Continuar lendo
Silêncio

Demônios que ninguém quer ver

Faço dos meus livros empoeirados meus sábios conselheiros Das páginas amareladas meu cobertor no terror da noite Os personagens minhas inspirações honrosas Das palavras e versos um ouvinte quando minhas vísceras se derramam sob cada parágrafo Neles rio, choro, sofro e sangro com cada batalha perdida Sangro sob as poesias quando minha veias se secam Quando minhas palavras são engolidas e meu corpo está prestes a explodir Transformo em gritos e assassinatos sob o papel as mentiras Meus versos são agressividades veladas Vontades esquecidas no abismo do meu inconsciente São meus corpos empilhados sob uma mente exausta Meus silêncios carregam anos de aperfeiçoamento Tornando a espera e atuação meu espírito mais afiado Construindo uma mente forte quando meu corpo não foi Me matando e me reconstruindo Feridas sob feridas fibrosas Deformam meu retrato Canto as emoções que nunca poderão ganhar voz Danço com as notas quando quero rasgar carne Canto sobre fantasmas de um castelo de mentiras Cada canção uma invocação de uma verdade enterrada Canto sobre verdades que pairam sob vidas mentirosas Demônios que ninguém vê Demônios que ninguém quer ver

Continuar lendo

Fumaça

Quando o desespero toma Quando a penumbra tranquila da noite Sufoca e se transforma em tormento Quando se está sozinho e o vazio bate a porta Vejo o coelho ansioso me chamando E minha única escolha se torna o entorpecimento Eu acendo a chama admirada com um calor esquecido Aos lábios levo o cigarro tal qual uma chupeta Mas não sou mais criança E não há quem me segure Puxo o ar como meu último fôlego Odiando cada segundo disso Mas ansiando pelo conforto do torpor me cobrir Invejando as memórias esquecidas Dos abraços quentes que não sufocam Do instinto materno de cuidado sem dividas Do calor e segurança Que não me deixem cair Mas agora eu caio E não há quem me segure Não há conforto no meu desespero

Continuar lendo
Amor

Nebulosa

Nosso amor supera mais um ano De vidas a vir Mundos Transcendendo todas as leis e medidas Assim como o seu cósmico E caótico ser Que a cada pequena expressão Um pequeno escape Da terrível E deslumbrante nebulosa Por baixo de sua frágil pele que adoro cada centímetro Queima e respira A existência mais bela e transcendental Que tive a honra de sentir Amar Admirar E compartilhar o presente Que é degustar o tempo ao seu lado Viver a meu breve e efêmero suspiro Queimando e dançando com sua alma Não poderia chamar você de humano Quando você supera todos as leis do mesmo E apesar disso Ser mais humano do que a maioria Da sua forma mais frágil e visceral E eu amo Da sua fragilidade A sua inquestionável força irredutível Eu vejo você E eu amo

Continuar lendo

Neblina

Vagueio pela névoa espessa em minha mente Meus sentidos anestesiados Meu corpo pesado se arrasta Não vejo Não ouço Não sinto Não ajo Não falo Eu estou morta? Tento me provar para mim E para os outros Que existe algo por trás desses olhos A outra de mim Presa na redoma a sete palmos do meu ser Ela está acordada Ela vê Ela ouve Ela sente Ela quer agir Ela grita Mas todos seus esforços interrompidos pela redoma Meu inébrio ser Tenta a alcançar em meio ao seu torpor Uma precisa da outra Ela procura pelos ruídos abafados Distantes De súplicas esquecidas Indecifráveis Meu ser viciado Ouve distantemente O arranhar frenético Os estampidos persistentes Implorando para ser encontrada Ela se ouve mas a névoa varre de sua mente Seu corpo Qualquer pensamento Qualquer vontade Qualquer ação Tentando incessantemente Sair do abraço da neblina Eu me ouço distantemente Uma mão estendida ao vazio Mas quanto mais tempo se passa Mais me enveneno

Continuar lendo
Drama

Quem sou eu?

Essa pergunta ronda pela minha mente Farejando por algo Se perdendo em todas versões Entre as que são As que não são As que precisam ser As forjadas As que foram As que quero ser Ao o que preciso sobreviver O que preciso suportar E como preciso me moldar Todas elas ainda estão dentro de mim? Vagando como fantasmas? Entre camadas de pensamentos Entre níveis de consciência? Estão a sete palmos de meu cemitério pessoal? Ou sou algo totalmente novo e inexplorado? Quem sou eu?

Continuar lendo
Ordem

Petricor

Ar pulsante em meus pulmões Ambiente pálido e opaco Olhos pesados enquanto uma corda aperta meu pescoço Vozes sem algum traço de vida Toques sem um traço de intenção No ar viciado da redoma me inebrio Coração retumbante palpita Uma máquina quebrada Uma bailarina que não gira Uma plateia descontente Um circo em chamas Toques sobre um corpo indecente Preces a um deus morto Palavras jogadas ao vazio Os dedos gélidos de um defunto Evoluir, adaptar Sobreviver Suportar

Continuar lendo
Amor

Meu espinho na carne

Deleite de momentos calorosos Um conforto constante Conexão viva e pulsante Com doçura o ar se preenche Porém Não uma pequena porção do cômodo Dele os olhos como de uma criança Minha alma arrepiada por uma simples risada Bom Esse momento é bom Mas Algo está fora do lugar Meu coração se acelera Mãos suadas E na pequena parte do cômodo Mais e mais forte a presença se torna Meu peito se aperta A dúvida envolve Decepção amarga minha língua Raiva explosiva e dolorosa Pulsa dentro de mim Meu olhar se transforma sobre ele Meu espinho na carne Minha atenção retorna Ao calor reconfortante Ao sonho tranquilo Bom Esse momento é bom Nada mais importa Como um tique taquear de um relógio Marcante Barulhento Como o som de um bule estridente Uma presença constante Um lembrete constante Olhos de soslaio Reconhecem o fantasma O olhar fito em nós Ele sabe Ele existe Em meio ao embriagar do calor Como um simples sobressaltar noturno O esquecimento Uma dádiva

Continuar lendo
Arte

A arte liberta

A arte liberta Liberta o fluxo da melodia inata Porém , coragem é necessária De ser De existir Ouvir a melodia da existência Abraça-la Com todas as notas As batidas caóticas As pausas extendidas As paletas de cores infinitas É preciso ousadia Libertar dos padrões A ânsia por ser algo A obrigação O dever A essência não deve nada É selvagem Bela Livre Assim como nós Como o céu As estrelas O mar E a tempestade Viemos do pó E ao pó retornaremos Viemos da natureza E à natureza retornaremos Não fomos fabricados Não somos destinados Não nascidos de um escritório Ou igreja Nascidos do éter Da energia bruta Etérea E selvagem A natureza inata não tem sentido Ou propósito Por isso somos livres A arte Um veículo Um rito milenar De adoração a liberdade À vida À individualidade Vibrante e pulsante Em cada indivíduo Uma dádiva

Continuar lendo