Neblina
Vagueio pela névoa espessa em minha mente Meus sentidos anestesiados Meu corpo pesado se arrasta Não vejo Não ouço Não sinto Não ajo Não falo Eu estou morta? Tento me provar para mim E para os outros Que existe algo por trás desses olhos A outra de mim Presa na redoma a sete palmos do meu ser Ela está acordada Ela vê Ela ouve Ela sente Ela quer agir Ela grita Mas todos seus esforços interrompidos pela redoma Meu inébrio ser Tenta a alcançar em meio ao seu torpor Uma precisa da outra Ela procura pelos ruídos abafados Distantes De súplicas esquecidas Indecifráveis Meu ser viciado Ouve distantemente O arranhar frenético Os estampidos persistentes Implorando para ser encontrada Ela se ouve mas a névoa varre de sua mente Seu corpo Qualquer pensamento Qualquer vontade Qualquer ação Tentando incessantemente Sair do abraço da neblina Eu me ouço distantemente Uma mão estendida ao vazio Mas quanto mais tempo se passa Mais me enveneno
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